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segunda-feira, 20 de julho de 2026

«Venceu o futebol»:

Não fixei onde li este comentário, no caudal de artigos sobre a final do Campeonato do Mundo que devorei de manhã, bem cedo, mas é notável pela síntese certeira: «Venceu o futebol».

Assim aconteceu, para bem da modalidade. Espanha foi uma selecção compacta, organizada, praticante de um futebol fluido e ofensivo, de olhos na baliza adversária. Os argentinos, pelo contrário, pareciam ter mais vontade de praticar kickboxing. Interessados nas canelas dos adversários e alheados das redes espanholas. Distribuíram sarrafada desde o primeiro minuto e viram um árbitro muito benévolo perdoar-lhes em larga medida o jogo violento.

A chamada «identidade alviceleste», que tem Enzo Fernández e Otamendi como dois expoentes, deriva em grande parte disto. E não se recomenda.

Lionel Messi esteve alheado da partida, vendo os colegas distribuir fruta enquanto percorria a passo fatigado o péssimo relvado do estádio de Nova Jérsia, sem condições adequadas para a prática do futebol de alto nível. Os 27 minutos de intervalo pontuado por show musical, muito à americana, danificaram-no mais ainda.

Tão elogiado em Portugal, sobretudo por aqueles que adoram denegrir Cristiano Ronaldo, o veterano avançado do Inter Miami saiu desta final sem cumprir um só objectivo.

Não se sagrou bicampeão mundial, não foi o melhor marcador do torneio (Mbappé superou-o marcando dez) nem é o rei dos artilheiros em campeonatos do mundo (Mbappé, aos 27 anos, j´a lidera a lista, com 22). Não fez sequer um remate `à baliza neste embate decisivo.

Foi, de resto, a primeira vez que uma selecção disputou a final de um campeonato do mundo sem um remate enquadrado em toda a partida (12 para os espanhóis) e zero tentativas de golo ao minuto 90 (a Espanha teve 20).

Superioridade, muito duvidosa, só em cartões: quatro amarelos e dois vermelhos. Com Espanha em branco neste capítulo.

Os idiotas que desataram aos urros contra Cristiano Ronaldo após o embate ibérico, com a eliminação da selecção lusa no tempo extra, certamente já terão percebido que essa derrota, aliás pela margem mínima, se inscreve na ordem natural das coisas: nuestros hermanos apresentaram a melhor selecção no torneio da América do Norte, confirmando os pergaminhos que a levaram há dois anos a sagrar-se campeã da Europa. Tão simples como isto.

Apoiei Espanha nesta final – porque do outro lado estava a Argentina e no seu onze titular figurava Pedro Porro, que em 2021 se sagrou campeão nacional pelo Sporting, onde consolidou um bem-sucedido trajecto como futebolista profissional. Não esqueço as suas palavras logo após o recente Portugal-Espanha quando aproveitou para enviar um abraço a todos os sportinguistas.

Venceram com mérito. Rodri, melhor médio defensivo do futebol contemporâneo e Bola de Ouro 2024, foi justamente eleito figura-chave do Mundial. Unai Simón, com apenas um golo sofrido em oito jogos, destacou-se sem surpresa como melhor guarda-redes. Titular indiscutível da selecção aos 19 anos, o catalão Pau Cubarsí mereceu a designação como melhor futebolista jovem: foi ele quem anulou Messi na final de ontem. Sem margem para dúvidas.

Sim, venceu o futebol.

Pedro Correia,  

Do blogue Delito de Opinião

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