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domingo, 21 de junho de 2026

A erosão da democracia não é:

Infelizmente, uma invenção de extremistas de direita (ou de esquerda, esses sem megafones pagos e muito menos ouvidos porque não estão ao serviço dos novos plutocratas). Os extremistas de direita - que agora começam onde antes estava o centro - estão interessados no colapso das velhas democracias para imporem as suas agendas. Têm, para isso, o apoio dos financiadores dos novos totalitarismos tecnológicos com sede em Silicon Valley e sucursais várias. Washington, Moscovo e Beijing têm um objectivo comum: enfraquecer as democracias da UE e provocar o seu colapso político. Esse é um objectivo que une também as três maiores potências militares, económicas e políticas - e estão a sair-se bem.

O problema vem de longe. Lentamente, a economia passou a mandar na política. Ao modelo social sueco dos anos 70, à revolução de Abril ou à economia mais social do que de mercado, na Alemanha, sucederam os anos 80 das Reaganomics ao Thatcherismo e começaram a destruir por dentro as democracias populares e sociais. Com a TINA (There Is No Alternative) deixou oficialmente de haver alternativa ao turbo-capitalismo e à biblia neoliberal, 'trickle-down' é uma falácia para beneficiar as grandes fortunas, tal como a Terceira Via de Blair ou a Agenda 2010 de Schröder. Em Portugal a lei laboral entrou em erosão encomendada para favorecer as maiores fortunas na distribuição (horários de trabalho até às 23 horas, domingos e feriados, para vender iogurtes e sapatos em centros comerciais), parcerias público-privadas para beneficiar grupos financeiros, privatizações por dogma ideológico e para prejuízo das populações etc. etc. etc.
A erosão da democracia vem de dentro, das portas rotativas entre o mundo empresarial-financeiro e a politica. Não é o discurso dos críticos que é populista e redutor, é a cronologia da conquista neoliberal que, de forma simples, factual e linear, revela a erosão do sistema democrático por dentro. Essa evolução - a crescente desigualdade, a interferência de interesses e de oligarcas de várias nacionalidades, acumulação de riqueza numa ínfima minoria que assume o controlo - pode ser consultada em todo o lado onde ainda se investiga e publica de forma autónoma, sem a interferência de 'sponsors' e 'business schools' ou a intervenção de partidos avençados dos novos plutocratas.

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