segunda-feira, 28 de janeiro de 2019

O Bem também tem muitos inimigos:

(Dieter Dellinger, 26/01/2019)
jamaica
Foto: Costa no Jamaica na entrega de chaves e responde antecipadamente com esta foto à cabra da Cristas. Na segunda foto, o Condomínio Social da Torre na Alta de Lisboa, cujas casas ganharam o prémio mundial de arquitetura social de um ano que não me recordo.
No Bairro da Jamaica, 234 famílias foram realojadas em casas novas com todos os equipamentos sanitários e de cozinhas modernos. António Costa entregou as chaves a muitas famílias e a autarquia garante que dentro de menos de três anos toda a gente estará realojada com uma despesa global de 15 milhões de euros.
O bairro da Jamaica não é de barracas, mas sim de um vasto conjunto de prédios semi-construídos que habitantes vindos dos Palops ocuparam ilegalmente por não estarem devidamente protegidos com cercas.
O construtor tinha começado a obra com apoio bancário e faliu, tendo o banco que a informação não diz, mas parece que foi a CGD, salvo erro, perdido muitos milhões de euros por causa da ocupação, dado que vendeu por um preço irrisório os prédios ocupados e o terreno a outro construtor que não conseguiu apoio público para retirar as pessoas nem condições para melhorar os prédios, cujo destino vai ser a demolição, dado que completar a obra inicial é mais caro que fazer de novo.
Isto faz-me recordar quando eu – como membro da Junta de Freguesia – acompanhei o João Soares, então presidente da CML, e o presidente da Junta do Lumiar na entrega de chaves de casas novas.
Aquilo era um primeiro e grande lote de prédios de realojamento, mas não abrangeu todo o bairro, estando já as malhas para a construção de novos blocos preparadas com materiais e cercas.
Contudo, da parte de partidos da oposição ao PS foi dito que não seriam realojadas mais famílias e durante a entrega uma mulher do bairro avançou e pregou uma violenta estalada no João Soares que quase que caia no chão e perguntou porque não a realojaram.
João Soares não se mostrou muito irritado e disse:”minha senhora, todas as barracas vão sair daqui, aqui vai ser construída uma nova cidade, a Alta de Lisboa ou do Lumiar.
A polícia estava presente, mas não prendeu a mulher porque João Soares não quis e disse que não apresentava queixa.
É assim, as oposições não se lembram de certos problemas durante décadas, mas de repente quando começam a ser resolvidos ficam cheias de inveja e ciumes e fazem tudo para denegrir a imagem de quem está a fazer uma boa obra.
Hoje, a zona da Alta tem muito espaço, muitos blocos de realojamento têm vista para o Tejo e muito arvoredo à volta.
Estive lá há poucas semanas quando toda a Freguesia estava cheia de folhas de árvores e os serviços de limpeza não podiam limpar em dias tudo, até porque se limpava hoje e amanhã já estavam mais folhas. Os serviços foram equipados com vassouras pneumáticas e máquinas aspiradores, mas mesmo assim, só agora é que está tudo limpo e não estão a cair mais folhas.
Tudo está diferente numa das Freguesias mais solidárias do Mundo, onde tudo foi feito para as classes mais pobres, incluindo mantê-las a viver nos terrenos mais caros de Lisboa neste momento e terem associações de bairro com creches e locais para os ATL, escolas novas e escolas mais antigas em reparação.
Não fizemos como em Paris que atiraram os habitantes das barracas para muito longe da cidade. Ficou tudo no mesmo local, exceto numa quintarola que tinha sido ocupada e que o dono doou para efeitos sociais. Como o projeto de construção da avenida Carlos Paredes, não permitia a construção de casas sociais naquele local, os novos blocos passaram para uns duzentos metros mais para cima no local que a Carris libertou para o bairro social.
Os herdeiros do proprietário conseguiram que juízes inimigos da Pátria e de Lisboa multassem a CML em mais de 80 milhões de euros quando ninguém ficou prejudicado. Houve recursos atrás de recursos, mas a judicatura contra Portugal e a sua Capital não se demoveu e, provavelmente, ninguém foi ver os novos bairros. Esse dinheiro daria para muita obra social, mas a magistratura não quer saber, o seu objetivo de vida é destruir o PS. Estão a fazer o trabalho que fizeram as Forças Armadas contra o Partido Republicano Democrático na I. República.
Do blogue Estatua de Sal 

domingo, 27 de janeiro de 2019

Carta ao Pai Natal!



Vai fora de tempo mas o pedido ao Pai Natal está sempre actual


Querido Pai Natal…

Neste Natal queria que me devolvesses aquele senhor de Carvalhosa, muito jeitoso, simpático e amado na minha Terra, que após ganhar uma eleição foge de Freamunde como o Diabo foge cruz. Por vezes em noites escuras e ausentes de gente, ele volta fugazmente para ser fotografado ao acender das iluminações verdes e amarelas que por cá colocou, mas de novo pela noite calada esvoaça rapidamente para o seu castelo lindo e harmonioso que faz Freamunde parecer um pântano de rãs verruguentas ao seu pé.

Neste Natal queria que me colocasse no sapatinho um presidente de junta. Prometo colocar no outro sapato em forma de devolução, o action figure de presidente que temos, porque confesso que já não consigo brincar com ele. É fofo, faz tudo o que lhe pedem, mas faz nos falta alguém que reaja e diga: Não!

Neste Natal queria um Parque de Lazer que tenha campos de ténis e ‘’cenas’’ radicais para a malta fazer um kickflip de modo a impressionar as miúdas giras, tipo aquelas que aparecem nas inaugurações de lojas na faraónica cidade vizinha.

Neste Natal, apelo à sua compreensão enquanto pessoa idosa, e que faça o velhinho SC Freamunde sair das ruas, onde sozinho dorme ao relento, e que na sua velha lata onde tem escrito: AJUDEM-ME, coloque lá o subsídio, que a si o peço, mas que a outros o exijo.

Neste Natal quero que o Capão à Freamunde que me vai encher o bandulho na noite de consoada seja o Capão à Freamunde de Freamunde! Até pode vir de São de Covas, no concelho de Lousada, mas que seja chamado e referenciado como de Freamunde.

Neste Natal gostaria que me devolvessem o coro rapinado a Freamunde, juntamente com o Festival igualmente saqueado com um sorriso nos lábios de quem a fez bem feita, passando por entre as pingas de chuva ácida que vai corroendo o empobrecido solo de Freamunde.

Neste Natal gostaria de receber um exército de pedreiros, um batalhão serventes e uma frota de maquinaria de obras para ajudar aqueles três ou quatro homens que no meio da lama, hoje não, amanhã sim, vão lutando contra o tempo, para edificar uma obra que necessita de estar pronta em 2021.

Neste Natal gostaria de ver aquele presépio em Santo António… eu sei que o menino Jesus gosta de farturas, mas não me lembro de nenhuma passagem bíblica citando uma roulotte de farturas bem junto da manjedoura!

Neste Natal desejo que as ruas principais de Freamunde se encham de vida, e que as casas, lojas e fabricas abandonadas, que nos desenham hoje com traços de cidade fantasma, sejam apenas um mau sonho que tive.

Neste Natal desejo a paz, que o presidente da Junta de Paços nº1 (vulgo senhor de Carvalhosa) se entenda com o presidente de Junta de Paços nº2 (o que foi eleito pelo povo para ser presidente de junta daquela freguesia), porque dessa forma, talvez o primeiro entenda que a sua missão também engloba Freamunde!

Por fim, peço-te meu querido Pai Natal, que me guies na madrugada de 13 de dezembro até casa, são e salvo, porque a dor que sinto ao ver Freamunde morrer é tanta, que beberei facilmente um almude de vinho verde para esquecer tudo…. até desta carta que te escrevo…

Meu Pai Natal!

Do blogue O Provedor Freamundense

O que a Liga ou a FPF vão fazer?

Um adjunto do FCP agrediu um adepto com uma medalha.
Onde vão andar os moralistas dos últimos dias
Vão perguntar a Sérgio Conceição sobre o tema?
Vão perguntar a Sérgio Conceição se é insuportável assistir à falta de fair play?
Recebem guarda de honra e depois vão embora?
Tudo isto vai passar impunemente?
O que se diria se fosse com o SL Benfica?
Já agora, o Soares está melhor? Espero que as análises ao sangue não acusem nenhuma doença...



História com vida:


Sei de quem – hoje não está entre nós – há setenta anos, este dia, era um dia especial. Conto para quem me lê saber do acontecido.
Há medida que os dias iam passando esse “quem” sentia a sua barriga alterando. Alteração que não era derivada da gordura natural da sua barriga mas sim das causas naturais da mulher e da vida. Não era da gordura por que nessa altura a vida não dava aos mais humildes para engordar das “faustosas” refeições que tomavam. Não! Naquele tempo era tudo à míngua. O que é certo é que a barriga já há uns meses que não crescia. As dores aproximavam-se.
Não é que não houvesse experiência. Havia. Antes três anos tinha passado pelo mesmo. E pelo tempo fora umas quantas vezes. É que naquela época a função da mulher era doméstica e parideira. A mais humilde era educada para essa função. Depois de casada. Que antes era criada de servir.
Também não havia outra forma de combater esta função. A tecnologia era rara. De Telefonia, Audiovisual ou Comunicação Social estava Portugal carente. O que ensinava o Mestre Escola era o ABC. A Educação Sexual era um tabu. Julgo que os Mestres-escola também estavam carentes disso. Pois conheci muitos com uma carrada de filhos. Também não era pelo Abono de Família. Nesse tempo não existia.    
Uma coisa é certa. Aproximava-se o dia de amanhã. Há que reter no galinheiro a melhor galinha para ser cozinhada uma canja. Dizem os entendidos que ajudava a que à parideira não lhe faltasse o leite materno. Portanto do dia sabia-se. Da hora é que não. Mas dizem os antigos que nestes casos o que importa é uma boa hora.  

sábado, 26 de janeiro de 2019

Ricardo Araújo Pereira e Alberto Gonçalves, a mesma luta:

"Escrever sobre o Ricardo é um aborrecimento medonho. O Ricardo é letrado, lúcido, brilhante, amável e mais uma data de características que o afastam do português médio, do humorista português médio e do participante da “Quadratura do Círculo” médio. Para cúmulo, o raio do tipo tem graça, o que não tem graça nenhuma para quem se oferece a analisar impiedosamente os seus trabalhos.
Por sorte – sorte do presente texto, que isto não vai lá movido a elogios – o Ricardo possui um defeito: convenceu-se, não imagino porquê, de que é de esquerda. Claro que não é.»
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Corria o ano de 2007 quando o PNR colocou no Marquês de Pombal um cartaz onde defendia a expulsão de estrangeiros e o fim da imigração, em nome do “nacionalismo”. Os Gato Fedorento surpreenderam mediática, social e politicamente – mas também culturalmente – o País ao colocarem ao seu lado um cartaz que parodiava a mensagem do PNR; no que ficou como a primeira crítica política através do humor usando exactamente o mesmo veículo semiótico da entidade visada (que eu conheça). O exercício criativo dos Gato foi apenas dirigido àquelas ideias do cartaz em causa e não a outras do PNR, ainda menos à legitimidade cívica da pessoa protagonista na imagem ou das pessoas terceiras que apoiassem as propostas do PNR. Poderia ter sido um corriqueiro número cómico a ter sido gravado para a televisão ou Internet, situação em que talvez tivesse passado sem qualquer reacção notável e memorável. Ao optarem pela réplica exacta do meio e códigos de comunicação, o impacto foi muito superior porque o efeito político do humor atingiu o grau máximo da caricatura social e seu efeito corrosivo e iconoclasta. De imediato surgiram ameaças à integridade física dos próprios e de familiares seus, tendo a PSP montado um qualquer tipo de segurança ao Ricardo Araújo Pereira (pelo menos) até se considerar extinto o clima de vingança. Cínicos podem ver na decisão de afrontar a extrema-direita apenas uma manobra de promoção da marca Gato Fedorento, usando um tipo de ataque que iria recolher apoio e simpatia na enorme maioria da população dada a quase marginalidade e entranhado desprestígio do PNR e sua agenda política ao tempo. Já os apaixonados pela cidade ficaram profundamente agradecidos com a inteligência e coragem demonstradas, ficando a admirar ainda mais quem usava os seus dons artísticos para defender a comunidade da violência desumana propagandeada sob a alçada da democracia e do Estado de direito. Dez anos e tal depois, esse Gato Fedorento que nos encantava, desopilava e orgulhava trocou de cartaz.
O Ricardo é agora principalmente conhecido por ser a estrela e locomotiva do Governo Sombra, um programa que reúne três (quatro?) personalidades unidas na sua perseguição política ao PS. O José Diogo Quintela foi para o esgoto a céu aberto sacar uns cobres a alimentar o clima de ódio e perseguição política ao PS. O Tiago Dores ingressou recentemente no Observador onde faz coro na madraça para a perseguição política ao PS. Resta o Miguel Góis, que aparenta ser apenas publicitário mas que, calhando imitar os colegas, tem muito por onde escolher se a intenção for a de ganhar dinheirinho do bom na perseguição política ao PS. Obviamente, não há problema algum em existir quem queira aumentar a sua riqueza, ou garantir a sobrevivência, através da perseguição política ao PS. É um estilo de vida tão meritório como o daquelas pessoas que vendem suplementos de cálcio aos velhinhos ou que prometem curas milagrosas pela módica quantia de 10% do rendimento mensal (mas pode sempre dar-se mais, eles fazem o sacrifício de aceitar o acréscimo de fé e o milagre chega garantidamente mais cedo). É tudo legal, parece. O problema reside apenas nos meios pelos quais se atingem os fins, esse primado incontornável da decência onde se aceitam limites impostos pelo respeito da liberdade alheia e pela obediência à consciência própria. Ora, constatámos nos últimos anos que a decência como valor limite foi apagado do vocabulário destes felinos malcheirosos, agora estrelas de uma facção política que domina a comunicação social. Uma facção que perdeu qualquer prurido ou receio em cultivar formas de violência moral, policial e judicial que até há uma ou duas décadas foram estranhas na Europa e em Portugal.
Quando se vê a maior figura viva do humor nacional a seguir ao Herman José, e superior a ele em influência para quem nasceu a partir dos anos 80, a usar registos de escutas e interrogatórios a cidadãos inocentes (porque ainda não condenados por nada de nada) – divulgadas através de crimes cometidos por magistrados, ou agentes da Justiça, e por crimes cometidos por jornalistas e seus accionistas – para acrescentar à violência dessa exposição ilícita da privacidade e da fragilidade a violência da difamação, da calúnia e do achincalhamento, então já não estamos perante um exercício de comédia ou sátira, ainda menos de “crítica ao poder” ou “luta contra os corruptos”. O espectáculo assim servido, e cobrado, é um linchamento. Trata-se de um assassinato simbólico que serve pulsões de vingança e de ameaça. E tem um efeito cognitivo com vastas consequências políticas: o texto da Constituição, a noção de Estado de direito democrático, a arquitectura da soberania, e os princípios das liberdade e garantias individuais desaparecem do discurso mediático substituídos pela lei do mais forte. Ter o Ricardo a fazer justiça pelas suas próprias indecências, mergulhado no rancor nascido de ser um espoliado do BES, deixa um influentíssimo exemplo social cuja natureza é deletéria e vexante para a integridade da comunidade.


No primeiro episódio de Gente Que Não Sabe Estar, a humilhação de cidadãos envolvidos em processos judiciais foi o prato forte. Esse à-vontade, essa impante impunidade cívica e moral, permite antecipar que o Ricardo adoraria poder levar as suas câmaras para dentro das prisões e continuar a castigar os detidos com o seu “humor”. Vê-los a fazer chichi e cocó, a meter o dedo no nariz, a ouvirem bocas dos outros presidiários, de preferência homoeróticas para a gargalhada ser mais alta. E largar por cima dessas captações politicamente totalitárias, em nome do interesse do público, as suas piadinhas e piadolas em nome da liberdade de expressão do seu ódio. E talvez fosse menino para aceitar, em parceria com o Correio da Manhã, correr a Grei com Vara e Sócrates dentro de uma jaula para mostrar ao bom povo o que são os tais corruptos de que tanto se fala. Tamanha desumanização daqueles reduzidos apenas ao estatuto de inimigos, diabolizados para serem tratados como indignos de qualquer direito constitucional ou mínima protecção moral, tinham de merecer o desvairado aplauso dos colegas de tortura. Foi o que fez o Alberto Gonçalves, dizendo, por uma vez, a mais pura das verdades. O Ricardo Araújo Pereira já não é de esquerda. Mas também não é de direita, pois ser de direita não obriga ninguém a ser pulha. Será antes alguma coisa que, mais dia menos dia, também receberá os elogios do PNR. Afinal, Sócrates consegue fazer os mais miseráveis parceiros de cama na matilha que o persegue e dele se alimenta.

Do blogue Aspirina B

quinta-feira, 24 de janeiro de 2019

O que nos estão a dizer sobre a CGD:

Não vos vou falar da lista de que já ouviram falar 178.234 vezes nos últimos três dias. Sim, há ali dados preocupantes. Sim, a CGD pode e deve responder por aquilo que andou a fazer e dar garantias de que não se repete. Nada do que a seguir se escreve é para diminuir ou temperar a responsabilidade dos gestores e do acionista Estado. Ela existe e deve ser apurada.
Mas não podemos aceitar em silêncio duas ideias que andam à boleia deste Relatório.
Muito diretamente: não, a CGD não foi a única e não é por ser um banco público que se meteu em sarilhos, todos os bancos o fizeram, em certa medida, e o BES mais do que todos; não foram os portugueses que andaram a viver acima das suas possibilidades, foram meia dúzia de supostos “empresários” que ainda são capazes de ter andado a dar entrevistas sobre a necessidade de cortar salários e pensões e a nossa imprensa aceita acriticamente esta palhaçada completa.
Vamos aos dados. Em 2015, e se alguém por aí tiver dados mais recentes por bancos, por favor avisem (vá-se lá saber porquê, deixaram de ser publicados sem ser de forma agregada) a CGD estava como outros grandes bancos, isto é, para além do problema BES/NovoBanco, exatamente onde seria de esperar que um banco da sua dimensão estivesse:


Segundo, o problema do malparado em Portugal não está nas famílias, e muito menos no crédito à habitação. Os portugueses não andaram a viver acima das suas possibilidades, com exceção de meia dúzia que aparecem citados no Relatório da CGD. Essa é uma mentira conveniente usada por alguns políticos sem escrúpulos.
Dados de dezembro do Banco de Portugal não deixam dúvidas. Basta reparar que as curvas de evolução são parecidas, mas o malparado das famílias é menos de um terço do total. Sempre foi.
E, dentro das famílias, o incumprimento no crédito à habitação anda em torno dos 5%, ou menos de um quinto do malparado das empresas. Tendo em conta as políticas de austeridade dos últimos anos, com perdas de rendimento e aumentos de impostos simultâneos, os portugueses são uns heróis.


Portanto, critiquemos a gestão passada da CGD, mas não nos deixemos condicionar pelos termos em que a conversa pública se vai processando: ao serviço dos interesses do costume e da defesa de políticas públicas que infligem dor desnecessária nos 99% que pouco têm a ver com tudo isto.

Marco Capitão Ferreira

No Expresso


A nomeação:

(José Gabriel, 23/01/2019)
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(Portugal, e Camões mereciam melhor sorte, não sendo entregues a um charlatão, a um caluniador direitola sem qualquer currículo digno de louvor. Mas, para Marcelo, este é o tipo de escriba que o país precisa e deve ser destacado.
Mais uma vergonhosa mancha no percurso do “selfie made man”. Já não chegava o beija-mão ao Bolsonaro, agora acrescenta uma vénia a este sacripanta. A Estátua aposta que, não tarda muito,  Marcelo ainda vai tirar uma selfie com o André Ventura, senão mesmo com o Mário Machado.
Comentário da Estátua, 24/01/2019)

Então Marcelo Rebelo de Sousa nomeou João Miguel Tavares para presidir às comemorações do 10 de Junho (Ver notícia aqui).
Acidentalmente, ao tentar confirmar esta notícia – na qual não queria acreditar – topei com o sorridente agraciado ao lado de Rui Ramos, historiador (à sua muito particular maneira). Pensei que, com o popular Emplastro ao lado estaria completa uma boa equipa. Depois, com algum embaraço, admito, achei que estava a ser injusto para este último o qual, para lá das suas obsessivas aparições televisivas, nunca fez mal a ninguém. Marcelo, com esta nomeação, leva a cabo o seu propósito de não deixar vazios espaços que o populismo possa preencher. Ele, – e os seus amigos -, tratam disso. Preenchem que se fartam.
O Dia de Camões tem sido presidido por ilustres figuras. Nem sempre consensuais, mas todas com inquestionáveis habilitações – designadamente académicas. Todos nos lembramos de Jorge de Sena, João Caraça, Sobrinho Simões, Onésimo Almeida e outros.
Finalmente – e, quiçá, pela primeira vez – as comemorações serão presididas por alguém que poderá não fazer ideia de quem são e o que fazem ou fizeram estes seus antecessores.
É o triunfo do comentadorismo rasca, do lixo televisivo e jornalístico! Parece que a intenção de Marcelo é trazer para a ordem do dia os problemas da comunicação social. A escolha de João Miguel Tavares evidencia o que o presidente dela espera.
Aguardamos agora, com natural ansiedade, dados sobre quem se encarregará da animação cultural. Quim Barreiros, Tony Carreira ou o Avô Cantigas? E, espero, nas artes plásticas não serão esquecidos os trabalhos em cerâmica produzidos nas Caldas da Rainha. É preciso manter o nível!
Adenda (com o perdão do nosso Luís Vaz…):
Busque Marcelo novas artes, novo engenho,
para lixar-me, e novas esquivanças;
que não pode tirar me as esperanças,
que mal me tirará o que eu não tenho.


Do blogue Estátua de Sal