(Armando Rosa, in Maisribatejo.sapo.pt, 25/04/2022)

António Costa é, para mim e atualmente, o mais bem apetrechado dirigente político da UE. Em experiência, em esperteza, em análise, em cultura política e em antecipação de futuros. Desde a reforma de Angela Merkel, não há outro que lhe chegue aos calcanhares. Podemos dizer que face à pobreza existente isso não é grande feito. É verdade, mas AC tem talento político e uma visão muito acima da média dos políticos incapazes que pululam na Europa e arredores.
Esta minha opinião acentuou-se mais ainda depois de o ver durante a atuação de Zelensky na nossa Assembleia da República. Ele e os outros três membros do governo presentes foram os únicos que não aplaudiram o comediante. Podem alguns justificar essa postura por ela ser uma exigência protocolar. Mas isso não cola, porque poderia ter furado o protocolo como o fez aquando das visitas do Rei de Espanha e do Presidente de Angola. [1]
Porque não terá António Costa aplaudido Zelensky no dia 21 e se manteve sentado, sem exprimir qualquer sentimento, ou expressão corporal visíveis, enquanto todos os presentes aplaudiam freneticamente o ator? Ainda por cima, tratando-se de um evento mundialmente mediatizado e com uma carga emocional que mais facilmente desculparia um protocolo não cumprido.
Qual a intenção de AC ao mostrar ao mundo que não embarcava na histeria geral de apoio a um indivíduo que, no momento político atual, está na crista da onda e que quase todo o mundo idolatra?
Porquê a atitude passiva de António Costa no Parlamento Português?
Sabemos que Zelensky é racista: fez e promulgou a Lei dos Povos Autóctones que segrega e divide o povo ucraniano em duas categorias. Uma lei pela qual são excluídos todos os ucranianos de origem eslava (russos) e onde os direitos civis plenos são reconhecidos apenas aos ucranianos de origem escandinava [2]. Sabemos também que tem conduzido uma guerra genocida no Donbass que já provocou mais de catorze mil mortos, dos quais nove mil são civis [3]. Também foram conhecidas as suas fortunas colocadas em offshore e denunciadas recentemente nos Pandora Papers [4].
A declaração política silenciosa de António Costa, servirá para memória futura.
Ele, como certamente todos nós, diaboliza Putin e a guerra provocada pelos russos, bem como todas as atrocidades e destruições conhecidas, mas daí a fazer a figura que os do seu partido fizeram naquela sessão, vai uma grande distância.
Um político com visão, e com ambições internacionais, não comete erros básicos. Costa sabe que, daqui a quatro anos, muito terá sido desvendado e sabido sobre o que se passou e passa atualmente na Ucrânia e que haverá cobranças políticas para os que deram apoio sem condições, a quem pouco difere, em termos de carater e de políticas protofascistas, do principal responsável por isto tudo, Putin.
Há certos apoios que queimam e Costa não é de se chegar a fogueiras…
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