Depois de ter falhado mais uma
vez prazos no processo caótico de correção dos exames nacionais de acesso ao
Ensino Superior, Fernando Alexandre tratou na segunda-feira de anunciar um
inquérito às escolas por causa do “envio tardio” de provas e pedidos de
reapreciação.
Sindicatos, movimentos de
professores e diretores criticam o que significa esta iniciativa, afirmando que
este está a “fugir às responsabilidades” e que se trata de um “insulto” às
escolas e aos professores.
A TSF ouviu, José
Feliciano Costa, da Fenprof, que destaca ser uma forma de “tentar procurar
fugir às suas responsabilidade” devia a “uma medida que resulta de decisões e
falhas da própria tutela”. Para ele, “abrir inquéritos é uma forma de desviar a
atenção do caos que marcou este processo, que é, talvez, um dos maiores
problemas que o sistema educativo teve nas últimas décadas”.
A federação sindical considera,
por outro lado, que “as escolas e os professores fizeram tudo o que lhes
competia e até muito mais do que isso”
A porta-voz do movimento Missão
Escola Pública, Cristina Mota, vai no mesmo sentido também em declarações a
esta estação de rádio. Considera o inquérito “insultuoso” para escolas,
professores e “todos aqueles que estão a garantir que pautas são afixadas e que
este caos não tome ainda dimensões maiores”.
Este movimento destaca assim a
“falta de respeito e de consideração para com os profissionais”, garantindo que
“se existiram escolas que enviaram apenas na sexta-feira provas para
reapreciar, é porque apenas nesses momentos reuniram condições para o fazer”.
Ou seja, na versão dos professores, estes e as escolas foram o “principal
agente” que tentou resolver “este caos em que estão instalados os exames”
enquanto Fernando Alexandre tenta “transmitir uma outra ideia, assente em
estratégias políticas”.
De acordo com o Júri Nacional de
exames, entre sexta-feira e sábado, as escolas submeteam 89 pedidos de
reapreciação e 123 pedidos de correção de cotação dos exames cujos resultados
supostamente deveriam ter sido publicados na sexta-feira.
Ainda a este órgão de comunicação social,
a Associação Nacional de Diretores Escolares tinha reagido com “surpresa” ao
anúncio do inquérito mas garantia “serenidade” na espera de resultados face ao
“caos que se instalou” porque acredita que “ficou claro que foi a ação dos
professores que permitiu que prazos fossem cumpridos”.
Carlos Louro, presidente interino
desta organização, insiste que logo na primeira fase “quando se apontavam
culpas às escolas e aos professores, isso não passava de uma nuvem de fumo
muito densa que se queria lançar” e diz que “ficou claro que foi a ação dos
professores e das escolas que permitiu que os prazos que foram definidos fossem
cumpridos”.
Para ele, seria agora “necessário
trazer serenidade às escolas para que o próximo ano letivo seja lançado com
tudo o que os alunos merecem”.
Blogue Esquerda

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