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sábado, 25 de julho de 2026

(Miguel Carvalho, in TSF.pt, 20/07/2026)

Public Education Minister speaking at a podium to applauding students and staff in a school lobby
Afinal o Ministro do ensino público, Fernando Alexandre, tem claras ligações ao ensino privado. Imagem gerada por IA.

A polémica dos exames escolares não decorre apenas do caótico processo de transição digital que destapou uma empresa a tresandar de ligações ao PSD.

Nos bastidores do caos do outsourcing tecnológico o que está em causa é a fragilização do ensino público em benefício dos negócios privados e das lógicas empresariais.

Por este andar, as administrações escolares arriscam-se a ser meras gestoras de novas fornadas de recursos humanos destinadas a servir o apetite de clientes externos.

Fernando Alexandre, ministro da Educação, sabe bem do que falo. Ainda há poucos anos era dirigente e membro do conselho consultivo do Instituto Mais Liberdade, um dos braços estratégicos da poderosa Rede Atlas em Portugal. E o que pretende a Atlas? Simples: estigmatizar a escola pública com a falsa retórica dos custos fiscais, falar das vantagens da liberdade individual contra a alegada doutrinação ideológica do Estado e promover capital humano com mentalidade capitalista para as exigências do mundo laboral.

Como se sabe, esta narrativa é muito praticada no ginásio televisivo por políticos, académicos e comentadores. Alguns deles, nascidos de geração espontânea, adoram encher boca de liberdade, sobretudo quando ela serve o garimpo sem escrúpulos dos recursos públicos. As carreiras docentes podem esperar, as melhorias nos serviços internos do Ministério da Educação também. E lá vamos cantando e rindo.

Este movimento ultraliberal na Educação acabará por corroer ainda mais uma democracia já de si vulnerável e frágil. O individualismo consumista e competitivo, praticado por professores e alunos, está na moda, enquanto educar para os direitos humanos, a justiça social, a igualdade e a inclusão ainda parece ser uma fragilidade.

Sucesso e egoísmo estão a fazer o seu caminho.

Com o tempo, ganhou a intolerância em relação aos que fracassam e o menor compromisso com o bem comum. Satisfeitos com a suposta autossuficiência, não teremos respostas para os pobres nem para os imigrantes, até porque constituem uma ameaça percecionada. Tudo isso poderia e deveria ser o combate deste tempo em casa e na escola. Mas é aí que, para já, estamos a perdê-lo.

Pode ouvir o artigo, lido pelo autor, aqui

Do blogue Estátua de Sal 

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