(Whale Project, in Estátua de Sal, 22/05/2026, revisão da Estátua)

(Este texto resulta de um comentário a um artigo que publicámos de Miguel Sousa Tavares, versando, entre outros tópicos, a atuação de Trump na condução da política externa dos EUA, (ver aqui). Pelas ideias manifestadas e pela acutilância indiscutível, resolvi dar-lhe destaque.
Estátua de Sal, 22/05/2026)
Lá temos o nosso querido Miguel Sousa Tavares (MST) a personalizar a coisa como se Trump fosse uma anomalia e os Estados Unidos fossem muito bonzinhos e respeitadores dos outros povos, se não fosse o “louco”.
Trump é apenas mais pornográfico e, numa coisa, poderá o MST ter razão. Ele é efetivamente alguém de uma crueldade extrema. Talvez nenhum presidente estado-unidense tenha sido tão cruel e tenha mostrado tanto desrespeito pelas vidas humanas.
Mas não é “louco” sozinho. Há militares, juízes, procuradores a seguir as suas ordens.
A troco de quê, uma infame múmia de Nova Iorque aceitou julgar Maduro? Foi Trump quem redigiu a infame acusação lançada contra Raul Castro e que pretende ser o pretexto e justificação para uma invasão de Cuba?
Foi Trump que bombardeou escolas e hospitais no Irão? É Trump que pilota os barcos que destroem embarcações no Atlântico matando as tripulações? É Trump que está no ICE? Trump é fruto de uma sociedade que nunca foi melhor que isso.
E, traidores locais que entregam cidadãos sem passar pelos tribunais, também sempre os houve. Delcy Rodríguez é uma víbora em forma de mulher mas não inaugurou nada.
Corria o ano de 2001 quando os Estados Unidos e a Europa Ocidental condicionaram o apoio para a reconstrução da Servia e Montenegro, territórios arrasados por meses de bombardeamentos da NATO, à entrega de Milosevic nas masmorras de Haia. O homem foi preso, logo que foi derrotado nas eleições e foi levado da cela diretamente para o avião sem tribunal nenhum. Voltou à sua terra num caixão. O primeiro-ministro traidor que o vendeu foi abatido cerca de quatro meses depois da venda; bom seria que o fim da traidora venezuelana fosse o mesmo.
Trump é um porco mas nada do que faz é novo. Acreditará o MST que Obama estava a pensar na liberdade do povo líbio quando, juntamente com os vassalos europeus, destruiu a Líbia? E quem é que começou a armar os nazis ucranianos?
A diferença é que dantes os europeus, que acabavam a ter de gerir crises de refugiados provocados pelas guerras americanas à sua porta, eram enrabados com vaselina, agora é à bruta.
Trump diz claramente quem manda. Porque, ao contrário dos outros, Trump diz claramente ao que vem. Mas ele não é uma anomalia nem é o único culpado. É fruto de uma atuação de sempre. O bloqueio a Cuba dura desde que os cubanos acharam merecer mais que ser o casino e a casa de putas dos Estados Unidos.
Trump pode querer carregar no acelerador, ficar na história como o destruidor da revolução cubana mas nada disto começou com ele.
Trump não é uma doença, é um sintoma mais intenso de uma doença que os Estados Unidos sempre tiveram: a ansia de dominar o mundo e a nefasta doutrina do destino manifesto. Tudo o resto é conversa.
Do blogue Estátua de Sal
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