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segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026

Dois navios. Oitocentas toneladas de alimentos, leite em pó, itens básicos:

Enquanto os Estados Unidos endurecem restrições e apertam o cerco econômico, outro país latino-americano atravessa o mar com solidariedade concreta. Não é discurso. Não é conferência. É carga descarregada no porto de Havana. É arroz, feijão, óleo, leite. É sobrevivência.

O gesto do México expõe algo que muitos fingem não ver. Quando as sanções apertam, quem sofre não é o governo que está nos palácios. É o povo que está nas filas. Cuba vive uma crise energética severa, dificuldades de abastecimento e um isolamento financeiro que se arrasta há décadas. E cada nova medida imposta por Washington não “corrige regime”, ela pressiona uma sociedade inteira que já opera no limite.
A ajuda mexicana também envia um recado geopolítico silencioso, mas poderoso. A América Latina começa a agir como bloco solidário, não como quintal de ninguém. Em vez de aderir automaticamente à lógica de punição, escolhe cooperação. Em vez de ampliar o isolamento, oferece ponte. E isso muda o tabuleiro. Porque quando um país decide não seguir a cartilha de sanções, ele enfraquece a narrativa de que o cerco é consenso internacional.
Os Estados Unidos acreditam que pressão contínua produz mudança política. Mas a história recente mostra outra coisa: produz resistência, realinhamentos e novas alianças regionais. Se Cuba encontra oxigênio no México hoje, amanhã pode encontrar em outros parceiros. E cada navio que chega a Havana não é apenas ajuda humanitária. É símbolo de que o mundo não gira em torno de uma única capital.
No meio da crise, a imagem é clara. Enquanto uns apertam, outros estendem a mão. E isso, gostem ou não, redefine quem está construindo influência real na região.

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