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terça-feira, 13 de janeiro de 2026

Paz, Guerra e Vitória:

Trump quer uma coisa: ficar na História pelos seus grandes feitos. "Os maiores feitos de sempre".

Mas as missões e acordos de paz de que se gaba falharam ou não existem, seja entre a Tailândia e o Camboja, a Índia e o Paquistão, seja entre "o Aberzaijão e a Albânia" (na caricata e reveladora gaffe pública quando tentou dizer "Azerbaijão e Arménia"), seja no genocídio contra Palestinianos que prossegue com o apoio dos EUA.
Trump falhou em tudo: não destruiu o programa nuclear iraniano, não conseguiu uma mudança de regime nem em Caracas nem em Teerão, não conseguiu avançar com as negociações na Ucrânia, não recebeu o prémio Nobel, nem sequer na versão 'usado e em segunda mão'. Conseguiu, sim, desmantelar o que restava da democracia nos EUA, raptar um chefe de Estado em fim do prazo de validade e matar uns milhares de civis, na Nigéria, no Iémen, no Irão, na Venezuela. Coisa pouca. Grandioso, só o enorme feito de destruir as ilusões na Europa neoliberal, conservadora e social-democrata do mito dos EUA como defensores de valores - que não os financeiros e materiais.
Agora Trump parece decidido a ficar na História como o presidente que mais fez crescer o território dos EUA: da Gronelândia ao México, passando, quiçá, por Cuba.
Os EUA estão a entrar numa fase de desagregação acelerada, de perda de influência e credibilidade na Europa e no resto do mundo, resta-lhe apostar na Guerra, dentro e fora dos EUA, sempre a acreditar na solução final: a vitória. Porque se um traço de personalidade marca Trump - além da misoginia, da arrogância e da ignorância - é o narcisismo, a crença na sua superioridade e na sua vitória.
A questão em aberto é só quem o vai travar. Os democratas liberais ou os novos democratas socialistas? Os bilionários de Silicon Valley ou os da Wallstreet? Os militares ou alguém na Casa Branca? Uma oportuna apoplexia? Acabará apunhalado nas costas pelos seus ou arrastado pelas ruas? Na trajectória de loucura dos últimos 12 meses, inverosímil é que Trump aguente mais três anos de alucinações.

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