Foram verdadeiramente decepcionantes as declarações do Presidente da República, MRS, sobre certos comportamentos tornados públicos de associações de ucranianos e da própria embaixadora da Ucrânia.
Marcelo que durante a campanha eleitoral foi - ou pareceu ser - tão veemente na reprovação de certas propostas e afirmações de Ventura, que até ficaram aquém de algumas que agora ouvimos a ucranianos residentes no nosso país, chamado a pronunciar-se sobre o assunto, ficou-se por numas vaguissimas considerações sobre o que deve ser o comportamento do PR relativamente a assuntos partidários.
Lamentável, a vários títulos, o seu comportamento. Primeiro, porque essa reserva de não intervenção no domínio partidário é um princípio que Marcelo segue a la carte, ou seja, consoante os intervenientes, que o diga Rui Rio quando ele recebeu Rangel antes de tomar a decisão sobre a data das legislativas e que o diga o PCP quando Marcelo se opôs á realização do Congresso durante a pandemia.
Mas pior do que a incoerência é a falsa qualificação como assunto partidário de uma questão de direitos, liberdades e garantias.Marcelo é institucionalmente o primeiro responsável pelo regular funcionamento das instituições e como tal tinha a obrigação política e pedagógica de afirmar categoricamente e sem reservas que práticas antidemocráticas oriundas de outros países não são nem podem ser transplantadas para Portugal, pondo ponto final numa polémica que não pode existir na sociedade portuguesa, mediante uma declaração categórica sobre o cumprimento de um princípio basilar da nossa Constituição.
José Manuel Correia Pinto
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