Creio que a arte, a literatura no caso, não concebeu um uso do poder político como aquele que Trump está a exibir no seu segundo mandato. Porque não estamos perante um exemplo de um líder fascista, ou de um grupo que esteja interessado em montar um Estado totalitário e policial no sentido orwellinano (pese algumas parecenças). Aquilo a que assistimos é uma outra coisa, original, ainda sem nome nem sólida conceptualização. Trump usa os instrumentos da constituição americana para instaurar um regime de sectarismo absoluto. Neste modelo, a justiça não só pode como deve perseguir adversários políticos ou meros obstáculo às suas decisões políticas. As informações e ligações relacionais que a função presidencial disponibiliza podem ser usadas para obter lucros privados. E um presidente dos EUA, enquanto presidente, pode promover o racismo. Fora o resto, que a violência do ICE representa e consubstancia com desumanidade e assassínios.
O Supremo Tribunal alinha nisto. Os empresários fazem fila aos seus pés. Os militares comem e calam. O povo americano divide-se entre os cúmplices e os atarantados. A realidade, mais uma vez, dá lições a ficção.
Fevereiro 2026 às 8:37 por Valupi
Do blogue Aspirina B
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