A decisão acaba de me ser comunicada pelo Conselho de Administração da
Empresa à qual dei o melhor de mim próprio durante quinze anos. Travarei a partir de hoje uma luta sem quartel, nos tribunais e em
outros foruns, contra este saneamento anunciado e agora oficializado. A honra
dos homens não se atira impunemente aos cães.
Recebi, pois, a decisão do Dr.Alberto da Ponte sem surpresa. Era para mim claro que tal iria suceder desde que fui ilegalmente suspenso no passado dia 7 de Dezembro, acusado de delito de opinião, após a minha audição perante os deputados da Comissão de Ética na Assembleia da República.
Recebi, pois, a decisão do Dr.Alberto da Ponte sem surpresa. Era para mim claro que tal iria suceder desde que fui ilegalmente suspenso no passado dia 7 de Dezembro, acusado de delito de opinião, após a minha audição perante os deputados da Comissão de Ética na Assembleia da República.
De facto, o presidente do CA da RTP, na sequência do apelidado
"inquérito" interno instaurado a pretexto da manifestação de 14 de
Novembro, afirmou publicamente, à saída da ERC e na Assembleia da Republica,
que não seria accionado qualquer procedimento de natureza disciplinar contra
nenhum trabalhador da RTP.
Foi só num momento posterior ao depoimento que prestei no Parlamento
que tal acção foi desencadeada, exclusivamente por alegado delito de opinião,
algo que está banido da ordem jurídica portuguesa desde a entrada em vigor da
Constituição da República em 1976.
Por consequência, trata-se, como referi na altura, de uma decisão
meramente política, concertada minuciosamente pelo descredibilizado CA da RTP
com outras entidades, como se provará em sede própria.
Nas últimas semanas, pessoas responsáveis e credíveis, dentro e fora da
RTP, tentaram chamar o Dr. Alberto da Ponte à razão e ao mais elementar bom
senso.
Os jornalistas da RTP, através do Conselho de Redacção, exprimiram uma
posição clara contra o meu silenciamento; A Comissão de Trabalhadores apontou
de forma incisiva a inconsistência do chamado "processo", desde a
fase dita de "inquérito" até ao processo disciplinar com vista ao
despedimento,; A ERC, numa deliberação tomada por unanimidade, contrariou o
chamado "inquérito" interno exortando a empresa a definir regras em
vez de se concentrar obsessiva e caprichosamente no mero ataque ad hominem.
Individualmente, de forma pública ou privada, muitas personalidades da
vida portuguesa procuraram também evitar o assassinato de carácter pessoal e
profissional de que fui alvo.
Todavia, na vaidade do seu isolamento, a equipa do Dr. Alberto da Ponte
executou até ao fim o plano previamente traçado, fazendo-o, aliás, em simultâneo
com outras acções lesivas dos interesses da RTP e dos seus Trabalhadores para
as quais chamei a atenção no Parlamento e que estão hoje, infelizmente, à vista
de todos.
Não confundo a RTP com uma gestão temporária e esquecível. Uma empresa
com cinquenta e seis anos de história tem, por isso mesmo, condições para
sobreviver ao plano de desmantelamento material e moral em curso. É a fase mais
difícil que jamais vivemos mas conheço bem a força e a fibra dos profissionais
da RTP.
Dei o melhor de mim mesmo, durante quinze anos, no período entre 1985 e
2012, à Rádio e Televisão de Portugal.
Exerci com idêntico entusiasmo e sentido responsabilidade tarefas de
assistente de realização, atendendo telefonemas e transportando discos, como os
mais altos cargos nas Direcções de Informação e Programas. Fi-lo com resultados
e de forma consistente. Nem todos poderão dizer o mesmo.


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