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sábado, 24 de outubro de 2026

A União Europeia em cinzas:

A aparente mudança de posições de Biden para Trump, do 'apoio' para a 'traição' à Ucrânia, não foi uma mudança da política externa dos EUA, é a prossecução da sua lógica.
Desde o inicio, há mais de quatro anos, quando a Rússia atacou a Ucrânia, que a leitura é exactamente a mesma: a invasão russa (ilegal porque violou o direito Internacional, tal como os bombardeamentos na ex-Jugoslávia, a invasão do Iraque, ou, já este ano, a incursão na Venezuela, a guerra contra ao Irão etc.) foi deliberadamente provocada, calculada e prolongada pelos EUA com objectivos bem delineados. Um deles foi pôr fim às ambições da União Europeia como bloco autónomo e poderoso.
Aquilo que pareceu uma mudança de posições, da administração Biden para a administração Trump, prossegue a lógica do complexo militar-industrial-financeiro dos EUA. Depois de investirem uns escassos milhares de milhões de dólares no apoio à Ucrânia, quase todos os objectivos dos EUA foram alcançados: enfraquecer a UE, separar a indústria alemã dos recursos naturais russos, obrigar os países europeus a transferir verbas astronómicas para a indústria militar dos EUA e conquistar o mercado energético europeu (o do gás natural primeiro e, através do petróleo próprio e da Venezuela, no futuro também o do crude, para isso se atacou a Venezuela, para isso, uma vez cometido o 'erro', o prolongamento agora da guerra contra o Irão que joga a médio prazo a favor da consolidação dos EUA/Venezuela como poder dominante da energia fóssil).
Uma vez atingidos os objectivos na Ucrânia, veio Trump, fechou a torneira, obrigando a UE a pagar sozinha a factura da guerra e da manutenção do aparelho de estado da Ucrânia, para, aproximando-se de Putin, finalmente, puxar o tapete à UE e a Zelensky.
Só algo não resultou: o objectivo de isolar, desestabilizar e enfraquecer a Rússia. E não resultou, porque os EUA subestimaram o inimigo e cometeram um erro: ao utilizarem a Ucrânia para enfraquecer e derrotar a Rússia, acabaram por consolidar uma aliança entre Moscovo e Beijing e por reforçar todo o bloco dos BRIC que apoiou a Rússia. Reconhecido esse erro, agora os EUA esforçam-se por uma aproximação à Rússia, com parcerias no mercado energético e dividindo, entre is EUA e Rússia, o que restar da Ucrânia.

De toda esta estratégia resulta a derrota (além da derrota da efémera Ucrânia, destruída e mutilada) da União Europeia. A falta de visão dos 'líderes' da UE, no caso de uns, e a cumplicidade com os EUA, no caso de outros, esse declínio do poder económico e político da UE podemos agradecer a personagens tristes, fracas e vendidas como Macron, Merz, Leyen, Kallas, Costa etc. Nos próximos cinco anos veremos se a UE e o euro foram ambições efémeras e colapsam ou se surgem líderes europeus e a UA sobrevive como união política.

Miguel Szymanski 

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