Estão ser uma mensagem impressionante do Irão ao mundo. Até catorze milhões de pessoas terão saído às ruas de Teerão para participar de alguma forma nas cerimónias.
Se há alguns meses existia uma oposição pouco orgânica, mas minimamente coordenada e visível ao regime, Israel e a América trataram de a liquidar e de fortalecer radicalmente a união nacional à volta dos Ayatollah e da Guarda Revolucionária.
Os persas estavam crescentemente cansados do regime, oscilando entre a oposição activa, o desejo de uma mudança tranquila e a apatia descrente. Ainda assim, tal cansaço nunca significou a possibilidade de alienação de soberania ou independência política às mãos dos inimigos históricos do Irão. Para a esmagadora maioria dos persas, o respeito pela identidade nacional, o trauma dos períodos históricos de corrupção e dependência e o estatuto singular de grande nação antiga e soberana com um papel no mundo, sobrepõe-se a qualquer contrariedade conjuntural.
Com sugestões do regresso do fantoche corrupto Reza Pahlavi filho, micro manifes em cidades estrangeiras onde quatro ou cinco agitavam bandeiras do Irão, dos Estados Unidos e de Israel, encenações de iranianos a agradecer os ataques a Netanyahu e a mortandade de inocentes no terreno, estavam lançados os ingredientes para a grande união de resistência dos persas. A Mossad pode saber onde mora cada um dos líderes da Guarda Revolucionária, a que horas janta o Ayatollah e onde, mas não percebe rigorosamente nada sobre a mentalidade persa; a convicção intríseca da supremacia judaica impede a análise lúcida dos persas enquanto grande povo, com História e com desígnio.
A humilhação americana nesta guerra passa exactamente por aqui, pelo absoluto erro de leitura dos persas, pela crença em soluções que não só não se adaptam àquela sociedade, como convocam a sua união na rejeição das ditas.
Para compreender melhor o que se está a passar, é de leitura fundamental o livro Irão - A Grande Estratégia, Uma história política de Vali Nasr; está lá a chave para compreensão de quase tudo o que se está a passar.

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