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terça-feira, 3 de maio de 2022

OLIVER STONE: OBJECTIVOS (E MÉTODOS) DOS NEOCONS:

"Acompanho a situação da Ucrânia desde 2014 com Robert Parry liderando o caminho como professor. Acompanhei as queimadas em Odessa (42 pessoas pró-russas queimadas vivas na Casa dos Sindicatos pelos nacionalistas radicais ucranianos - CF), a perseguição sem direitos legais e assassinatos de jornalistas, autarcas, políticos e cidadãos.
Acompanhei a proibição do principal partido da oposição, que teve pesquisas mais altas do que o governo Zelenskyy. Fiquei chocado com o ódio expresso contra a minoria russo-ucraniana.
É uma longa e triste história que se desenvolve a partir do golpe de 2014, co-projetado pelos EUA, que despojou a Ucrânia de sua neutralidade e a tornou vociferantemente anti-russa; nos oito anos seguintes, cerca de 14.000 pessoas inocentes na Ucrânia foram mortas, nenhuma das quais foi seriamente coberta pela nossa media.
Eu assisti com medo crescente nas últimas semanas a como Victoria Nuland mais uma vez emergiu do nada, alertando os russos e nós - o público-alvo - que se os russos usarem um dispositivo nuclear de qualquer tipo, haverá um inferno a pagar.
Isso foi rapidamente percebido por uma série de funcionários do governo e canais de TV nos dias seguintes, ampliando a mesma ideia – a Rússia se tornando (atacante) nuclear.
Tudo isso vem por causa da reafirmação de Putin da política nuclear da Rússia, que aliás não é tão agressiva quanto a nossa postura nuclear.
Isso me fez pensar: por que repetir isso várias vezes? Primeiro, havia todas as acusações de crimes de guerra que vieram rápidas e furiosas antes mesmo de qualquer investigação e provas sérias.
Pergunto-me por isso se os E.U.A. estarão preparando o terreno para uma explosão nuclear táctica, de origem desconhecida, em algum lugar na região de Donbass, matando milhares de ucranianos?
Claro, se isso acontecesse, Deus nos livre, todos os olhos do mundo estariam treinados, como um cão de Pavlov, para culpar a Rússia.
Essa culpa já foi configurada por antecipação, independentemente de se saber quem teria lançado o dispositivo. Esse uso certamente impactaria os 50% restantes da opinião mundial, que não está no campo ocidental.
A Rússia seria o Satanás, o Belzebu. Lembre-se que é difícil saber de onde um dispositivo nuclear é disparado, especialmente numa situação de movimento rápido como esta guerra, na qual parece que a Rússia pode ser acusada de qualquer comportamento, por mais absurdo que seja.
Provavelmente levaria alguns dias para descobrir a verdade, mas a verdade não é importante. A percepção sim, e os EUA está conduzindo uma guerra de percepções com grande habilidade e força bruta, saturando as ondas de rádio da CNN/Fox e nossos países satélites na Europa e na Ásia como nunca antes visto.
Ao fazer isso, estaríamos um passo mais perto de conseguir o que esperamos possa ser um outro Yeltsin, que poderia criar para nosso país uma nova grande oportunidade ideológica e de negócios.
Mas, mais importante, na barganha, seria conseguir isolar a China da Rússia. Claro, a China seria o próximo alvo se a Rússia cair. Este, acredito eu, é o cenário de sonho dos anarquistas neoconservadores em nosso governo para conseguir o que eles consideram seria um melhor “mundo baseado em regras”.

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