
O desespero dele é cada vez maior: já vale tudo para aliciar eleitores. Ao jeito daquele antigo autarca de Gondomar que há largos anos prometia electrodomésticos a quem nele votasse. Trump é da mesma linha, mas em mais larga escala: oferece cinco mil dólares a cada eleitor se a 3 de Novembro o Congresso (Senado + Câmara dos Representantes) norte-americano se mantiver com maioria republicana. Cenário que parece longínquo: as sondagens credíveis apontam na direcção oposta.
Nunca a expressão “comprar votos” teve uma tradução tão literal. Trump actua como um general Tapioca transformando o país de Lincoln e Roosevelt numa republiqueta das bananas. Se o desespero continuar, ninguém estranhará que se lembre de distribuir charutos, caviar, relógios, broches e gargantilhas como recompensa por os americanos votarem nos paus-mandados dele. Um Rei Ubu habita neste momento a Casa Branca.
Trump, claro, promete o que não é dele. Pelas minhas contas, os cinco mil por cabeça, multiplicados por cerca de 270 mil eleitores, totalizariam 1,6 biliões de dólares financiados pelos contribuintes no país que já é o imperador mundial da dívida pública: duplicou numa década, superando hoje a barreira dos 40 biliões.
Entretanto continuamos todos a pagar bem cara a Guerra de Trump, iniciada a 28 de Fevereiro e que o truão de Mar-a-Lago prometeu despachar em poucos dias. Mais de seis meses volvidos, a “operação militar especial” prossegue, tendo alastrado do Golfo Pérsico ao Mar Vermelho. Com ganhos territoriais dos hútis, aliados do Irão. E o preço do petróleo a subir sem travão: hoje atingiu 108 dólares por barril.
As escassas mentes lúcidas que restam na Casa Branca – segundo noticiou o Wall Street Journal – admitem já que o Médio Oriente não fique pacificado antes do fim da administração Trump, em Janeiro de 2029. Cenário de pesadelo. Não apenas para os EUA, mas para o mundo.
Em vez de MAGA, saiu MATA (Make America Tiny Again). Contrariando toda a verborreia patrioteira do Partido Republicano, capturado há uma década pela falange trumpista, o sucessor de Joe Biden fez o país regredir à era Carter, em 1979, quando os norte-americanos foram humilhados… pelos iranianos.
Razão tinha o tipo das barbas grandes: a História repete-se. Como farsa.
Pedro Correia,
Do blogue Delito de Opinião
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