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segunda-feira, 29 de junho de 2026

Os EUA assinaram a rendição do Estreito de Ormuz. O Irão cobrou-a com um drone:

O carregueiro Ever Lovely não pediu autorização ao Irão para atravessar o Estreito de Ormuz. Como os iranianos não brincam em serviço, os Guardas da Revolução atacaram-no com um drone. Os EUA responderam com ataques ao Irão. O Bahrein foi atingido. A escalada retomou. Trump chamou ao ataque uma "violação estúpida" do memorando.

Isto confirma a análise que publiquei aqui há algumas semanas: a passagem por onde circula 20% do petróleo mundial deixou de ser um direito americano e passou a ser um serviço gerido por Teerão. Não era uma previsão. Era uma análise. O Ever Lovely provou-a.
Mas o artigo 5 do Memorando de Entendimento não proíbe o Irão de controlar o Estreito. Obriga-o a garantir a retomada do tráfego marítimo. O Irão cumpriu, o tráfego foi retomado, mas sob autorização iraniana.
Os EUA não foram enganados. Foram derrotados. A linguagem jurídica ambígua do artigo 5 não foi um erro de negociação, foi o preço da capitulação. Subestimaram quem não devia ser subestimado, isto é, os herdeiros de uma civilização com três mil anos de história, que conhecem melhor o direito internacional do que quem lhes queria ditar as condições.
Ao contrário dos EUA, o Irão não está a violar o acordo. Está a implementar a sua leitura dele. E a sua leitura é simples: quem passa pelo Estreito pede autorização a Teerão. Quem não pede, paga o preço. O Ever Lovely não pediu. E pagou.
Os EUA assinaram a rendição do Estreito de Ormuz e fingiram não perceber. O Ever Lovely veio lembrar-lhes que o papel onde está escrito o acordo não muda quem manda no mar.
Se os norte-americanos continuarem a não respeitar pontos fundamentais do acordo, como é o caso do Líbano e do Estrito de Ormuz, dificilmente este memorando chegará aos 60 dias.
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