«O presidente da concelhia do PS de Torre de Moncorvo diz ter sido um
"acontecimento inédito". Assinou, pela primeira vez em largos anos de
actividade política, um documento conjunto com o CDS e o PSD. O texto, de
quatro parágrafos, difundido dias antes da visita do Presidente da República à
região, sublinhava ser "apanágio transmontano receber bem os
convidados". Aires Fernandes garante que "não foi uma questão
política" e que não quis calar ninguém – os responsáveis locais dos três partidos
juntaram-se para que o concelho pudesse "ser notícia pela positiva".
Seis de Março. Faltavam menos de 10 dias para que Cavaco Silva se
deslocasse a Torre de Moncorvo para visitar, entre outras singularidades, o
museu de Arte Sacra e a feira medieval. Perante o "avolumar de referências
perigosas" ao chefe de Estado na internet, o presidente da concelhia
socialista decide baixar a guarda e falar com António José Ramos e Carlos
Manuel Paçó (respectivamente, os presidentes das concelhias locais do PSD e do
CDS). No apontamento curto onde afirmam "compreender as razões de
descontentamento da população", os responsáveis lembram que Cavaco tinha
sido "convidado" a visitar a região. Ficava, assim, "à
consciência dos moncorvenses" a imagem que pretendiam fazer passar do
concelho.» [i]

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