Enquanto a China ganhou as guerras na Ucrânia e no Irão, sem entrar nelas, os EUA ganharam, e ganham, na primeira, de que saíram, e perderam na humilhante derrota que averbaram na segunda. Desta, aguardam agora a retirada épica.
Graves foram as barbaridades cometidas em aliança com Israel, os bombardeamentos, as mortes, a destruição de infraestruturas, a redução do Irão a escombros e, não menos dramático, a legitimação e consolidação da ditadura medieval dos Aiatolas.
Os efeitos secundários dos crimes cometidos e a réplica dos abalos que a derrota trouxe, estão ainda no princípio e já se sente o início do fim do império americano, a fragilidade de Israel, a deceção das monarquias do Golfo com a proteção das Bases americanas, o fim do mito da invencibilidade dos EUA e a decadência ética dos países democráticos.
A alegada superioridade da civilização judaico-cristã jaz nas areias de Gaza e nas zonas invadidas por Israel com o apoio dos EUA. A teocracia iraniana é agora a prometedora líder dos países islâmicos, liderança disputada pela grande vencedora Turquia, a sonhar com o califado e a disputar aos persas a liderança do mundo muçulmano.
A União Europeia, alheia à trágica aventura da invasão do Irão, aguarda o pagamento da fatura das portagens no estreito de Ormuz quando começar a pagar o capital e os juros dos empréstimos contraídos para financiar a defesa da Ucrânia contra a Rússia.
E como tudo o que pode correr mal, correrá pior, a Europa ficará à mercê de máfias que se hão de formar com militares desmobilizados das linhas da frente, de ambos os lados, bandos de inadaptados violentos já sob o efeito do álcool e drogas duras a que as máfias conjuntas de russos, ucranianos e moldavos os viciaram.
Desse problema ninguém fala, talvez por ser uma tragédia comum aos solados de ambos os lados da linha da frente, soldados que cometem sevícias sobre novos camaradas, que ainda chegam para substituir os que morrem, ficam feridos ou desertam.
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