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domingo, 9 de agosto de 2020

COMPREENDER O PLANETA:

Ninguém pode amar o que não entende. Ocupamos um determinado espaço na Terra, mas esquecemo-nos que vivemos em função doutras vidas. Seres pequenos, ou grandes, que olhamos como incómodos ou como inimigos. Ou então como produtores de alimentos. Encantamo-nos com flores de estufa e desprezamos a natureza que brota, em plenitude, e que chora e grita com o nosso desprezo. Cada gesto que temos, ou que não temos, a natureza guarda para si e um dia iremos perceber como processou aquilo que fomos para ela.

Hoje lembrei-me das abelhas. Vi umas no meu quintal e fiquei contente. Há muito tempo que não as via e recordei Einstein quando afirmava que, no dia em que desaparecessem as abelhas, a humanidade não teria mais que 20 anos de vida. E os impactos ambientais da modernidade têm sido fortemente penalizadores para as abelhas que, mais ou menos em todo o mundo, têm revelado um decréscimo preocupante.

De facto, nada as substitui no seu papel de polinizadoras pois, ao pousar de flor em flor, buscando alimento, elas usam os muitos pêlos que possuem no corpo para captarem o pólen que transportam para outras flores polinizando-as.

E por que é que nós precisamos da polinização para viver podem os incautos perguntar? Esquecem-se que comem legumes, frutas e vegetais, que bebem leite e se alimentam de carne, por exemplo. E que todos esses alimentos vêm directa ou indirectamente das plantas. Isto porque vacas, cabras, porcos, galinhas e outros, que nos fornecem leite, carne e ovos também se alimentam de plantas, ou de parte delas, cuja reprodução depende da polinização.

É evidente que o transporte do pólen dos órgãos masculinos para a parte feminina da flor também pode ser feito pelo vento, pelas águas e por outros animais. Mas nada substitui o papel das abelhas.
Podem perguntar-me por que escrevi este texto que mais parece uma lição para crianças e que diz o que todos sabem.

Escrevi porque, mesmo sabendo, nós esquecemos frequentemente o que aprendemos sobre a natureza e a vida e a nossa ligação à terra e às coisas simples. Tão embalados pelas tecnologias e pela comunicação bombástica vamos desprezando aquilo que nos forma. A natureza, o ambiente, as nossas raízes e, nesta voragem, deixamos de amar o que nos rodeia desprezando o que é natural e verdadeiro em busca da sofisticação cada vez mais absorvente. E só damos pela destruição quando a natureza se insurge e não sabemos como lhe responder. Então paramos e queremos ajuda e, só então, nos damos conta como estamos sós.

É que ao deixarmos de amar as coisas simples perdemos a noção do amor. E isso também se estende aos outros seres humanos.
Lídia Soares
Em Sociedade Justa

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