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quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026

O 17 de Fevereiro de 1973 era um dia quente, para cima de 30 graus, no Norte de Angola, zona dos Dembos, hoje, Bengo.
Decorria normalmente, ao contrário, o mês de Fevereiro de 2026 não tem sido simpático com os portugueses. Pelo contrá-rio!
Tem sido um demo para a população, especialmente no Centro e Sul do País. O de Fevereiro de 1973 decorria como um mês esti-val no Norte de Angola.
Nesse dia, não havia nenhum pelotão em operações pela mata do Kifuso, colunas de tropa ou outros afazeres a não ser um pe-lotão que fazia segurança aos trabalhadores da Junta Autóno-ma de Estradas de Angola (JAEA), que estavam a construir a es-trada, antes picada, do Caxito a Zala, indo nessa altura a che-gar à Beira-Baixa.
Além do calor próprio da época em Angola, estava-se no Verão, também sentíamos o humano pelo motivo da aproximação do fim da nossa comissão com partida marcada para 3 de Abril.
Éramos uma Companhia de Caçadores, Nº. 3341, do Batalhão Nº. 3838, sediado em Quicabo.
Fomos bafejados pela sorte e pelo bom comando do nosso Co-mandante de Companhia, capitão José Joaquim Lofgren Rodri-gues.
Tínhamos tido um ferido em acidente de trabalho com bastante gravidade. Foi evacuado para o Hospital Militar de Luanda e mais tarde para o de Lisboa. Fracturou o osso da Bacia, sendo hoje um deficiente das Forças Armadas, ao desempenhar ofício de carpinteiro no arranjo do telhado do refeitório.
Ia partir de Balacende um nosso pelotão em coluna militar para Quicabo. O nosso capitão como a coluna estava um pouco atra-sada resolveu partir antes numa viatura da JAEA juntamente com o motorista da referida viatura. Entretanto a coluna che-gou a Quicabo e não encontrou o capitão e o motorista.
Passado pouco tempo, como não os encontravam, quem chefia-va a coluna militar foi dar conhecimento ao Comandante do Ba-talhão.
Foi comunicado via rádio para Balacende para partir naquele momento outra coluna militar e fazer um reconhecimento nos pontos mais críticos da estrada que agora ligava Balacende a Quicabo. Assim se fez.
A uns quilómetros de Balacende foi vista numa ribanceira, que estas obras originam nos troços por onde passam, a viatura da JAEA, com o Capitão Lofgren Rodrigues morto e o motorista da JAEA bastante ferido, tendo sido evacuado para o Hospital de Luanda. O Capitão como estava morto foi para Balacende para a Capela à espera que se processasse os afazeres próprios deste momento.
Estávamos incrédulos! Quem nos aconselhava a não nos aban-dalhar e exigia todo o rigor para que a nossa missão não origi-nasse dissabores foi quem foi traído. Foi um final de dia triste.
Foi escalado um grupo de soldados para lhe fazer a Guarda de Honra até o seu corpo ser transladado para Luanda.
A capela esteve repleta de soldados, oficiais e sargentos a pres-tar-lhe a última homenagem. Não havia civis porque estávamos isolados na mata, a não ser os trabalhadores da JAEA que mui-ta simpatia, tinham por ele.
Neste dia 17 de Fevereiro de 2026 em que exponho este texto, não de 17 de Fevereiro de 1973, como referi o nosso ânimo estava em baixo.

Vale a pena recordar esse dia, assim como o Militar, Coman-dante de Companhia de Caçadores Nº. 3341, como foi: José Joa-quim Lofgren Rodrigues.

Manuel Pacheco 

Ex- Soldado Rádio Telefonista Nº. 11281470

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