Ao fim e ao cabo é mais um dia de confrontos de interesses de maior ou menos violência. De partes contrárias que têm ambas a razão e a verdade do seu lado. Quando assim acontece, existem dois caminhos para decidir: o conflito e o contrato.
Hoje é, portanto, um bom dia para reler partes de «O Contrato Social" de Jean Jacques Rosseau, proscrito ou ignorado neste tempo de pensamento único, de aquecimento para o totalitarismo, de warm up, diriam os adeptos dos desportos motorizados.
Que escreveu Rousseau que me mereceu atenção? Uma ofensa aos belicistas que nos invadiram com gritos de guerreiros ao assalto:
" ceder pela força é apenas um ato de necessidade, e não um ato de vontade; seria, quando muito, um ato de prudência. O mais forte nunca é suficientemente forte para ser sempre o amo, a não ser que transforme a força em direito, e a obediência em dever. Assim, somente o poder pode criar direito, e somente o direito pode limitar o poder."
A afirmação que ceder pode ser "um ato de prudência" é hoje em dia herética.
Mas, digo eu, ceder pode ser fonte de um novo "poder", logo de um novo Direito, de um novo Contrato, e não necessariamente significar a derrota, ou a destruição de uma das partes.
Para já o Rousseau está no Index. Tenho o meu exemplar do Contrato guardado.
Carlos Matos Gomes


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