«Quis-se por opção tosca há mais de 10 anos (!) que fosse o regime a ser colocado em cheque num mega-processo. Paga-se hoje esse preço a vários níveis mas a fatura é de ontem.
Quantas vezes é que se ouviu, leu e se insinuou que aqueles que trabalharam com Sócrates e fizeram parte dos seus governos estavam envolvidos nas mesmas teias, corrupção e que patrocinaram alguns dos seus esquemas? Que o PS era uma espécie de partido de gangsters?
É verdade que esta tese se acentua com a chegada da extrema-direita à política nacional nos últimos 6 anos mas nasce bem antes. Ora, tirando aqueles banqueiros, gestores que todos sabemos e pessoas como o Manuel Pinho que não se pode dizer que eram do PS, o que é que uma investigação exaustiva que existe há tantos e tantos anos a Sócrates nos diz? Aquilo que muitos não queriam que saltasse à vista e poucos anunciam como um dos factos políticos mais relevantes da infindável e interminável ‘Operação Marquês.’ Sócrates quando lesou, agiu sempre sozinho politicamente e com o desconhecimento do seu partido ou de quem esteve no governo consigo.
Tanta prova recolhida e nem uma escuta que pudesse, pelo menos, incriminar alguém dos seus governos nos jornais, pensavam tantos. Nada.
As sentenças abusivas aqui e ali, da rua e até de certos comentadores nas televisões tinham pouca ou nenhuma sustentação com a realidade. Que atire a primeira pedra quem nunca trabalhou numa empresa para um diretor ou uma diretora-geral sob a qual veio a perceber que talvez aquela pessoa não fosse tão séria quanto julgava ou até quanto se exigiria. Nos mínimos. Pois…»
O ‘trauma’ Sócrates é a causa da operação Influencer
O autor é homónimo e neto do saudoso Gonçalo Ribeiro Telles. O artigo é de Novembro de 2025, e foi escrito em cima da revelação pública de existirem escutas a Costa, feitas quando era primeiro-ministro, que tinham sido omitidas ao Supremo Tribunal de Justiça e ao Tribunal Central de Instrução Criminal. Como se pode ler acima, o episódio suscitou-lhe uma raríssima reflexão entre os profissionais do comentariado. Ele faz autocrítica implícita, descreve em subtexto o seu próprio processo de alinhamento com as campanhas negras e a indústria da calúnia. Mas agora ergue a voz para dizer que foi enganado, que todos foram enganados. O PS está limpo, é a conclusão inevitável da própria Operação Marquês após tantos anos de espionagem e devassa, lavrou este Telles.
Merece aplauso? Não, pá. Porque continua a alinhar com a indústria da calúnia. No começo do artigo, repete a liturgia de se declarar convicto que Sócrates cometeu crimes de corrupção. Não diz quais foram, nem como, nem quais são as provas. Não precisa, só precisa de caluniar para mostrar que é um comentador de bem. O mesmo acontece no trecho citado, em que avança para a genial tese de um Sócrates com poderes mágicos, fabulosos, capaz de estar sempre cercado de gente do Governo e do partido e, nas suas barbas e costas, produzir crimes de corrupção gigantescos, como nunca se viu na terrinha.
De facto, há um trauma na sociedade relacionado com Sócrates. Só que ele nada tem a ver com crimes de corrupção – tem é tudo a ver com a cobardia dos que não defendem a cidade.
18 Agosto 2026 às 8:52 por Valupi
Do blogue Aspirina B
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