Já estreou nas lojas digitais, com pagamento via QR code, liquidação em moedas nacionais e integração com cartões já existentes. Começou pela Rússia, mas a expansão para outros mercados do bloco é questão de tempo. Isso não é mais promessa diplomática, é infraestrutura funcionando.
E aqui entra o ponto que muita gente no Ocidente prefere fingir que não está vendo: quando um bloco que representa quase metade da população do planeta cria seu próprio sistema de pagamentos, ele não está “testando”. Ele está construindo alternativa. O BRICS Pay nasce pequeno, como toda plataforma nasce, mas nasce com algo que o diferencia: escala potencial e alinhamento geopolítico.
Não se trata só de pagar café com QR code em outro país. Trata-se de reduzir dependência de sistemas controlados por potências tradicionais, de facilitar comércio em moedas locais e de criar uma rede paralela que conversa entre si. É estratégia econômica com impacto político.
O Sul Global entendeu que soberania também passa por tecnologia financeira. E quando um novo sistema começa a operar de fato, com aplicativo, usuário, transação real, já não é mais discurso de cúpula. É mudança estrutural. Pode demorar, pode enfrentar resistência, mas a onda começou. E quando infraestrutura vira hábito, não se desfaz com pressão externa.
Gostem ou não, o jogo financeiro internacional está deixando de ter um único centro. E isso, silenciosamente, muda tudo.

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