A verdade é que o Japão já cambaleava, e muitos generais sabiam que a rendição era uma questão de tempo. No entanto, o mundo estava a mudar de eixo. A bomba, então, serviu também como aviso - um trovão nuclear destinado a ecoar em Moscovo.
Hiroshima e Nagasaki tornaram‑se, assim, mais do que cidades: tornaram‑se símbolos. Símbolos de uma guerra que queria terminar, de um império que não queria cair, de uma superpotência que queria anunciar‑se ao mundo. E símbolos, sobretudo, da fragilidade humana perante a tecnologia que cria.
No fim, o Japão rendeu‑se. A guerra acabou. Mas o mundo entrou noutra: a Guerra Fria, que começou, ironicamente, no calor branco de duas explosões.
Porque é que eu me lembrei deste evento? Porque as últimas noticias podem não ser animadoras para a Ucrânia, que decidiu atacar Moscovo várias vezes, sendo que a última foi ontem e causou alguns danos na capital russa. Ora, Putin tem sido "suave" ao longo de quatro anos tentando evitar o que - agora - me parece inevitável.
E, tal como o Japão, a Ucrânia está nos limites da sua resistência no terreno mas está a receber misseis e drones das nações que - desde 2014 - tenta envolver a Rússia numa guerra e o fazem através da Ucrânia. Está previsto que a Ucrânia venha a receber mais F-16, mais milhares de drones e mais milhares de milhões - tudo de países europeus.
A guerra da Ucrânia prolonga-se e, como fizeram os EUA - os russos não querem que ela se prolongue demais e desgaste as suas forças militares e civis. Há quem defenda que só há uma forma de fazer render a Ucrânia. Pessoalmente temo que seja da pior maneira. Mas quem poderá criticar que assim aconteça se a Federação Russa se base sozinha contra a Ucrânia e mais trinta nações que se "escondem" atrás da primeira? Quererá Putin sacrificar os seus militares e a sua nação durante muito mais tempo? Os propósitos da "operação especial" não era garantir as suas fronteiras e acabar com o nazismo na Ucrânia?
Temo que seja necessário ir "para lá" da guerra convencional para garantir esse resultado, neste momento. E nem quero sequer pensar que a solução da Rússia seja a mesma que - em 1945 - os Estados Unidos utilizaram. Mas, em boa verdade, já nem me admirava.

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