O
procurador António Beirão, em tribunal, criou um momento histórico. Com isto: “Ninguém tem dúvida de que José Sócrates foi objecto de uma
campanha que constituiu um assassinato de carácter.” Estamos em 2026.
Quem antes, na turbamulta dos linchadores, tinha reconhecido tal? Ninguém de
ninguém. É uma declaração chocante porque humaniza a vítima. E isso fica como
uma chatice do caralho pois a violência política que deu origem e continuidade
à Operação Marquês pede que se desumanize constante e totalmente o alvo. Para
que seja violentado de forma maximalista. A declaração surpreende também pela
honestidade colectiva que assume, o “ninguém tem dúvida”. De facto, como ter
dúvida? Seria igual a duvidar da capacidade do Sol para iluminar e aquecer a
Terra.
Aqui neste pardieiro, pelo menos desde 2009 (se calhar antes),
deu-se e dá-se muito gasto ao conceito. Não há dúvida que subsome mais de vinte
anos da práxis da direita decadente.
17
Maio 2026 às 8:57 por Valupi
Do blogue Aspirina B
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