Depois, um certo dirigente lisboeta do PSD sondou-o para ser candidato autárquico, Passos Coelho aceitou e o resto já sabemos, discursos incendiários, o "passismo" radical, os cravos na lapela com os camaradas do PC de Loures, o aparecimento de financiadores muito ricos, uns situados no estrangeiro, outros de famílias dos tempos do salazarismo, que nele viram o instrumento certo para um "trumpismo" à portuguesa.
Se foi conseguindo somar votos, o que o André nunca conseguiu foi encontrar espaço para ser confiável.
Mas podia ter aprendido, feito o seu caminho, um pouco como a Giorgia Meloni ou a própria Marine Le Pen fizeram.
Mas não. O André Ventura lá foi colecionando episódios em que lá ressurgia o expediente antigo que já se lhe colara à pele.
A intriga fracota, a mentirinha ou o teatrito evitável, a hesitação constante sobre o que fazer, desdizendo à tarde o que prometera de manhã.
Ele era, assim, até 28 de Julho de 2026, um tipo desacreditado, daqueles com quem gente com maneiras evita o contacto, por mera medida de bom senso.
Mas lá surgiu 28 de Julho, com a acusação feita de assalto ao gabinete parlamentar.
Coisas pelo chão, demasiados sinais de incongruência, bem no coração do regime constitucional português, da casa que a todos representa.
Desde 28 de Julho, Ventura passou a estar sob outra suspeita, muitíssimo mais grave: de ter forjado, ou deixado que se forjasse, ou aproveitado uma teatralização, aldrabando todos com uma grosseria nunca vista e mobilizando recursos públicos, recursos policiais e judiciários que terão de ser desviados de outras investigações e acções de segurança.
Como alguns sabem, André Ventura nunca me pareceu ser pessoa particularmente sagaz, ou especialmente inteligente.
Desde 28 de Julho a coisa mudou de figura, e hoje subsiste a dúvida se André Ventura cometeu (ou foi cúmplice com) ou não um crime dos mais graves
Talvez o PGR, Amadeu Guerra, deva atribuir prioridade máxima a esta investigação. E o PR devia falar publicamente no mesmo sentido. Já!"
Vitor Machado

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