Muito bem. É um princípio interessante.
O problema é que esse princípio parece desaparecer misteriosamente quando os beneficiários mudam.
Quando grandes empresas recebem subsídios públicos, quando grupos económicos acumulam milhões em apoios estatais, quando antigos titulares de cargos políticos recebem subvenções vitalícias ou quando certas organizações vivem quase exclusivamente de financiamento público, já ninguém fala em trabalho comunitário.
Aí deixa de haver indignação. Deixa de haver exigências. Deixa de haver sermões sobre mérito, esforço ou retribuição.
Pelos vistos, a obrigação moral de compensar a comunidade aplica-se sobretudo a quem recebe menos.
É uma visão peculiar da justiça.
Quem recebe 400 euros deve provar constantemente que merece ajuda. Quem recebe milhões limita-se a receber milhões.
Quem está no fundo é tratado como suspeito. Quem está no topo é tratado como merecedor por definição.
Se o argumento é que quem beneficia dos recursos públicos tem o dever de devolver algo à sociedade, então a lógica deveria começar precisamente por aqueles que mais recebem.
Caso contrário, não estamos a falar de responsabilidade.
Estamos apenas a falar de dois pesos e duas medidas.
Mais de 2.000 pessoas já assinaram esta petição.
Talvez porque começam a estar cansadas de viver num país onde a fiscalização sobe e a exigência aumenta na exacta proporção em que diminuem os rendimentos de quem a sofre.
Assina aqui a petição:
Partilha. Divulga. Porque a coerência não devia depender do saldo bancário de quem recebe o dinheiro.

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