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sexta-feira, 8 de maio de 2026

Quando se chama em massa as forças de segurança para a frente do Parlamento:

No contexto de um processo judicial em curso, isso levanta uma questão inevitável: estamos perante uma tentativa de intimidar a justiça? De condicionar o poder político através da pressão física?
Porque é exatamente isso que parece.
O que André Ventura está a fazer não é política, é perigoso.
Convocar “todos” os agentes das forças de segurança para se juntarem em massa à porta do Parlamento no dia 14 de maio não é uma manifestação normal. É uma tentativa clara de mostrar força, de criar pressão, de pôr músculo onde devia existir respeito pelas instituições.
E o mais grave: isto surge em defesa de 24 polícias acusados de crimes brutais.
Não estamos a falar de erros administrativos. Estamos a falar de tortura, agressões a pessoas algemadas, violações de detidos.
Pessoas completamente indefesas, sob custódia do Estado. Isto não são só abusos, são crimes hediondos. E há provas. Vídeos. Registos. Factos.
E mesmo assim, tenta-se transformar isto numa causa de “honra”.
Que honra é essa?
Isto não defende a polícia, mancha-a. É um insulto a todos os agentes que cumprem a lei, que arriscam a vida e que não precisam de cobrir criminosos para terem dignidade.
O que está a acontecer é mais grave do que parece.
E se começamos a aceitar isto, abrimos a porta a algo muito mais perigoso: um país onde a lei deixa de ser igual para todos, onde quem tem força tenta impor-se à justiça.
Isso não é democracia.
A verdadeira honra de uma farda não está em proteger colegas a qualquer custo. Está em não tolerar o crime, venha de onde vier. Está em garantir que quem abusa do poder responde por isso.
Silêncio perante crimes destes não é lealdade. É cumplicidade.
E incentivar pressão sobre as instituições não é coragem. É irresponsabilidade com consequências graves.
Isto não é só sobre 24 agentes. É sobre o tipo de país que queremos ser.
Ou há justiça ou há medo.
E quando o medo começa a mandar, a democracia começa a cair.

Texto de Angela Reis 

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