Rádio Freamunde

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quinta-feira, 3 de abril de 2025

A Operação chama-se “5 Estrelas”, já o tempo que demorou a decisão de buscas não é nada brilhante:

Segundo esta notícia, foi agora que a PJ decidiu ir fazer buscas na câmara de Cascais a propósito da construção de um hotel Hilton à beira-mar, demasiado à beira-mar, junto à praia de Carcavelos. Mas já todos ouvíramos falar deste caso há mais de um ano, devido a uma queixa introduzida pela associação ambientalista SOS Quinta dos Ingleses em setembro de 2023. Na altura, a muitos deve ter parecido escandaloso que 1) o projecto hoteleiro naquela zona protegida e tão em cima do mar tenha sido autorizado e 2) 830 m2 dos terrenos tenham sido vendidos oito anos mais tarde a preços de 2012 (312 000 mil euros), o ano em que o contrato-promessa fora assinado, ficando o projecto estagnado desde aí (pena não ter continuado estagnado).

Além disso, o empreendimento, a 50 metros do mar, na Parede, está agora em construção, o que não se compreende dado que a possível existência de irregularidades no licenciamento e no processo de venda já era do conhecimento das autoridades há tempo suficiente para ser aconselhável suspender o arranque da obra. Depois da obra feita, tudo será mais difícil e/ou muio mais caro.

Evidentemente, não sei os detalhes, só o que diz a notícia. Sabe-se que há o Plano de Ordenamento da Orla Costeira, que entrou em vigor em 2019, e que proibia qualquer construção na zona numa faixa de 500 metros e há a Reserva Ecológica Nacional a que parte dos terrenos pertencia até 2023 (a venda foi em 2020). Como é que não se informou a empresa de que o projecto não poderia avançar, nem que tivesse de ser paga uma indemnização?

A PJ apenas acordou um ano e meio depois da denúncia. As buscas podem vir tarde demais e não servirem para impedir este atentado.

 por Penélope

Do blogue Aspirina B

quarta-feira, 2 de abril de 2025

Divagando 26 (sobre a paz e a guerra) #montenegronaomarcelonunca:

É difícil defender a paz quando a propaganda belicista impede a sua discussão, mas é covardia não o fazer. Também é difícil defender a necessidade de defesa em tempo de paz, e é igualmente obrigatório.

O caso português, onde os contemporâneos da 2.ª Grande Guerra já se finaram e os que sofreram a guerra colonial são uma espécie em vias de extinção, merece reflexão.
O fervor contagiante do 25 de Abril, meio século depois, extinguiu-se, e o patriotismo, não confundir com nacionalismo, perdeu-se. Ninguém sente o dever de retribuir o que o país lhe dá.
Um curso caro, pago por todos, deixa o beneficiário livre para emigrar e vender as suas aptidões em qualquer mercado: engenheiros aeronáuticos, físicos nucleares, químicos, médicos, pilotos aviadores, etc. etc. Ninguém se sente devedor do que recebeu.
O serviço militar obrigatório (SMO), o serviço médico à periferia, e quaisquer outras obrigações cívicas, foram alienados na voragem neoliberal que nem o SNS deixa na esfera do Estado, para aumentar os lucros privados à custa dos mais carenciados.
Votaram a extinção do SMO o PSD, o CDS e o PS, deixando o PCP sozinho, parecendo a sua defesa uma ideia revolucionária, como se o salazarismo não o exigisse ou a direita que, hoje, defende o SMO, conhecendo os custos financeiros das FA profissionais.
Recordo a agitação das juventudes do CDS, PSD e PS a exigirem a Guterres a abolição do SMO, quando havia bons argumentos para o manter integrado num serviço cívico de ambos os sexos com tarefas alternativas. Hoje, quando a direita pretende o regresso, sou eu, das raras vozes que fora do PCP se opunham, que agora exijo a sua discussão prévia.
Quanto à guerra que mata centenas de soldados por dia, ucranianos e russos, a UE está arredada das negociações de paz por manifesta parcialidade, pelo apoio total à Ucrânia que, tal como a Rússia, apostou no colapso do adversário.
E agora é a Ucrânia, desesperada, que procura um mediador para promover o fim da guerra, para que lhe faltam soldados, e o regresso de milhões de refugiados fugidos.
E, ironia, é Lula da Silva que as autoridades portuguesas trataram de forma incorreta, pela sua equidistância no conflito ucraniano, o interlocutor a quem Zelensky recorre.
Carlos Esperança

UM JEITO MANSO: Clara Ferreira Alves e a 'manosfera' - a 'percepçã...

UM JEITO MANSO: Clara Ferreira Alves e a 'manosfera' - a 'percepçã...:   Li com algum espanto e até alguma pena o artigo da Clara Ferreira Alves no Expresso, " Manosfera, manual de combate ".  Parece q...

Para que serve o rearmamento da Europa?

(Major-General Carlos Branco, in Jornal Económico, 01/04/2025)


Parece não restarem muitas dúvidas de que os líderes europeus não têm nas suas mentes uma estratégia de dissuasão, mas sim outra mais exigente em meios, para além de ser mais perigosa.

O debate em redor do rearmamento da Europa passou a dominar as manchetes dos jornais e a abertura de telejornais. A Europa está desarmada, qual capuchinho vermelho prestes a ser triturado pelos dentes afiados do lobo mau, que um dia virá de leste. Mas a realidade dos factos é que nem a Europa está desarmada nem a psicose de massas artificialmente fabricada se justifica com uma ameaça russa em aproximação, desprovendo de sentido a urgente corrida armamentista que se anuncia como inevitável e em que a Europa se prepara para embarcar.

É frequente argumentar que o enfraquecimento da capacidade de defesa europeia se deve a décadas de desinvestimento. Contudo, convém relembrar o desinvestimento recíproco da Rússia em defesa, a seguir ao fim da Guerra-Fria. As ameaças, se não desapareceram totalmente, pelo menos desvaneceram-se consideravelmente. Não havendo ameaça, não faz sentido manter uma capacidade militar que vá para além da dissuasão, estratégia de que a Europa nunca prescindiu.

De 2019 a 2023, o valor agregado das exportações de armamento europeias quase que triplicou o valor das exportações russas. Só a França tem maior capacidade exportadora do que a Rússia. Dos oito maiores países exportadores de armamento, a nível mundial, seis são europeus.

Surpreendentemente, os acérrimos defensores do rearmamento urgente devido a um ataque russo são também os mesmos que: (1) argumentam com a superioridade estratégica europeia (demografia, PIB, capacidade industrial, etc.), a qual é, por si própria, um tremendo fator de dissuasão; (2) e acreditam que a guerra na Ucrânia tem mostrado o quão fraco e ineficaz é o exército russo. Conseguem fazer a quadratura do círculo. A Europa vai ser invadida por um inimigo incapaz e incompetente. Portanto, temos de nos armar até aos dentes.

A Europa tenta delinear uma “estratégia” com base naquilo a que George Orwell chamou de double thinking, isto é, acreditar simultaneamente em duas ideias que se excluem mutuamente. O debate sobre o tema deve começar por esclarecer qual a finalidade do rearmamento, para que serve? Após uma análise cuidadosa do White Paper produzido por uma equipa liderada pela Alta Representante para a Política Externa da UE Kaja Kallas, não ficou claro qual seria a finalidade do rearmamento europeu. São tantas as ameaças e tão diferentes (Rússia, China, Ártico, Norte de África), que ficamos sem perceber exatamente o que se pretende.

Embora não seja dito de modo explícito, não restam dúvidas ser a Rússia a ameaça percebida ficando, no entanto, por saber qual a postura estratégica que a Europa vai adotar: dissuasão defensiva, ofensiva ou é todo este esforço apenas para ajudar a Ucrânia? A resposta a esta questão crucial é ambígua.

A definição de uma estratégia passa por identificar claramente, por esta ordem, os objetivos a atingir, os caminhos a seguir e os meios (objectives, ways and means). A proposta da presidente da Comissão europeia ao Conselho Europeu concentrou-se apenas nos meios – como dotar os estados-membros dos recursos financeiros para se rearmarem, sendo omissa quanto aos objetivos e aos caminhos a seguir. Ou seja, Ursula Van der Leyen (VDL) começou e terminou nos meios.

Qual o objetivo?

A proposta da Comissão sobre o rearmamento europeu usava o termo “dissuasão,” sugerindo a adoção de uma estratégica predominantemente defensiva. Mas, as dúvidas sobre este propósito são enormes. Os lugares tenentes de VDL falam em escalar o conflito e confrontar militarmente a Rússia, sem que esta tenha alguma vez repudiado essas declarações.

Kaya Kallas, a mesma cujo marido fazia negócios com a Rússia já depois do início do conflito na Ucrânia, disse que era preciso destruir e fragmentar a Rússia; e o comissário europeu para a defesa e espaço, o lituano Andrius Kubilius afirmou ser necessário prolongar a guerra até exaurir a Rússia e a Europa adquirir capacidades para a destruir.

Exatamente no mesmo sentido foi o alemão Bruno Kahl, diretor do Serviço Federal de Informações, ao afirmar que um acordo de paz não beneficiará a Europa se for alcançado antes dos próximos cinco anos. Segundo ele, a Rússia está a preparar uma grande guerra com a NATO. O grande argumento em abono desta tese é o facto “das perdas russas estarem a ser repostas e a indústria de defesa do país está a produzir mais do que o necessário para a atual guerra.”

Por sua vez, o Inspetor Geral das Forças Armadas alemãs general Carsten Breuer canta segundo a mesma pauta de música. A ministra dos negócios estrangeiros da Alemanha Annalena Baerbock fala em mobilização nacional. O tradicional rigor orçamental alemão está prestes a desvanecer-se, com o governo a preparar-se para contrair uma dívida no valor de mais de 500 mil milhões de euros, a gastar nos próximos 12 anos. Para além disso, o Governo alemão criou um instrumento para aumentar a dívida num total de cerca de um trilião de euros, ou mesmo mais, envolvendo uma alteração constitucional.

Como se não houvesse amanhã, a Dinamarca acelerou a introdução do alistamento militar obrigatório para as mulheres, passando o seu início de 2027 para 2026; o presidente Macron diz que a Rússia é uma ameaça à França e à Europa e, seguindo o exemplo da Suécia, mandou distribuir manuais de sobrevivência à população, como se a guerra estivesse à porta, criando uma ansiedade absolutamente injustificada; as autoridades polacas anunciaram o início dos preparativos para uma possível guerra com a Rússia introduzindo, para o efeito, formação militar em massa da população, e o primeiro-ministro polaco Donald Tusk quer ter armas nucleares e anunciou o aumento das forças armadas para meio milhão de soldados.

Por seu lado, a Comissão teve o despautério de pedir à população para que armazene água, medicamentos, pilhas e alimentos para sobreviver por três dias sem assistência externa em caso de emergência. É difícil não considerar isto uma preparação para a guerra. Este tom reflete a narrativa a que recorrem os países bálticos. Como notou a primeira-ministra italiana Giorgia Meloni, referindo-se a Kaja Kallas “se alguém a estiver a ouvir, parece que estamos em guerra com a Rússia, e essa não é a linha política da UE.”

Independentemente daquilo que se pense, a verdade é que a UE se está a preparar para a guerra. Parece não restarem muitas dúvidas de que os líderes europeus não têm nas suas mentes uma estratégia de dissuasão, mas sim outra mais exigente em meios, para além de ser mais perigosa. Daí a alegada necessidade de um rearmamento urgente.

O desvario

A ideia do rearmamento europeu não pode ser dissociada de outros acontecimentos em curso que influenciam decisivamente a narrativa armamentista. O principal prende-se com a acusação de que os EUA não honrarão as suas obrigações no âmbito do artigo V, em caso de um ataque militar da Rússia. Nada até agora o indicia.

A Estratégia Nacional de Segurança, da Administração Trump, em 2017; era clara: “A aliança da NATO de Estados livres e soberanos é uma das nossas grandes vantagens em relação aos nossos concorrentes, e os Estados Unidos continuam empenhados no Artigo V do Tratado de Washington.” Pretender que os europeus assumam maiores responsabilidades, não pode ser confundido com a retirada das garantias de segurança por parte de Washington. É intelectualmente desonesto misturar factos distintos apresentando-os como fazendo parte de uma única realidade.

Sem os EUA terem alguma vez manifestado intenção de abandonar a proteção nuclear da NATO, e após terem declarado a intenção em a manter, a Alemanha veio sugerir a sua substituição por uma outra proteção a ser fornecido pela França e Reino Unido (RU). Esta proposta do novo chanceler alemão Friedrich Merz, até recentemente alto quadro da BlackRock Germany, representa a sua total descredibilização. A capacidade nuclear agregada dos dois países não só não constitui uma alternativa ao guarda-chuva nuclear norte-americano, como nem sequer se aproxima da proteção por ele conferida.

Começando logo pelo facto do RU não dispor de capacidade nuclear autónoma. O programa nuclear inglês é um prolongamento do norte-americano. Se os EUA quiserem, o RU não dispara nenhum míssil. Depende dos EUA para tudo (manutenção, arquitetura, teste dos submarinos, etc.) e os misseis Trident são alugados aos EUA e encontram-se, na sua maioria, na Geórgia (EUA). Não deixa de ser hilariante a informação dada pelo desbragado almirante britânico Chris Parry de que um submarino com misseis Trident poderia varrer 40 cidades russas da face da terra. Por outro lado, o programa nuclear francês foi concebido para proporcionar dissuasão nuclear à França. Estendê-lo à Europa é uma ideia que tem tanto de perigosa como de ridícula.

Os dirigentes europeus estão amuados com a nova Administração norte-americana que lhes exige uma maior participação financeira na NATO. Despeitados pelo novo patrão os tratar com maior rudeza passaram a comportar-se de um modo insensato, sendo os principais responsáveis pela rotura com Washington a que temos assistido. Sem pensamento estratégico parecem dispostos a arrastar a UE para uma grande guerra contra a Rússia.

A União Europeia caminha sonâmbula para uma guerra perdida, à qual não tem capacidade para alterar o destino, cujo instigador está a abandonar por ter percebido que não a vai ganhar, tal como aconteceu no Afeganistão, coisa que os europeus ainda não atingiram.

Enquanto a necessária modernização das forças armadas europeias se basear em pressupostos errados, nada de bom se poderá esperar dela. Como diz Matos Gomes “este mantra [do rearmamento] assenta num conjunto de sofismas, de deturpações grosseiras… faz parte da comédia de enganos com que os dirigentes da Europa estão a iludir os europeus.” A Europa, que nasceu como um projeto de paz vencedora do prémio Nobel 2014, está a converter-se num projeto de guerra.

Fonte aqui.

Do blogue Estátua de Sal

terça-feira, 1 de abril de 2025

Entrevista a Paulo Raimundo - Crossfire CNN:

«BLOCO CENTAL LUSITANO» ESTÁ NA UCRÂNIA COM O «CLOWN» ZELENSKY, SOB O SIGNO «A UNIÃO EUROPEIA VENCERÁ»!!!

«Há um agressor e há uma vítima». Com esta frase imorredoura, José Pedro Aguiar-Branco inscrever-se-á, «per omnia saecula saeculorum», nessa história tão portuguesa dos grandes feitos de armas para além das fronteiras da Pátria.
O imorredouro «copinho de leite» que ainda é o presidente da Assembleia da República, tendo a seu lado o deputado imorredouro do PS Eurico Brilhante Dias (cujo nome já diz muito), foi à Ucrânia, porventura prometer uma vitória total (sobre a Rússia cruel e cheia de maldade) desse Ocidente tão maravilhoso como uma canção do falecido Marco Paulo, ao irresponsável «clown» (como ele próprio gosta de ser considerado) que ainda é o presidente da Ucrânia - apesar das fortíssimas suspeitas de corrupção (é só ler os “Pandora Papers”) e das várias centenas de milhares de mortos que deviam pesar, mas não pesam, na sua consciência de «clown» até há pouco manipulado pelos Estados-Unidos e pela NATO…
O presidente da Assembleia da República está, esta segunda-feira dia 31 de Março, na Ucrânia, onde vai participar numa cerimónia evocativa do terceiro aniversário do (alegado por Zelensky, mas nem sequer foi comprovado) «massacre de Bucha» por tropas soviéticas, perdão, por tropas russas. Além disso, o nosso «copinho de leite» tem prevista uma reunião (sem dúvida importantíssima!) com o tal Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky. Levará ao seu lado um deputado do PS, a avalizar a tese segundo a qual o «Bloco Central Lusitano» (a que poderia juntar-se o trotskysta e russófobo Bloco de Esquerda), quer estar (e vai estar?) na primeira linha do combate, ainda que sem armas e sem bagagens, contra os cruéis e malvados Russos, como tão desejado pelo triângulo politicamente inestético Ursula-Costa-Kallas (apesar desta estóniana ultra-reaccionária ser uma Kaja bastante ‘gira’) que governa o destino (fatal?) da União Europeia.
Campo d’Ourique, 31/03/2025 ALFREDO BARROSO

New York Times: EUA Controla Decisões na Ucrânia: