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sexta-feira, 4 de setembro de 2026

SOB SUSPEITA GRAVE:

"Antes de 2017 pouca gente conhecia André Ventura, fora do futebolês, onde parece que já era familiar (não pelas melhores razões, ao que consta).
Depois, um certo dirigente lisboeta do PSD sondou-o para ser candidato autárquico, Passos Coelho aceitou e o resto já sabemos, discursos incendiários, o "passismo" radical, os cravos na lapela com os camaradas do PC de Loures, o aparecimento de financiadores muito ricos, uns situados no estrangeiro, outros de famílias dos tempos do salazarismo, que nele viram o instrumento certo para um "trumpismo" à portuguesa.
Se foi conseguindo somar votos, o que o André nunca conseguiu foi encontrar espaço para ser confiável.
Mas podia ter aprendido, feito o seu caminho, um pouco como a Giorgia Meloni ou a própria Marine Le Pen fizeram.
Mas não. O André Ventura lá foi colecionando episódios em que lá ressurgia o expediente antigo que já se lhe colara à pele.
A intriga fracota, a mentirinha ou o teatrito evitável, a hesitação constante sobre o que fazer, desdizendo à tarde o que prometera de manhã.
Ele era, assim, até 28 de Julho de 2026, um tipo desacreditado, daqueles com quem gente com maneiras evita o contacto, por mera medida de bom senso.
Mas lá surgiu 28 de Julho, com a acusação feita de assalto ao gabinete parlamentar.
Coisas pelo chão, demasiados sinais de incongruência, bem no coração do regime constitucional português, da casa que a todos representa.
Desde 28 de Julho, Ventura passou a estar sob outra suspeita, muitíssimo mais grave: de ter forjado, ou deixado que se forjasse, ou aproveitado uma teatralização, aldrabando todos com uma grosseria nunca vista e mobilizando recursos públicos, recursos policiais e judiciários que terão de ser desviados de outras investigações e acções de segurança.
Como alguns sabem, André Ventura nunca me pareceu ser pessoa particularmente sagaz, ou especialmente inteligente.
Desde 28 de Julho a coisa mudou de figura, e hoje subsiste a dúvida se André Ventura cometeu (ou foi cúmplice com) ou não um crime dos mais graves
Talvez o PGR, Amadeu Guerra, deva atribuir prioridade máxima a esta investigação. E o PR devia falar publicamente no mesmo sentido. Já!"

Vitor Machado  

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