Thomas Massie já era uma estrela do partido republicano quando Trump ainda comprava e votava em candidatos democratas.
Fervoroso opositor do intervencionismo militar, adepto do controle da despesa e de um governo limitado nos seus poderes, Massie foi e é o enfant terrible do Partido Republicano, mas não era um problema para Donald Trump.
Sobretudo se Trump tivesse cumprido o que prometeu.
Mas Trump não só não cumpriu, como, em muitos casos, fez o exacto aposto daquilo que prometeu em campanha.
O caldo começou a entornar-se quando Massie decidiu exigir toda a verdade sobre os ficheiros Epstein. E agravou-se com a oposição à Guerra do Irão e com a denuncia de um alegado “takeover” da administração Trump e do Tesouro Americano por parte do Estado de Israel, representado nos EUA pela poderosa e opaca AIPAC. Thomas Massie cumpriu a sua promessa eleitoral. Donald Trump, que fez campanha a prometer revelar os ficheiros, acabar com as forever wars e meter todas as fichas no America First, não.
E como Massie parece ainda conservar a totalidade da espinha dorsal, ao contrário dos membros da seita trumpista, cá e lá, não cedeu às pressões para deixar cair estas bandeiras. E foi atropelado pelo fundamentalismo MAGA e pelos milhões dos oligarcas sionistas, nas primárias do Kentucky. Foi a primária mais cara de sempre na história dos EUA. Entre 25 e 30 milhões de dólares.
Mas a grande lição aqui é outra. Num regime protofascista, como aquele que Trump está a construir, as eleições são de quem as pode comprar. Massie foi eleito para o Congresso 7 vezes. Venceu todas as primárias no seu círculo por margens a rondar os dois terços. Era um republicano popular e estimado pelo antigo partido republicano. Um político que nem o dinheiro das PACs conseguia comprar. O seu adversário não se deu ao trabalho de aparecer a um debate ou de falar sobre as propostas que não tinha. A sua proposta de valor era ser um fantoche de Trump. E derrotou Massie por larga margem com o seu arsenal de milhões.
Porque é que Trump decidiu usar tantos recursos para travar o autor da Epstein Files Transparency Act?
Porque um autocrata quer-se rodeado de lambe-botas obedientes. Só assim se explica que um palerma como Pete Hegseth chegue a liderança do Pentágono. E quem se mete com Trump, não leva: é obliterado. Além disso, Trump já deixou bem claro que quer abafar o caso Epstein. Porque está inocente, claro. Ele e os seus amigos.
Também interessante de notar é o silêncio absoluto de tantos que, ainda há pouco tempo, elogiavam com vigor as qualidades de Thomas Massie. Lá e cá. Massie foi alvo de uma campanha suja e acabou derrotado por um sabujo contratado por Trump. Nem um pio. Nem um artigo, nem um podcast, nem um vídeo do Tonecas da IL no Tiktok. Nada.
Rigorosamente nada.
21/06/2026 by
Do blogue Aventar
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