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quinta-feira, 16 de abril de 2026

Estes americanos MAGA querem mesmo discutir teologia a propósito do conflito com o Irão?

A actual guerra desencadeada por Trump e Israel anda comicamente ou não a roçar o conceito de guerra religiosa. Cristãos contra muçulmanos, muçulmanos contra judeus, judeus e cristãos contra muçulmanos, e persas (zoroastristas e outros) à espreita da oportunidade para correrem com os muçulmanos, enquanto os “arreligiosos” e “iluminados” europeus assistem incrédulos e os herdeiros russos dos mongóis preparam o próximo saque. Há muitos séculos que não ouvíamos falar de guerras nestes termos. Para os europeus, é uma surpresa, um “déjà vu” que ninguém deseja, um anacronismo.  Mas os muçulmanos foram os primeiros a lembrar-nos que o tema não está morto, pois, com eficaz manipulação desde a infância, ainda há, entre eles, quem mate em nome de um deus e de uma religião e isso em terras europeias. Outros em nome de uma promessa de terra feita por um outro deus. Algo vai muito mal na cabeça de metade da humanidade, vítima de chalupas fanáticos e manipuladores.

Embora todos suspeitemos que Trump não tem religião nenhuma a não ser a do culto da (sua) personalidade e do dólar, resolveu dessacralizar o Papa e auto eleger-se o seu melhor substituto (se não do próprio Cristo), alegadamente dada a falta de músculo e de mísseis do Vaticano. Tudo porque o patriarca ortodoxo russo abençoa e apoia Putin e o Papa abstem-se de fazer tal coisa em relação a Trump. J. D. Vance, por seu lado, aconselha o Papa a ter cuidado quando se pronuncia sobre questões teológicas e diz que o catolicismo passou a ser tudo para ele (claro, também não gosta do Papa). Escreveu até um livro sobre a sua conversão. Portanto, uns metem-se em navios de guerra e vão até ao golfo pérsico atirar bíblias e Torahs aos ayatollahs e de lá recebem a mensagem de que serão mártires com muito orgulho, mal podendo esperar pelas 70 virgens do além, enquanto também vão matando uns tantos. Estão bem uns para os outros? Completamente. Por mim, podem-se eliminar mutuamente para finalmente respirarmos, encontrarmos meios de dispensar o petróleo e observarmos as galáxias.

Antes disso, porém, talvez esta discussão sobre quem percebe mais de teologia, e a discussão da teologia em si, traga à baila e defina de uma vez o lugar dos deuses. Se Vance acha que deus está do lado dele quando deporta estrangeiros, porque está a defender o seu povo contra os bandidos, e os papas Francisco e Leão entendem que deus quer que vivamos todos em harmonia e que acudamos aos mais necessitados, não seria melhor perguntar ao tal deus o que acha? E perguntar ao deus Allah o que acha do financiamento do Hezbollah pelo Irão e da morte de milhares de jovens manifestantes (embora tenhamos a certeza de que o Allah do ayatollahs concorda inteiramente), também não seria interessante? Que regressem os oráculos! Eh pá, a sério.

Mas então, se chegarmos à conclusão de que não há qualquer resposta de nenhum dos lados do firmamento, apenas interpretações humanas de teorias de humanos atribuídas a deuses há séculos e milénios, talvez as conversas se possam fazer noutros termos menos emocionais e estupidificantes e se deixem as instituições que aliviam as dores e as angústias existenciais de muita gente exactamente onde estão e em paz. As igrejas tratam do etéreo e abstracto, não do terreno. Nem sempre foi assim infelizmente e, com os seguidores de Maomé parece ainda não ser assim. Mas adiante. O catolicismo é deste lado.

É que, se o Vance quer aprofundar o tema teológico, ainda acaba agnóstico ou mesmo ateu e isso não é bom para as suas ambições políticas, que passam por conquistar a América profunda e burra, que sempre soubemos existir, mas que não víamos.

 por Penélope

Do Blogue Aspirina B

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