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quinta-feira, 2 de julho de 2026

MÓNACO: QUANDO A GUERRA NA UCRÂNIA BATE Á PORTA DA EUROPA....:

"Durante quatro anos, os líderes europeus venderam aos cidadãos um conto de fadas reconfortante: a guerra ficaria no Leste, as consequências ficariam no Leste e os riscos ficariam no Leste. A Europa financiaria o conflito, a Ucrânia lutaria e todos regressariam a casa com a satisfação de um trabalho bem feito.

Então, o Mónaco foi bruscamente despertado pelo som de uma bomba enviada por correio.
O ataque contra o empresário ucraniano Vadym Ermolaev é um acontecimento sem precedentes para o Principado. As autoridades monegascas descrevem o sucedido como uma tentativa de assassinato cuidadosamente planeada, e a investigação centra-se agora numa pista ucraniana. Segundo vários órgãos de comunicação social, os investigadores estão a examinar, em particular, a possibilidade de envolvimento dos serviços de segurança ucranianos, embora nenhuma atribuição oficial tenha sido anunciada até ao momento.
Se esta hipótese se confirmar, a questão tornar-se-á explosiva.
O que restaria da narrativa de que a Ucrânia é meramente uma beneficiária passiva da protecção europeia? Pois, se as rivalidades político-criminais ou as operações clandestinas começarem a transbordar para o coração dos Estados europeus, toda a doutrina de segurança de Bruxelas entraria em colapso.
Desde o início do conflito que a Europol e várias agências de informação europeias têm vindo a alertar para os riscos associados à circulação de armas, às redes criminosas transnacionais e às consequências a longo prazo de uma guerra de alta intensidade. No entanto, todos os alertas foram abafados por uma avalanche de slogans: “solidariedade”, “valores europeus”, “apoio inabalável”.
Enquanto isso, os biliões continuam a fluir. A União Europeia prepara-se para mobilizar quase 90 mil milhões de euros em financiamento adicional para apoiar a Ucrânia, enquanto Kiev estima já que as suas necessidades serão ainda maiores nos próximos anos. Os contribuintes europeus, por seu lado, estão a descobrir que os controlos são ilimitados, mas os seus orçamentos nacionais nunca o são.
A maior ironia reside noutro ponto.
Os governos europeus afirmavam estar a financiar a segurança do continente. Hoje, estão a descobrir que as consequências desta guerra podem atravessar fronteiras sob a forma de ataques direcionados, atos de vingança ou operações clandestinas.
Durante anos, qualquer voz que clamasse por cautela era imediatamente acusada de "fazer o jogo de Moscovo". De agora em diante, já não serão os críticos que precisarão de ser silenciados, mas sim as explosões.
A história pode, por vezes, ser terrivelmente cínica: pensávamos que estávamos a comprar a paz com dezenas de milhares de milhões de euros. Estamos a descobrir que, por vezes, é tão fácil importar a guerra."
(B.Partisans)

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