terça-feira, 28 de agosto de 2018

A Cristas diz que António Costa julga que está num país das maravilhas:

(Dieter Dellinger, 27/08/2018)
Toys
CARTOON IN BLOG 77 COLINAS
(A Sãozinha e o Melo tiraram o verão para satisfazer uma paixão de infância que já tinham esquecido: brincar aos comboios. A Cristas tem-se divertido imenso e em cada estação onde pára, sai uma crítica ao Governo e às “esquerdas encostadas”, como ela adora dizer. 
O mais ridículo é ela falar de “encostos” à esquerda, quando o CDS nunca contou para nada na política em Portugal, a não ser quando se “encostou” ao PSD.
Comentário da Estátua, 27/08/2018)

Ela mostra o seu profundo desconhecimento da economia e situação mundial comparada com a zona euro e com Portugal.
Portugal tem uma taxa de desemprego da ordem dos 6,9% e a Zona Euro está nos 9,2%. O PIB português cresce um pouco mais que a zona euro, sendo, contudo, bastante mais baixo que o dos países mais ricos, mas não com uma diferença gigantesca.
Portugal tem uma dívida externa real muito mais baixa do que dizem as estatísticas devido à entrega de dívida pelo BCE ao BP e às reservas para amortizações, sendo da ordem dos 92% reais. Mário Centeno conseguiu gerir as finanças europeias no contexto europeu a ponto de ser eleito para a presidência do Eurogrupo, o que é algo que nem a Cristas nem a Catarina Martins entendem.
A Zona Euro é, sem dúvida, o país das maravilhas do Mundo inteiro, pois com 4,5% da população mundial detém 15,6% do Pib também mundial.
O Pib português é de aproximadamente 75% da Zona Euro, o que supera em muito o PIB per capita da maioria das nações do Mundo.
Portugal não é o primeiro país do Mundo e seria estúpido pretender que fosse quando não possui recursos naturais como carvão e ferro que deram origem à revolução industrial e tem um clima instável que não permite rendimentos regulares aos agricultores.
Mesmo com essas dificuldades, o que mais se discute é o pequeno atraso de comboios que não são todos novos quando há 6 milhões de automóveis e outros tantos contadores domésticos, segundo as estatísticas da EDP e que significam habitações independentes em prédios ou moradias. Além disso, todos os verões discute-se a falta de algum pessoal aqui ou acolá porque todos os trabalhadores têm o seu direito a um mês de férias acrescido de um segundo ordenado.
Estes número dizem pouco para quem desconhece os dramas que acontecem no Mundo. O nosso vizinho continente africano tem 54 nações e cerca de 15% da população mundial e apenas 1% do PIB de todo o Mundo.
Mais de metade da população africana desejaria emigrar para a Zona Euro e a maior parte dos seus países estão na miséria total como estão muitos da América Latina, a começar pela Venezuela, e da Ásia.
A zona euro é muito mais rica que outros países da União como a Polónia, Roménia, Bulgária, etc.
O desastre humanitário em vastas zonas do Mundo não tem comparação com nada no passado e já desembarcam africanos em Cádiz e qualquer dia chegam às costas algarvias.
O Mundo está a caminho de um imenso desastre humano devido ao excesso de população e falta de recursos. Portugal não tem esse excesso e a sua natalidade é baixa com uma elevada esperança de vida.
Portugal tem uma elevada percentagem de população envelhecida que não ficará por cá até aos 150 anos de idade. De acordo com as fórmulas matemáticas das “filas de espera”, a população infantil de hoje terá de sustentar uma população reformada equilibrada, ou seja, muito inferior à população ativa, mesmo que se viva para além dos 90 anos de idade.
Enfim dizer mal sem literacia matemática ou estatística é fácil e demasiado estúpido. Inteligente é conhecer os dados e isso está arredado dos neurónios da Cristas.
Do blogue (Estátua de Sal)

segunda-feira, 27 de agosto de 2018

Marques, mentes? Minto.:

(Dieter Dellinger, 26/08/2018)
Marques_Mendes

(Hoje, no seu comentário semanal na SIC, o Mendes abriu o “dossier” da recondução da Procuradora Joana, talvez a pedido de Marcelo, que quer colocar o tema na agenda mediática e assim condicionar as opções do Governo. E foi dizendo que a Procuradora fez um mandato excelente. Claro, excelente para a direita, cujas patifarias nunca investigou, a começar pelas do próprio Marques Mendes, acusado pelo fisco em 2014 de lesar o Estado em 773 000 euros. (Ver aqui). Sobre esta história nunca mais se ouviu falar, logo, eu se fosse o Mendes, também queria a recondução da Joana! 🙂
Comentário da Estátua, 26/08/2018)

Estou a ouvir o Marques Mendes a MENTIR com todos os dentes e mais alguns que tem na boca.
O pequeno diz que Joana Marques Vidal acaba o seu mandato em Outubro mais prestigiada que quando começou. Mais prestigiada?
Por ter safado Paulo Portas do crime de corrupção ao receber 30 milhões da Ferrostaal, recusando ler e utilizar o processo alemão que condenou os dois administradores alemães a dois anos de cadeia por corromperem Portugal?
Joana Marques Vidal ao recusar investigar e até perguntar alguma coisa a Paulo Portas roubou 140 milhões de euros de indemnização a Portugal a serem pagos pela Ferrostaal se houvesse uma condenação aqui.
Também sai “prestigiada” por se saber que quando orientou os tribunais de família deixou a IURD roubar crianças em Portugal?
Também sai “prestigiada” por deixar a PÁTRIA a arder sem acusar os INCENDIÁRIOS?
Joana não conseguiu ainda averiguar nada de concreto por causa do BPN, cujos administradores saíram livres, nem sobre o BES e até as acusações contra o ex-PM Sócrates não têm qualquer consistência.
Pela PÁTRIA a Joana Marques Vidal nada fez e em termos de justiça deixou tudo PIOR do que estava. Seria uma AFRONTA a todos os portugueses, aquela senhora ser reconduzida para um novo mandato de SEIS ANOS´,
Do blogue (Estátua de Sal)

sábado, 25 de agosto de 2018

Espaço da minha meninice:


As crianças da era 50, 60 do século passado e outras de décadas anteriores, eram no espaço que agora - século actual - está a ser demolido, o seu passatempo. De manhã à noite era um porfiar de jogos de futebol. Descalços ou calçados, vencidos ou não vendiam caro o prélio. Fiz parte desse grupo.

Hoje esse espaço está a ser demolido. Há cerca de um mês foram oito plátanos derrubados, derivado à sua doença.
A máquina (Caterpílar) está a sugar a terra para os tubos serem instalados para servir de conduta aos cabos eléctricos e outros com a finalidade de não haver cabos eléctricos à superfície.
Dizem que as obras andam a pássaro de caracol. Mas nesta altura admite-se derivado ao período de gozo para férias.

Vindo Setembro exige-se outra rapidez. É que não estamos para ver o arranjo do Centro Urbano tornar-se numas obras de Santa Engrácia.

Para a posteridade exibo umas fotas do ex-campo de futebol da garotada e anos mais tarde parque de estacionamento de automóveis.
Quanto às obras espero que seja do consenso da maioria dos Freamundenses. De todos é impossível.  

sexta-feira, 24 de agosto de 2018

Um traidor safa-se e outro é acusado sem provas:

(Dieter Dellinger, 23/08/2018)
portas_sub
No próximo dia 21 de Novembro completam-se 4 anos desde a detenção do ex-PM Sócrates no Aeroporto com a Televisão convidada para assistir ao espetáculo.
Depois Sócrates teve 9 meses de prisão em Évora com a magistratura a dizer que tinha provas concretas.
O Ministério Público arranjou mais 27 arguidos para juntar ao processo de Sócrates e elaborou 188 acusações, mas nenhuma tem uma prova evidente de crime. Não há uma confissão, uma delação, uma testemunha de algo irregular.
Ao contrário disso, no caso de Paulo Portas há um tribunal alemão que condenou dois administradores da Ferrostal por terem corrompido o então Ministro da Defesa para fazer a aquisição dos submarinos por um preço muito superior a outros mais avançados adquiridos pela Coreia do Sul e Grécia (também com corrupção), e obrigou a empresa a pagar uma multa de mais de 140 milhões de euros a Portugal se os tribunais portugueses condenarem o ou os corrompidos. Como isso não aconteceu, o prejuízo para o Estado português cifra-se em 174 milhões de euros.
Hoje sabe-se que os 30 milhões vieram do equipamento necessário para fazer a manutenção dos submarinos no Arsenal do Alfeite, pelo que tinham de ir a Kiel na Alemanha para esse efeito, o que custava uma fortuna, tanto na navegação como nos trabalhos..
Parece que o atual Governo adquiriu já esse equipamento por essa verba porque sem a manutenção feita no Alfeite, a operacionalidade dos submarinos seria quase nula.
Paulo Portas traiu a PÁTRIA por 30 milhões e anda por aí todo contente da vida porque a magistratura nem sequer o chamou para ouvir e consta que a PGR se recusa a ler o processo alemão por não saber essa língua e não o mandar traduzir como seria o seu dever.
O processo prescreveu, permitindo a Paulo Portas concretizar um crime perfeito apoiado no grupo de magistrados de extrema direita que dominam a Justiça em Portugal. Parece que são poucos, mas conseguem impor-se a todos os colegas.
Do blogue (Estátua de Sal)

terça-feira, 21 de agosto de 2018

A legitimidade da ONU, a legitimidade de Lula da Silva:

Brasil: a ONU junta- se à desobediência civil

Numa decisão rara, o comité de direitos humanos da ONU decidiu, na passada sexta- feira, face à “existência de possível dano irreparável” , transmitir ao Estado Brasileiro “ a adopção de todas as medidas necessárias para assegurar que o requerente( Lula da Silva) usufrua e exerça todos os seus direitos políticos enquanto está na prisão , na qualidade de candidato nas eleições presidenciais de 2018, o que incluiu o acesso adequado à imprensa e aos membros do seu partido político” . Não se trata ainda do julgamento de mérito sobre o caso concreto, que está em apreciação, mas de uma decisão preventiva para defender o direito de Lula a candidatar-se e ainda o direito dos brasileiros a votar em quem desejam. O Brasil deve, pois, abster-se de qualquer decisão que impeça o antigo presidente de ser candidato.
As instituições brasileiras reagiram de cabeça perdida: o Ministério das Relações Exteriores dizendo que “as conclusões do Comité tem um caráter de recomendação e não possuem efeito juridicamente vinculante”; o Ministro da Justiça afirmando que se trata de “ interferência indevida”; a imprensa assustada ignorou escandalosamente a notícia, e o candidato Jair Bolsonaro, aproveitou para dizer que se for eleito “sairá da ONU” que não passa de “ reunião de comunistas”. Um velho jornalista dirá, desalentado :” a mesma reação que a ditadura tinha quando era condenada”
Vejamos. O Brasil ratificou o Pacto Internacional de Direitos Civis e Políticos em 1992. Em 2009 decidiu ir mais longe incorporando na sua ordem jurídica interna o chamado Protocolo Facultativo através do decreto legislativo nº 311/ 2009 reconhecendo, desta forma, a jurisdição do Comité para analisar eventuais violações às disposições do Pacto. O Protocolo chama-se facultativo por isso mesmo – o País pode permanecer no Pacto sem o ratificar, mas, ao fazê-lo, passa a reconhecer voluntariamente a jurisdição do comité, obrigando-se a cumprir as suas decisões. Toda esta deambulação histórica para dizer com segurança o seguinte: a decisão é obrigatória e vincula todos os poderes públicos brasileiros –o poder legislativo, o poder executivo e o poder judiciário.
Viremo-nos agora para a política que, afinal, está no centro de tudo. Cada vez que penso na situação política brasileira vem-me ao espírito a biografia de William Pitt, que foi o primeiro ministro inglês mais novo da história britânica, com apenas 24 anos. No primeiro debate parlamentar a sessão foi tumultuosa, com os deputados aos berros apontando-lhe a falta de experiência e de maturidade para conduzir os destinos do Império. Quando chegou a sua vez de falar levantou- se para lembrar os seus honoráveis colegas que tinha sido eleito pelo povo e nomeado pala rainha: “ não cheguei aqui pela porta dos fundos”, disse. A frase ficou. É uma daquelas frases que qualquer Chefe de Estado democrático deve poder dizer em qualquer momento e em qualquer circunstância: não cheguei aqui pela porta dos fundos. Pois bem, aqui está uma frase que nem o Presidente Temer nem nenhum dos seus Ministros que agora se pronunciaram está em condições de dizer e muito menos em ocasiões solenes. Este é o problema do governo brasileiro e tem a ver com uma pequena palavrinha muito cara à democracia- legitimidade.
Ódio e escalada: primeiro, o impeachment, depois a prisão, depois a inelegibilidade, agora o desprezo pelo direito internacional. Eis o que vemos no Brasil: um regime completamente desmoralizado, sem parlamento, sem governo, sem política, sem autoridade. Um regime entregue a personagens de opereta – um juiz que promove escutas ilegais e as divulga; um diretor da policia que desrespeita a ordem judicial de soltura de Lula porque recebeu um telefonema ordenando-lhe o contrário; um chefe militar que avisa que não aceitará impunidade e que está atento “às suas missões institucionais”; um Tribunal dito Supremo que se transforma subitamente em Parlamento, aprovando, com recurso a estapafúrdias hermenêuticas jurídicas, verdadeiras alterações à Constituição, por forma a que se possa, sem sentença judicial transitada em julgado, prender um líder político.
Regressemos à ONU. Alguns dirão que esta não tem forma de fazer cumprir as suas decisões. Sim, não tem, mas tem do seu lado a arma mais importante : a legitimidade, isto é a autoridade que dispensa a força. Do outro lado está apenas a força sem nenhum tipo de autoridade. Podem não cumprir, é certo. Mas não sei como, depois disso, ainda esperam que a ONU reconheça as eleições brasileiras como livres e justas. Bem vistas as coisas, talvez o mais importante legado do mandato de Lula à política brasileira tenha sido a aprendizagem democrática de transformar velhos inimigos em leais adversários. Infelizmente estes não se tem mostrado a altura dessa herança, e essa é toda a desgraça da democracia brasileira. Estamos já em campanha eleitoral e o antigo Presidente continua à frente das sondagens – e com percentagens acima da soma de todos os outros candidatos. O povo parece não acreditar que o seu processo judicial foi justo e não se dispõe a desistir dele. O antigo ministro das relações exteriores, Celso Amorim diz que “ a desobediência civil esta nas sondagens”. Agora, a cinquenta dias da eleição, a ONU resolveu juntar-se à desobediência.
Um artigo de José Sócrates:
Lisboa, 19 agosto de 2018

segunda-feira, 20 de agosto de 2018

Santana Lopes e suicídio das velhas baratas:

(Carlos Matos Gomes, 19/08/2018)
santana_barata.PNG
(Este texto merece séria reflexão. Tão séria quanto a atenção que deve ser dada ao nascente partido de Santana. Quando a terra está de feição não é preciso ser grande agricultor alcançar uma boa safra é, em síntese, a metáfora que me ocorre para dar conta das preocupações do autor.
Comentário da Estátua, 20/08/2018)

Santana Lopes e suicídio das velhas baratas. O Partido Santana Lopes, os reis que vão nus. Desde logo: o rei que vai nu não é o Pedro Santana Lopes. Os reis que vão nus são o BE, que não é radical nem revolucionário, é o PC, que não é comunista, é o PSD, que não é social democrata, é o CDS que não é democrata cristão. Resta o PS, que se assumiu desde o comício da Fonte Luminosa, em 1975 como o “rassemblement” de sociais democratas e democratas sociais, no sentido que a social democracia e a encíclica Rerum Novarum de Leão XIII tomaram no pós-guerra e na guerra fria.
Esses é que vão nus: não têm roupagem ideológica que lhes cubra o corpinho. Nem o BE nem o PC podem (nem querem, nem existem as tais condições objectivas) fazer qualquer mudança estrutural do regime demo capitalista, nem o PSD e o CDS podem fazer mais do que fazem: alterações pontuais na distribuição da riqueza entre assalariados e gestores, com o grosso a ser acumulado pelo sistema financeiro.
De Pedro Santana Lopes se poderá dizer o mesmo que o Santo Agostinho dizia pragmaticamente do Diabo: O Diabo não é diabo por ser mau, mas porque é velho. Pedro Santana Lopes não é mau por ser liberal, não é político por querer o bem do povo, mas porque anda cá há tempo suficiente para perceber o que está a dar para o povo comprar.
Ele está no mercado da política há muito tempo. O liberalismo de face descoberta está em alta. Vende. E com as ajudas certas da concorrência ainda vende melhor. Não existe melhor promotor do liberalismo que maus serviços públicos. Que um Estado que não proporciona serviços básicos de qualidade.
Pedro Santana Lopes percebeu – não é difícil – que o mercado político em Portugal está polarizado num Partido Socialista que tem, tant bien que mal, uma identidade ideológica, e que o resto são produtos contrafeitos, que, por isso não ganham eleições e não dão acesso ao poder.
O PC e o BE são hoje porta-vozes dos sindicatos da função pública. E os grandes sindicatos da função pública, aqueles que asseguram os serviços que dão alguma “alma” ao estado social, sindicatos da saúde, do ensino e dos transportes, são, com as suas ditas (e sempre justas) lutas – em que se alegram e celebram como vitórias terem deixado 2000 doentes sem cirurgias, ou 90% de uma população sem transporte, ou os alunos sem aulas nem exames – aliados de beijo na boca de um partido liberal, que defenda a liberalização dos serviços essenciais.
É que não há greves nos hospitais e clinicas privadas, nem nos colégios privados, nem lutas por descongelamentos de carreiras, nem cirurgias adiadas! Dirá Santana Lopes, dizem os liberais!
É demagogia? É. Mas é isto que um partido liberal vai vender e não há como contestar – para mais com a ajuda da comunicação social engajada. O partido de Santana Lopes vai vender seguros de saúde, vai vender planos de reforma. Vai fazer na saúde e na educação o que está a ser feito – sem um ai dos sindicatos, se bem repararam, sem uma excitação nem de Jerónimo nem de Arménio, nem da Catarina – o que os bancos estão a fazer: despedir, fechar, cobrar todos os serviços.
Pedro Santana Lopes sabe tudo isto. Vão chamar-lhe demagogo. E ele vai agradecer a demagogia do Mário Nogueira e da FENPROF, a demagogia do médico, ou enfermeiro que se ufanou de ter anulado 2 mil cirurgias nos hospitais públicos.
O Partido Santana Lopes vai meter o dedo na virilha dos partidos da demagogia, sim, os do sistema, vai meter o dedo na virilha dos sindicatos do funcionalismo. Mais interessante, vai utilizá-los para a sua promoção.
Quando, para os maiores partidos do sistema, os principais problemas são o descongelamento das carreiras dos professores do secundário (o tal 432 do desmiolado Nogueira), ou das horas extraordinárias de médicos e enfermeiros, que se batem pela diminuição da carga horária no SNS para irem arredondar o salário no privado, quando o PSD de Rio não sabe se o problema é do défice ou da dívida e o CDS da Cristas diz o que os ventos do dia e os incêndios ditam, entre o eucalipto e a velocidade dos tuk tuk, é óbvio que apresentar uma alternativa liberal – de privatização dos serviços essenciais – faz sentido: cheque saúde, cheque educação, cheque dentista, planos de reforma, parcerias público-privadas – o programa é conhecido e PSL não necessita de think tanks da Católica ou do Observador para o escrevinhar.
Pedro Santana Lopes tem bons aliados nos reis nus, que vão de Jerónimo de Sousa a Cristas, de Rio a Arménio, de Nogueira a Catarina, à Ana Avoila. Os ventos sopram-lhe de feição. Há dois projectos de sociedade em Portugal: o da social democracia de baixa intensidade de Costa e o liberalismo 5 estrelas de PSL. Os projectos do Observador, a venda de 2/3 da Impresa (Balsemão) ao Delgado amigo de Santana, a incorporação da SIC e da TVI numa fanfarra liberal não foram, nem são por acaso. O partido de Santana não surge de uma birra de menino guerreiro. É um ato para ser levado a sério.
Gosto desta dicotomia? Não.
Mas presumo que a festa do Avante, o comício do Pontal, as peixeiradas da Cristas, os acampamentos multicolores do BE, típicos da rentrée me confirmarão a seca de ideias e a cegueira de horizontes. Que as orquestras continuarão a tocar no Titanic, que foi o sistema partidário português até agora, e que os seus reizinhos nus se suicidem alegremente como as baratas da foto – mas em luta pelos seus direitos – como dizem.

sábado, 18 de agosto de 2018

O último enciclopedista:

(Por Estátua de Sal, 18/08/2018)
Homem enciplodédia
Imagem in Blog 77 Colinas
Dizem os Evangelhos que a inveja é um pecado mortal, muito feio, sendo por isso apanágio das consciências mal formadas. Mas que seja. Eu, Estátua, pecador me confesso e, como também rezam os Evangelhos, a confissão é meio caminho andado para alcançar o perdão.
Mas, afinal de quem é que eu tenho tanta inveja, tanta que me farto de pecar quase diariamente? Pois bem, aqui fica a minha confissão. Tenho uma inveja danada do Dr. Balsemão. E qual a razão? Podem avançar com palpites, digo eu. E perguntarão os meus leitores:
— Será por ele ser rico e dono de um empório de comunicação? Nada disso. Até dizem que a Impresa está meia afogada em dívidas e já viu melhores dias.
— Será por ele aparecer – ainda que cada vez menos -, nas revistas sociais, sempre no meio de gente fina, e morar nesse recanto selecto que é a Quinta da Marinha? Nada disso, cada vez mais frio, estou-me nas tintas para essas manifestações de vacuidade social.
— Será por a SIC e o Expresso continuarem a ser, ainda hoje, potentes instrumentos  de formatação da opinião pública, o que torna o Dr. Balsemão um homem poderoso, respeitado e, ao mesmo tempo, temido por tudo quanto é político no activo, à esquerda e à direita? Também não, nada disso, nunca quis ser missionário de qualquer ideologia ou crença, pelo que nunca me quereria colocar no papel de grande educador do povo.
Pronto. Como não acertaram eu deslindo o caso: invejo a vocação inata do Dr. Balsemão enquanto gestor de recursos humanos. Só um grande patrão, de fina e arguta sensibilidade na escolha do pessoal, poderia alguma vez ter contratado esse notável comentador que é o José Gomes Ferreira! Eu explico, então, a razão da minha inveja, mesclada de admiração, ainda assim.
Contratar alguém que nem sequer é licenciado em economia ou finanças para comentar assuntos de economia e finanças numa televisão, não é para qualquer gestor de recursos humanos. Mas, o Dr. Balsemão, conseguiu ver para lá dessas mesquinhas evidências curriculares. E que viu ele? Que o Gomes Ferreira era uma espécie de canivete suíço do comentário.
Ele perora sobre economia, sim, mas também sobre incêndios, pontes, electricidade, Direito, Justiça, política nacional e internacional, animais de estimação e, se preciso for, sobre os anéis de Saturno ou sobre a vida sexual das baratas. Consta até que lê mais rápido que o Professor Marcelo, conseguindo decorar diariamente 100 páginas da Wikipédia.
Já viram a poupança que o Dr. Balsemão já fez estes anos todos? Em vez de contratar dez comentadores, só tem que pagar ao Gomes Ferreira! Ele dá conta do recado, na hora e ao vivo, cobre todos os directos sem pestanejar, e explica aos espectadores tudo o que se está a passar com uma surpreendente e prolixa erudição.
É daí que vem a minha inveja. O Dr. Balsemão é um predestinado para a gestão. É que essas coisas não se aprendem. Nascem com as pessoas. Herdam-se das linhagens. Vem lá dos Palmelas, dos Fronteira, dos Alfarrobeira, que sei eu.
Ora, como eu nunca contrataria o Gomes Ferreira – reconheço que por falta da visão empresarial e de gestão do Dr. Balsemão -, não posso almejar a ter um empório de comunicação, e limito-me a ter um blog.