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quarta-feira, 22 de abril de 2026

"Lula da Silva esteve em Belém com Ventura a gritar: "Lula, ladrão, o teu lugar é na prisão":

Confesso que tento manter a distância de segurança deste gajo por todas as vias, o distanciamento analítico e a compostura perante novidades sobre ele, mas há momentos em que a vergonha alheia atinge níveis tais que as minhas únicas vontades é vir aqui desabafar ou pedir asilo político ao Lula numa tribo isolada na Amazônia.
O André Ventura e a sua claque decidiram que a diplomacia portuguesa — aquela coisa aborrecida com séculos de história, protocolos e parcerias — devia ser substituída por ataques de fúria gástrica e megafones empunhados à porta de Belém. É o novo Portugal dos "portugueses de bem": deixámos de ser um Estado soberano para sermos um grupo de WhatsApp em chamas, moderado por alguém com a delicadeza diplomática de Pedro Pinto, que gere a sua bancada Parlamentar como nenhum outro. Isto, após umas minis e uma boa churrascada, pois claro.
Agora um pouquinho mais a sério: é fascinante observar este espetáculo. Agitam cartazes e slogans vazios com uma pureza moral que, na verdade, nem existe. Se a nossa política externa seguisse o filtro das simpatias do "Andrezito", o país ficaria reduzido a uma conferência por Skype só com "gente boa" Abascal, Salvini, Orbán, Le Pen e mais dois ou três, enquanto o resto do planeta era remetido ao silêncio e ao desprezo.
Alguém precisa de lhes explicar que receber o representante de 200 milhões de pessoas não é propriamente um convite para um brunch com elementos do Grupo 1143, nem uma medalha de honra ao mérito ideológico num daqueles encontros de extrema-direita. É, apenas, o exercício de ser um país adulto que entende que o mundo não termina nas fronteiras de Vilar Formoso ou de Elvas.
Meus amigos, isto dá-me um nó no estômago ver Portugal transformado neste palco de posturas taberneiras. Enquanto o Luís 'O Trabalhador', em representação do Estado, tenta manter o decoro, gerindo equilíbrios económicos e alianças históricas, temos um grupo de energúmenos que acredita piamente que o patriotismo consiste em comportar-se como o vizinho bêbado e barulhento que entra a matar em qualquer conversa só para ser o centro das atenções. "Estamos f#didos e mal pagos!" Peço desculpa, mas andava mortinho para utilizar esta frase num escrito meu. E já passa da meia-noite, menos mal.
Foi mais um espetáculo ridículo dos de sempre. O que nos vale é que Portugal é AINDA demasiado grande para se deixar apequenar por este circo em que os palhaços se fingem de vítimas do sistema enquanto o utilizam para vender a banha da cobra. AINDA...
Caro Presidente Lula,
Em nome da maioria dos portugueses, daqueles que usam talheres para comer e cada um no seu prato, peço-lhe as mais sinceras desculpas. Por favor, não nos leve a mal: nós ainda estamos a tentar perceber como é que o nosso debate público foi parar a este nível de "reality show" e como esta merd@ foi parar à casa da democracia.
Um abraço.
E para vocês, boa noite.
😘🤝

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