Rádio Freamunde

https://radiofreamunde.pt/

sexta-feira, 5 de junho de 2026

ENTREVISTA A PUTIN - 5ª. PARTE:

 Conversações para a paz são possiveis.

(Transcrição do vídeo)
Pergunta de um jornalista - Vai continuar a presidir à Federação Russa e quais os desenvolvimentos para a paz?
Resposta de Putin - Só Deus sabe se nós, eu, você e todos os que aqui nos reunimos, teremos saúde suficiente para viver até amanhã, depois de amanhã, ou mesmo tempo bastante para concluir as tarefas que ainda temos pela frente e alcançar os objetivos que estabelecemos para nós próprios.
Quanto às minhas decisões futuras, é verdade que a Constituição permite que eu continue em funções até 2030. No entanto, penso que é demasiado cedo para falar disso. Sinceramente, é muito cedo. Para ser completamente honesto, nem sequer estou a pensar nisso neste momento. O país enfrenta problemas demasiado grandes, importantes e urgentes para que eu esteja preocupado com essa questão. O que me preocupa é o futuro da Rússia.
Relativamente às propostas apresentadas pelo Presidente Trump, já me pronunciei sobre esse assunto. Essas propostas podem muito bem servir de base para um acordo de paz. Respondendo à sua pergunta sobre se a administração norte-americana atuou ou não na direção correta, diria que sim. Trata-se de propostas que exigem compromissos de ambas as partes, incluindo da Rússia. De um modo geral, estamos dispostos a aceitar esses compromissos. O que é necessário é convencer também o lado ucraniano. Acredito que estas propostas podem constituir uma base realista para um acordo entre a Rússia e a Ucrânia e contribuir para pôr fim a este conflito.
Todos aqueles que refletem sobre esta questão deveriam perguntar-se: porquê? Porque chegámos a este ponto? Na minha perspetiva, a origem do conflito encontra-se no golpe de Estado ocorrido na Ucrânia e na repressão de tudo o que era russo naquele país. E o que tem a Europa a ver com isto? Que sentido faria para a Rússia atacar a Europa ou entrar em guerra com a NATO?
Digo que isso não faz qualquer sentido. Mais do que um disparate, trata-se de uma provocação deliberada destinada a criar uma ameaça que não existe na realidade, com o objetivo de convencer as populações europeias a gastar mais dinheiro em defesa. Todos viram o que aconteceu, mas quase ninguém falou disso: a reabilitação e homenagem a indivíduos ligados ao nacionalismo radical e ao colaboracionismo nazi que participaram no extermínio de judeus, polacos e russos durante a Segunda Guerra Mundial.
Penso que cerca de um milhão de judeus foram mortos em território ucraniano. E hoje assistimos a situações em que algumas dessas figuras são homenageadas com honras militares e apresentadas como heróis nacionais. A Polónia reagiu timidamente. Israel reagiu ainda com mais reserva. Infelizmente, muitos preferem não ver nem falar sobre o assunto. E quem permite isso? O atual Presidente em Kiev, que é de origem judaica. O seu próprio avô combateu o nazismo durante a Segunda Guerra Mundial.
Penso que a legislação ucraniana afirma, ou afirmará, que a propaganda nazi é proibida. Mas não basta escrever isso na lei. É necessário impedir efetivamente a reabilitação dessas ideologias.
Compreendem o que está em causa? A ameaça do renascimento do nazismo. Esta é uma ameaça para todos. Não é apenas a proliferação de armamento ucraniano por diversas regiões do mundo, algo que já é um facto. Não é apenas a corrupção, que continua a prosperar. A corrupção aprofundou-se e enraizou-se. Mas, paralelamente, assistimos também à reabilitação de ideias e símbolos associados ao nazismo. O que faremos perante isso?
São factos que ocorreram recentemente. Há apenas alguns dias voltou a verificar-se um episódio desse género. Pessoas cujas mãos estiveram envolvidas no extermínio de judeus, polacos, russos e ciganos foram homenageadas com cerimónias oficiais, honras militares e salvas de homenagem. E o silêncio continua.
Compreendo que alguns países estejam dispostos a utilizar qualquer instrumento para combater a Rússia. Mas esta questão representa uma ameaça que ultrapassa largamente esse objetivo.
Esses países deveriam refletir seriamente sobre as consequências.
Quanto às alegações de que a Rússia pretende atacar a Europa, considero que isso é absurdo. Mais do que absurdo, trata-se de uma operação de propaganda destinada a assustar as populações e justificar despesas militares cada vez maiores, desviando recursos das economias nacionais para o setor da defesa.
Para iniciar negociações não é necessário que os combates cessem imediatamente. Já tivemos negociações no passado e as hostilidades continuaram. As forças russas continuam a avançar diariamente. Quem acompanha os relatórios militares sabe que novas localidades passam regularmente para o controlo das Forças Armadas russas.
Recentemente, repito, cerca de 1.200 quilómetros quadrados passaram para controlo russo. Naturalmente, nestas circunstâncias, a parte ucraniana gostaria que esse avanço fosse interrompido. Na região de Zaporozhye, por exemplo, verificam-se progressos diários de centenas de metros e, em alguns setores, de vários quilómetros. É compreensível que Kiev pretenda travar esses avanços. Mas o mais importante não é parar um avanço específico. O mais importante é pôr fim à guerra no seu conjunto, através dos compromissos e entendimentos que têm vindo a ser discutidos.
*******

Sem comentários:

Enviar um comentário