Rádio Freamunde

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sexta-feira, 4 de abril de 2025

«NENHUM LUGAR ESTÁ A SALVO!» DONALD TRUMP IMPÕE TARIFAS A ILHAS DESABITADAS, ONDE SÓ HÁ FOCAS, URSOS & PINGUINS...

Nem os locais mais remotos do globo escapam às taxas anunciadas pelo presidente dos Estados-Unidos, Donald Trump. Aqui vão alguns exemplos.
Em algumas regiões do globo, não há mesmo ninguém a quem cobrar impostos: há apenas focas, pinguins, ursos… e, por vezes, cientistas em missões temporárias. Mas nem por isso ficaram de fora do aumento de tarifas alfandegárias anunciado por Donald Trump no que ele designou como o «Dia da Libertação».
É o caso das Ilhas Heard e McDonald, território totalmente desabitado localizado no Oceano Antártico, entre Madagáscar e a Antártida. Pois o presidente norte-americano pretende impor tarifas de 10% sobre os produtos locais.

As ilhas, que formam um território externo da Austrália, estão entre os lugares mais remotos da Terra, acessíveis apenas por uma viagem de barco de duas semanas a partir de Perth, na costa oeste da Austrália. E, de acordo com o “The Guardian”, estão completamente desabitadas e acredita-se que a última visita de pessoas tenha ocorrido há quase uma década.
A inclusão destas ilhas na lista de países aos quais são impostas novas tarifas alfandegárias levou o primeiro-ministro australiano, Anthony Albanese, a reagir hoje dia 3 de Abril: «Nenhum lugar na Terra está a salvo»!

Outro exemplo caricato é o da pequena ilha de Northfolk, entre a Austrália e a Nova Zelândia, em pleno Oceano Pacífico, que viu as suas tarifas alfandegárias aumentarem em 29%. Ao contrário desta ilha, as taxas alfandegárias impostas à Austrália aumentaram apenas 10%, deixando ainda mais perplexo o seu primeiro-ministro. «Da última vez que verifiquei, a Ilha Northfolk fazia parte da Austrália», ironizou Albanese.
Mas há outros territórios desabitados na mira do 'Donaldo', mais a Norte. É o caso das ilhas norueguesas de Jan Mayen e Svalbard, no Mar da Gronelândia, onde vivem sobretudo ursos polares, e a cujos produtos também vai ser aplicada uma tarifa de 10%.
Campo d'Ourique, 3 de Abril de 2025
Alfredo Barros

“Houve tiros na cidade E em Abril ele morreu”:

Uma das canções do livro musical “Anónimos de Abril” que há dias foi lançado pelas edições Zigurate - que permite ouvir as canções compostas por Rogério Charraz e José Fialho Gouveia e ler as histórias de pessoas pouco conhecidas envolvidas na Revolução dos Cravos e no combate ao fascismo português – chama-se “Os Mortos de Abril”.
A canção é dedicada a Fernando Giesteira, José Barneto, João Arruda e Fernando Reis.
Fernando Carvalho Giesteira morreu na rua António Maria Cardoso na tarde do dia 25 de Abril de 1974 quando levou um tiro na cabeça de uma bala disparada da sede da PIDE/DGS, onde se tinham refugiado agentes da polícia política da ditadura que, de cabeça perdida, começaram a disparar para a rua onde estavam algumas tropas envolvidas no golpe militar e civis que, tal como este “morto de Abril” decidiram ir ver ali o que se passava.
Outra vítima desse momento foi José Barneto, cuja fotografia, tirada pouco antes de ser morto, aparece no jornal A Capital do dia seguinte a celebrar com outras pessoas a conquista da liberdade.
Também o estudante universitário açoriano João Guilherme Arruda foi filmado pelas câmaras da RTP a celebrar esse dia e a revolução, pouco antes de ser baleado no crânio por um tiro dos pides. Faleceria, vítima desse ferimento, no dia seguinte no Hospital de São José.
O soldado Fernando Luís Barreiros dos Reis estava de licença no 25 de Abril mas, ao ouvir uma informação de que a Junta de Salvação Nacional pedira a todos os militares de licença que se apresentassem nos respetivos quartéis, decidiu ir à sua unidade. Passou, no caminho, pela rua António Maria Cardoso, provavelmente parou para ver o que se passava, e foi mortalmente baleado.
No livro “Anónimos de Abril”, José Fialho Gouveia detalha as histórias destas vítimas mortais da PIDE/DGS e expõe também as circunstâncias em que um agente desta polícia, António Lage, morreu a tiro, ao tentar fugir dos soldados e da multidão, o que não é contado na canção.
O texto fala dos antecedentes dos quatro mortos de Abril pela PIDE/DGS, das famílias enlutadas (pais, viúvas, filhos) e das reações que tiveram ao receber as notícias fatais.
A canção, por seu lado, que Rogério Charraz e Joana Alegre interpretam, resume essas histórias, as origens familiares, geográficas, sociais, alguns traços de carácter e o destino comum que, tragicamente uniu estes quatro homens, expresso neste refrão: “Quis sonhar a liberdade/E quando Abril por fim se deu/Houve tiros na cidade /E em Abril ele morreu”.
Os Mortos de Abril
Quis sonhar a liberdade
E quando Abril por fim se deu
Houve tiros na cidade
E em Abril ele morreu
Tinha a cabeça certa
Para na vida ir mais além
Mas quando a pobreza aperta
Custa às vezes ser alguém
Deixou os Açores para trás
Em busca do seu caminho
O João quis ser capaz
De andar em desalinho
Quis sonhar a Liberdade...
De família transmontana
Sem política na mesa
Porque quando a fome esgana
Faz um luxo da braveza
O seu pai era mineiro
Mas para ele isso não queria
E o Fernando Giesteira
Para Lisboa veio um dia
Quis sonhar a Liberdade...
Foi o Zeca toda a vida
O Alentejo o viu nascer
A família enriquecida
Não gostava do poder
Era um pai-marido-pão
Sustentava os que eram seus
Escriturário a profissão
A quatro filhos disse adeus
Quis sonhar a Liberdade...
De Arranhó terra natal
O Fernando Luís Reis
Toda a vida se deu mal
Com quem queria impor-lhe leis
Foi um desses tais soldados
Que iam para Penamacor
Por não serem muito dados
A dizerem «sim, senhor»
Quis sonhar a Liberdade
E quando Abril por fim se deu
Houve tiros na cidade
E em Abril ele morreu
Na Rua António Maria
Quatro mortos à civil
Caíram naquele dia
Foram mortos em Abril
Quis sonhar a Liberdade...
Para ouvir esta emissão de Panfletos, clicar aqui:

Foto: Fernando Giesteira, com apenas 18 anos, foi o mais jovem dos mortos do dia 25 de Abril. A identidade dos seus assassinos continua por conhecer.

Anónimos de Abril e “Os Mortos de Abril”

Para ouvir esta emissão de Panfletos, clicar aqui:

https://www.rtp.pt/play/p8339/e840387/panfletos 

Soube-se ontem:

De fontes seguras russas e de vídeos postos a circular que na região de Donetsk foi morto um grande número de mercenários portugueses contratados pelo governo de Kiev. Os russos elogiam a sua ferocidade em combate e o facto de terem preferido morrer de armas na mão a submeter-se à humilhante rendição. Os portugueses, sabemo-lo pelo longo historial militar, são bons e sacrificados guerreiros. Contudo, o que a todos nos deve indignar é o facto de as autoridades portuguesas e sucessivos governos terem permitido que um tão grande contingente de concidadãos ter abandonado o país e saído das fronteiras da UE para participar numa guerra distante sem que em Lisboa alguém os tivesse demovido desse propósito. Dos agora desaparecidos combatentes portugueses sabia-se tudo - passaportes, vistos, nomes, endereços - pelo que autoridade alguma poderá invocar desconhecimento. Um embaraço nacional mas, sobretudo, uma imensa vergonha para governos que trocam a vida de tantos dos nossos por um conflito com o qual nada temos a ver.

Miguel Castelo Branco

quinta-feira, 3 de abril de 2025

GUERRA NA UCRÂNIA, JORNALISMO, DEMOCRACIA, OPINIÃO PÚBLICA:

Muito bem pergunta, no seu mural, o amigo Antonio Gil:
"(…) Como é que gente que escreveu estas m*rdas ainda mantém seus empregos e continua a escrever e a opinar nas TVS como se tivessem estado certos o tempo todo? Que espécie de 'mercado de trabalho' (uma expressão que eu odeio mas eles amam), protege tanta incompetência?"
Aí vai a minha resposta a esta interrogação que resolvi, com a devida vénia a António Gil, autonomizar aqui no meu mural:
— Claro que mantêm os seus empregos e mantêm-nos porque fazem exatamente o que lhes mandam fazer. Eles não estão ali para fazer jornalismo, estão para condicionar a opinião pública, para pastorear os eleitorados. E isso eles fazem bem.

Esta “Operação Ucrânia” é um êxito total. Transformaram uma opinião pública esmagadoramente pacifista em apaixonadamente belicista, com a eficácia de um Goebbels. Só que Goebbels conseguiu isso num só país, com base na promoção do nacionalismo absoluto e do supremacismo racial. Neste caso eles usam como vectores da sua acção o medo de um inimigo há muito diabolizado, a que acrescentam como álibi “valores” como a salvação da democracia — algo que não existe, já que nem o dito “inimigo” é diabólico, nem ameaça uma democracia que já não existe, substituída que foi pela ditadura da plutocracia por intermédio de uma eurocracia não eleita que sistematicamente suprime a liberdade de expressão e sabota toda a possibilidade de eleição de alternativas políticas fora do sistema único vigente. começara com a Grécia, triturando o governo de Tsipras e Varoufakis, no tempo da Troika. Não pararam até entregar o governo à direita submissa e veneradora a Bruxelas. Agora, mais recentemente temos a Roménia, a Geórgia, a Moldávia, agora a França. Todos os que contestem ou proponham uma alternativa à ditadura do extremo centro levam forte e feio com o mais olímpico desprezo pelos valores da democracia que não se cansam de apregoar...

Zé-António Pimenta de França 

Do Diário da Diana – 13 anos – escola C+S da Musgueira (3 de abril de 2025):

Ontem foi um dia rico em factos políticos e a minha mãe, apesar de ter trabalhado todo o dia estava muito bem informada. E do que não tinha visto, falei-lhe eu.

Em Portugal, o governo de gestão, alheio à ética e à legalidade, foi ao Porto, ao mercado do Bolhão, em propaganda eleitoral e a lançar a candidatura do ministro Pedro Duarte à Câmara, perante o silêncio cúmplice do PR que só fala, e muito, quando não deve.

Foi uma bela comemoração do aniversário da posse do Governo, conferida há 1 ano pelo pai, o PR, e com a mãe na assistência, a D. Lucília Gago, coautora do parágrafo assassino para o PM de um governo de maioria absoluta.
Este governo cavaquista com sotaque do Norte, como diz a minha mãe, é tão excelente na propaganda como o PM a tratar da vida, seja a angariar avenças ou na administração direta da construção da sua mansão de Espinho. E, como a ética não é uma exigência do eleitorado de direita – disse a minha mãe –, só falta um ministro ser constituído arguido para o AD ter maioria absoluta, como o Albuquerque na Madeira. Boa piada, mãe!
O PR digeriu as afrontas de Montenegro: formação do governo, escolha da comissária europeia, Maria Luís, e do PGR sem o ouvir, e não há moscatel nem ginjinha que lhe mitigue a azia. No fundo regozija-se com a travessura ao Costa porque conseguiu o que queria; governo de direita, cinquentenário do 25 de Abril com maioria de direita na AR, lei da eutanásia na gaveta e PRR e a excelente situação económica nas mãos do PSD. Marcelo é mau, mas não é burro, disse eu; beato e hipócrita, desabafou a minha mãe.
Nos EUA, Trump continua imprevisível e acabará mal, mas a UE pode acabar pior, com reputação igual. Trump ameaça dar cabo do mundo, e Ursula Von Leyen da UE. Ursula vê o perigo da Rússia para a Ucrânia e não vê o dos EUA para a Gronelândia; e esquece Israel a destruir países vizinhos e a Turquia de Erdogan a caminhar para o Califado.
E o mais deprimente de ontem foi o encontro de Viktor Orbán e Netanyahu na Hungria, onde o anfitrião recebeu o prófugo do TPI. A minha mãe chamou prófugo a Netanyahu para me ensinar mais uma palavra que eu desconhecia.
Quando lhe perguntei o motivo da geometria varável da Europa, segundo quem a refere, disse que se devia à plasticidade do conceito Europa, a forma erudita para me explicar o desvario dos que alteram a geografia ao sabor das conceções políticas.
Enfim, hoje o diário é como a minha mãe gostaria de o ler, a piscar o olho à erudição. Hei de falar do Steve Bannon que lançou em Bruxelas (2018), uma fundação destinada a unir populistas e nacionalistas de extrema direita na Europa, assim como de Trump, Putin, Elon Musk e outros trastes conhecidos, mas em linguagem mais terra a terra.
Foram os arautos do neofascismo, bonita expressão, que grassa na Europa, seja qual for a sua configuração. Fica para outra página do diário. Só mais uma novidade, a saída do Elon Musk do governo de Trump, o fim da parceria que a minha mãe previa.
Musgueira, 03 de abril de 2025 – Diana
Carlos Esperança