Hoje decidi debruçar-me sobre o motivo que leva determinados animais a “marrar”.
Muita gente continua a afirmar que os touros marram com o vermelho. No entanto, isso não corresponde à verdade.
Os touros, tal como muitos outros mamíferos, são dicromáticos: distinguem sobretudo tons de azul e amarelo, mas não diferenciam o vermelho do verde da mesma forma que os humanos. Para eles, o pano vermelho utilizado nas touradas surge apenas como um tom acastanhado ou acinzentado.
O verdadeiro gatilho da agressividade, em muitos animais — incluindo os touros — é o movimento.
Os animais não reagem à estética, à intenção humana ou propriamente à cor. Reagem, sim, a estímulos que o cérebro interpreta como ameaça, desafio ou invasão do seu espaço.
Um movimento brusco dentro do “espaço pessoal” do animal pode ser entendido como uma provocação ou um perigo iminente.
A ideia-chave é simples: para muitos animais, o mundo é mais movimento do que cor. Aquilo que se mexe pode representar uma presa, um predador ou um intruso — e isso basta para desencadear uma reação agressiva.
Se os touros são dicromáticos, já os lagartos apresentam características visuais diferentes.
Quando olhamos para os lagartos e para certas lagartixas, encontramos quase o contrário. Muitos deles são tetracromáticos, vendo muito mais cores do que nós.
Mas também aí convém separar realidade de mito.
Apesar de, por vezes, parecer que certas tonalidades — como o azul — os “atormentam”, não significa que “marrem” à cor.
Espero que tenham ficado esclarecidos e que, de uma vez por todas, se desmistifiquem algumas afirmações populares que não correspondem à realidade científica.
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