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terça-feira, 11 de agosto de 2026

CAOS NOS EXAMES. Ministro abre inquéritos para fugir às responsabilidades, dizem professores:

Fenprof e Movimento Escola Pública criticam Fernando Alexandre que terá tentado com a manobra “desviar a atenção do caos”. Afirma-se ainda que é um “insulto” culpar os professores depois de tudo o que fizeram.

Depois de ter falhado mais uma vez prazos no processo caótico de correção dos exames nacionais de acesso ao Ensino Superior, Fernando Alexandre tratou na segunda-feira de anunciar um inquérito às escolas por causa do “envio tardio” de provas e pedidos de reapreciação.

Sindicatos, movimentos de professores e diretores criticam o que significa esta iniciativa, afirmando que este está a “fugir às responsabilidades” e que se trata de um “insulto” às escolas e aos professores.

A TSF ouviu, José Feliciano Costa, da Fenprof, que destaca ser uma forma de “tentar procurar fugir às suas responsabilidade” devia a “uma medida que resulta de decisões e falhas da própria tutela”. Para ele, “abrir inquéritos é uma forma de desviar a atenção do caos que marcou este processo, que é, talvez, um dos maiores problemas que o sistema educativo teve nas últimas décadas”.

A federação sindical considera, por outro lado, que “as escolas e os professores fizeram tudo o que lhes competia e até muito mais do que isso”

A porta-voz do movimento Missão Escola Pública, Cristina Mota, vai no mesmo sentido também em declarações a esta estação de rádio. Considera o inquérito “insultuoso” para escolas, professores e “todos aqueles que estão a garantir que pautas são afixadas e que este caos não tome ainda dimensões maiores”.

Este movimento destaca assim a “falta de respeito e de consideração para com os profissionais”, garantindo que “se existiram escolas que enviaram apenas na sexta-feira provas para reapreciar, é porque apenas nesses momentos reuniram condições para o fazer”. Ou seja, na versão dos professores, estes e as escolas foram o “principal agente” que tentou resolver “este caos em que estão instalados os exames” enquanto Fernando Alexandre tenta “transmitir uma outra ideia, assente em estratégias políticas”.

De acordo com o Júri Nacional de exames, entre sexta-feira e sábado, as escolas submeteam 89 pedidos de reapreciação e 123 pedidos de correção de cotação dos exames cujos resultados supostamente deveriam ter sido publicados na sexta-feira.

Ainda a este órgão de comunicação social, a Associação Nacional de Diretores Escolares tinha reagido com “surpresa” ao anúncio do inquérito mas garantia “serenidade” na espera de resultados face ao “caos que se instalou” porque acredita que “ficou claro que foi a ação dos professores que permitiu que prazos fossem cumpridos”.

Carlos Louro, presidente interino desta organização, insiste que logo na primeira fase “quando se apontavam culpas às escolas e aos professores, isso não passava de uma nuvem de fumo muito densa que se queria lançar” e diz que “ficou claro que foi a ação dos professores e das escolas que permitiu que os prazos que foram definidos fossem cumpridos”.

Para ele, seria agora “necessário trazer serenidade às escolas para que o próximo ano letivo seja lançado com tudo o que os alunos merecem”.

Blogue Esquerda 

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