A razão que me
levou a participar deste movimento foi pensar que não poderia ser feliz com um
país que tinha esta prática racista tão clara, tão agressiva e tão cotidiana. E
eu acho que sem eu nunca perceber, eu passei a pertencer a uma minoria em um
país onde 99% dos moçambicanos são negros. Todos os meus dirigentes são negros.
Meus amigos, meus colegas de trabalho a maioria são negros.
Eu sou uma pequena
gota e não dou conta disso, eu não dou conta porque não tenho raça. Isso
acontece porque quem lidera o país representa isso. Eu vejo que quando visito a
Europa as pessoas me olham como se fosse que eu tivesse alguma coisa que eu
pudesse dizer em solidariedade uma perda qualquer que tive. Não, eu só ganhei.
Só tenho a celebrar a vida em que eu lutei e onde chegamos em Moçambique."
Mia Couto

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