Existe algum estudo sobre a violência que o Chega introduziu no sistema partidário? Se existir, essa investigação começará por reconhecer que a sua violência não aparece ex nihilo. Existe sempre violência potencial na disputa política, a qual pode gerar conflitos de variado grau e consequências. E já existia intensa violência política em Portugal em 2017, quando Passos Coelho lançou o Ventura em Loures, precisamente para ensaiar com a chancela do PSD a eficácia de um discurso securitista, alarmista, racista e xenófobo (também porque Trump tinha ganhado um ano antes, havia um novo ciclo na direita à escala mundial, e muito pelo rancor de ter perdido o Governo em 2015 para o PS). A diferença que o Chega trouxe consistiu em assumir o estilo pornográfico como imagem de marca. Isto é, a sua violência foi transformada em espectáculo, sendo a produção contínua desses espectáculos a sua estratégia de comunicação – ou modelo de negócio eleitoral. O que se dizia no táxi e na tasca, para usar essas metáforas relativas ao simplismo degradado e aos tabuísmos, passou a dizer-se na televisão, nos cartazes e no Parlamento. Ao mesmo tempo, profana-se a simbólica religiosa e a teologia, tentando pescar ignaros reduzidos à identidade católica ou evangélica. Quase tudo agora se pode dizer na práxis política e na comunicação social; e tudo, mesmo tudo, pode ser insinuado.
Esta violência específica tem sido gerida pelo partido que a criou, o PSD. Porque tem sido útil e promete continuar a ser. Talvez por isso não exista nenhum estudo sobre a violência do Chega.
16 Agosto 2026 às 8:41 por Valupi
Do blogue Aspirina B
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