quinta-feira, 31 de maio de 2018

Isto está a ficar mal:


Há não sei quantos anos que tive de deixar de comer criancinhas, já me diverti a matar seres humanos antes de nascerem e agora queria matar velhinhos, mas juntaram-se todos para me impedir, isto está a ficar mesmo mal.

Bom, bom era quando o papa na sua imensa bondade nos mandava fazer cruzadas e passar pela pela espada todos os judeus, mouros e outros cristãos que fossem encontrados, pelo caminho ainda se aproveitava para fazer uns petiscos. Mas agora já só posso comer salmão de aquacultura e se quiser matar saudades dos passarinhos tenho de encomendar mas codornizes, mesmo assim não posso abusar, ainda me crescem as mamas e depois ainda me obrigam a mudar de nome.

Agora que me preparava para me divertir a matar velhinhos veio a Cristas, o cardeal e mais o Jerónimo de Sousa e acabaram com a minha brincadeira. Já me imaginava na Rua Augusta a selecionar velho, ou ir às igrejas da aldeia e arrebanhar velhos como quem apanhas pardalinhos à poça, mas estragaram-me o divertimento. Os tempos são outros, os velhinhos já não morrem à fome mas com o conforto espiritual da extrema unção, vão deixar de morrer nas filas de espera das urgências.

Já li notícias de velhinhos de 80 a baterem nas mulheres porque estas não tinham como dar vazão aos impulsos do viagra, já imagino uns cuidados paliativos tão bons que aquilo vai ser um regabofe, antes de se deitarem as enfermeiras vão dar umas pastilhas azuis aos velhotes e depois é só correrias nos corredores entre as enfermarias masculinas e as femininas.

Se a Cristas, o negrão e o Jerónimo lançaram a geringonça dos velhos é garantido que os cuidados paliativos vão ser tão bons que o pessoal até vai exigir que no caso de faltarem utentes as enfermarias sejam temporariamente alugadas para colónias de férias.

Quem diria que um dia ia ver o cardeal a elogiar o Jerónimo ou a bancada do PCP cheia de vontade de juntar os seus aplausos aos da direita. Enfim, por este andar ainda vou ver o Jerónimo de Sousa a dar palestras sobre a defesa da vida nos retiros espirituais da Opus Dei ou o Bernardino Soares a garantir que Portugal devia imitar o sistema de cuidados intensivos da Coreia do Norte, com o cardeal de Lisboa a aprovar a ideia.

Mas se voltarmos a ver uma geringonça a ser com dois pares de pedais, uns para o Jerónimo e outro para a Cristas, se voltar a ouvir o cardeal a dizer que o Jerónimo e os seus são a reserva de bom senso do parlamento e a ver o Cavaco Silva a apelar ao voto no PCP concluímos que a eutanásia já está em vigor e não começou pelos velhinhos que a Cristas e o Jerónimo tanto apreciam, somos todos nós os eutanasiados com doses de cavalo de hipocrisia e oportunismo.

Do Blogue (Jumento)

quarta-feira, 30 de maio de 2018

Três notas sobre uma vitória anunciada (mesmo perdendo entretanto uma batalha):


1. Daqui a meia dúzia de anos, quando nas votações nacionais o PCP conhecer resultados miseráveis, talvez João Oliveira, Paula Santos, Bruno Dias, Rita Rato e outros dos seus atuais deputados, olhem para o passado e se detenham neste dia 29 de maio de 2018 como tendo sido o do início do fim do seu partido enquanto organização influente na política nacional. Talvez se questionem o que terão perdido ao aliarem-se ao CDS para chumbarem por cinco votos uma legislação, que tal qual a do aborto, não demoraria muito mais a ser aprovada após uma primeira reprovação. Constatarão porventura que o seu eleitorado de outrora não terá esquecido essa decisão absurda, provavelmente ditada pelo único propósito de rasteirar o Bloco e o Partido Socialista, transferindo o apoio para quem mostra não sonegar a liberdade individual em nome de uma imposição coletiva. No fundo seguindo a lição de Saramago, que mandava respeitar a liberdade dos outros como princípio básico de uma sociedade mais avançada, lição nunca aprendida por quem mais deveria tê-la assimilado.

Este episódio acaba por ser apenas o mais representativo da incapacidade do grupo parlamentar do PCP em sair da cristalizada lógica daquele tal condutor que seguia pela autoestrada e se indignava com o facto de todos os outros estarem em contramão, incapaz de reconhecer-se como o efetivo infrator.
Aposto que, na próxima década, aqui estaremos a dobrar finados por quem terá esgotado as reservas de resiliência com que  enfrentara os anos pós-muro de Berlim e já nada terá a propor para quem buscará maior justiça e igualdade num mundo globalizado, comandado pela economia digital e onde as alterações climáticas porão na ordem do dia um novo paradigma: o do decrescimento sustentado.

2. Não sabemos se a rapariga da fotografia foi a autora do cartaz com que se foi manifestar para a porta da Assembleia ou se alguém a incumbiu de se prestar a tão triste figura. Mas a imagem substitui mil palavras na demonstração da desonestidade sem escrúpulos que os opositores à lei da morte assistida assumiram ao longo das últimas semanas.
Para quê, podemos interrogar-nos? Haverá neles a consciência de, tendo ganho esta batalha, logo perderem a guerra final ao virar da esquina, ou seja na próxima legislatura? É que quase por certo o Partido Socialista terá muitos mais deputados para mudarem a relação dos pratos da balança para o sim e o Bloco provavelmente subirá à conta dos que vinham sendo tradicionais apoiantes do PCP e não lhe perdoarão esta inaudita colagem à direita. Não esquecendo que o grupo parlamentar do PSD se verá entretanto  expurgado daqueles que aproveitaram esta oportunidade para uma inócua bravata contra a vontade de Rui Rio.
3. Resta o paradoxo, que só o não é porque a coerência raramente tem cabimento nas direitas, de estas serem contra a morte assistida depois de terem causado centenas, senão mesmo milhares de suicídios nos quatro anos em que desgovernaram o país e negaram qualquer esperança de futuro a tais desesperados. Muitos deles velhinhos sobre quem a tal jovem mostrou tão hipócrita preocupação.

Publicada por jorge rocha

No Blogue (Ventos Semeados)

segunda-feira, 28 de maio de 2018

Sim! Eu usufruirei a tempo e horas o direito de morrer com dignidade!

É muito possível que, quando amanhã se verificar a votação sobre a morte assistida, os votos comunistas sejam determinantes para que a nova legislação não seja validada por uma maioria de deputados. Pode também acontecer que, verificando-se uma vitória do sim à morte com dignidade, Marcelo se comporte igual a si mesmo e faça prevalecer os seus preconceitos sobre a vontade maioritária expressa pela Assembleia. De qualquer modo a questão foi finalmente levantada e não conhecerá recuo: seja desta feita, seja da próxima, o meu direito a morrer quando quiser e com o mínimo sofrimento possível acabará por ser aprovado e confio que a ele recorrerei quando considerar chegada a hora de regressar ao nada donde provim ao nascer.
O debate tem, porém, servido para o recurso às mais falaciosas argumentações por parte das direitas: por exemplo, que os partidos proponentes não o haviam anunciado na campanha eleitoral de 2015. Será caso para questionar se, em 2011, tinham pré-anunciado os cortes nos salários e pensões, que logo implementaram?  Igualmente afiançaram verdadeiras as notícias, próprias dos mitos urbanos, em como, nos países onde esse direito existe, ele tem servido para aplicar estratégias eugenistas, ou seja sem a efetiva vontade dos que a ele recorrerem! A mentira tem andado à solta nas atoardas dos que se comportam como fascistas, pretendendo vedar a outrem o direito que só a eles cabe decidir e usufruir.
Inventam, igualmente, sondagens, que não foram feitas, querendo omitir que na única credível, efetuada segundo os parâmetros consensuais da estatística, os portugueses pronunciaram-se por mais de 68% favoráveis à lei.
Existem fundamentos científicos, filosóficos e sociais, que justificam a aprovação da lei. Aos amigos, sobretudo os que se dizem de esquerda e se mostram favoráveis às alegações desses polícias das consciências alheias, aconselho a seguirem o exemplo de Almada Negreiros quando  afirmava a vontade de se tornar espanhol se Júlio Dantas fosse aceite como  português. Será que se sentem bem na companhia de Assunção Cristas e da autêntica galeria de horrores, que caracteriza a sua bancada parlamentar? Será que se identificam com esses inauditos defensores do não, que são Cavaco Silva e Passos Coelho?
Insistirão, porventura, que os comunistas também integram essa trincheira! É verdade! Mas não é essa a demonstração perfeita como, em muitos aspetos, eles e as direitas cumprem a regra de tous les mauvais esprits se rencontrent?
Do blogue (Ventos Semeados)

domingo, 27 de maio de 2018

C. Caç. 3341:

Ontem mais uma vez a C. Caç. 3341 fez mais uma concentração há já muitas que tem efectuadas durante vários anos. Desta feita foi em Oiã e teve a organização a cabo de Ângelo Abrantes Almeida, ex-cabo atirador. Como vezes sem conta me recordo de Balacende, julgo que não só eu, resolvi escrever este pequeno texto neste vídeo realizado por um ex-militar que ali - Balacende - cumpriu serviço militar. Há coisas que não estranhamos mas estão entranhadas nas nossas vidas. Por isso levo até todos os que fizeram parte da C. Caç. 3341 este pequeno mas sentido texto e vídeo que espero seja do agrado de todos. A todos um abraço.

quinta-feira, 17 de maio de 2018

Alcochete:

Quando as estações televisivas fazem longos diretos com os borra-botas em coluna fascista atravessando a cidade à ida e vinda de um jogo de futebol. Quando se mandam polícias pastorear borra-botas pela cidade. Quando os líderes dos clubes são boquirrotos. Quando as capas de jornais desportivos privilegiam as palavras dos boquirrotos em vez do rasgo corrido de Gelson. Quando colunistas de jornais aceitam mostrar-se indigentes, já que o assunto é, julgam eles, só de camisola e emblema. Quando essa arte e ciência que encanta miúdos e velhos é comentada em prime time por tipos talvez de meia-idade e certamente com um terço de inteligência. Quando, com muito share, insultos recíprocos são trocados por gente paga, cara e cara separadas por um palmo mas nunca havendo um gesto honrado que desagrave os desaforos lançados nos perdigotos. Quando as assembleias gerais presididas por bombeiros incendiários têm mais destaque do que o ato luminoso do Perdigão, do Desportivo de Chaves, a cuidar de uma bola. Quando os talentosos Paulinho, do Braga, e o Rafa, do Portimonense, são menos conhecidos do que o Pedro Guerra e o Francisco J. Marques, cujas conversetas têm o dom de tornar a alma dos adeptos mais pequena. Quando se vandaliza em grupo uma estação de serviço e já nem se noticia porque o autocarro dos gatunos e brutos vai a caminho de um estádio... Então, quando tantos miseráveis quandos se acumulam, arriscamo-nos a ver um admirável, forte e grande Bas Dost ferido e com uma lágrima por nós todos.

Ferreira Fernandes (Um Ponto é Tudo)

Selvajaria é nome pequeno:

(Luísa Meireles, in Expresso Diário, 16/05/2018)
bas
Sabe do que estou a falar não sabe? Acertou em cheio: do futebol, do Sporting e da tremenda vergonha de ver uma fotografia destas.
Esta é a cabeça de Bas Dost, o holandês que joga pelo Sporting e que é um dos seus mais famosos marcadores. Disse que se encontrava “vazio”. A fotografia foi tirada pouco depois de conhecido o ataque de um bando à Academia do Sporting em Alcochete, ontem, a meio da tarde, espancando com barras de ferro e cintos atletas e equipa técnica, destruindo o balneário e vandalizando a área. Encapuzados, ainda por cima, o pequeno requinte de grandes criminosos. É o quê esta gente: energúmenos, vândalos, arruaceiros, selvagens, ou “casuals”, como se designam agora aqueles que só aparecem para as cenas de pancada?
O recinto estava rodeado de jornalistas, já de plantão por causa da verdadeira novela em que se transformou o dia a dia do clube dos leões. Ainda ontem, a notícia era o suposto os jornais titulavam como “terramoto”, ou “ponto final” o conflito entre o seu histriónico presidente e o seu (agora) desafortunado treinador, se tal adjetivo é apropriado para quem ganha 7,5 milhões de euros por ano. Mas adiante, que a questão hoje não é essa.
Os comentadores não pararam toda a noite (e eu com eles, ó, logo eu, ironia das ironias!) e hiperbolizaram o relato. Tragédia, ainda vá, mas ato de terrorismo? Enfim, é melhor não perder a dimensão das coisas, se bem que reconheça que o seriado vai cada dia tomando novas e piores tonalidades. Não vou repetir os pormenores, disponíveis, por exemplo, aquiaqui, e mais aqui (em vídeo) mas o que aconteceu ontem no Sporting, se foi exclusivo do clube, não o é infelizmente no mundo do futebol.
O clube vive momentos de pesadelo, desde que perdeu em Madrid, que custam a crer: eles são as inacreditáveis tiradas de Bruno de Carvalho (que nem os atletas quiseram ver ontem em Alcochete), os tumultos e insultos em Alvalade, num crescendo que foram até ao lançamento de petardos pelos próprios adeptos no jogo com o Benfica, à quase agressão dos jogadores Rui Patrício e William de Carvalho depois da derrota com o Marítimo e, agora, a isto. Já para não falar das suspeitas que impedem sobre o mesmo clube a propósito das suspeitas de suborno dos jogos de andebol e que parece estenderem-se a outras modalidades (e a outros clubes), segundo diz o jornal I.
Os adeptos estão zangados. No restrito mundo em que estou a escrever, há um que diz que pediu as quotas de volta, outro que nem consegue falar e outro ainda que diz, como a direção do clube, “que isto não é o meu Sporting”, mas “um bando de selvagens”. Quem está por trás disto, perguntam. E com que objetivo? Que vai acontecer a Bruno de Carvalho? E ao Sporting? Os jogadores vão-se embora? Eu não sei, mas há muitos palpites.
Marta Soares, o tão corajoso chefe de bombeiros que ajuda a demitir comandantes da Proteção Civil, ainda ontem dizia que o Sporting não vivia em crise, mas só vai convocar os órgãos sociais do clube para segunda-feira. Houve quem reclamasse que ele devia demitir de imediato a estrutura diretiva, mas nada, aquilo parece uma aliança indestrutível. Quanto ao próprio presidente do clube,leia o que ele disse, para não ter de se beliscar. Eu, que percebo pouco do meio, deixo os comentários para quem sabe e tem opinião – a do Pedro Candeias, por exemplo (Foi chato, Bruno?) ou esta. Só consigo ver de fora.
Por isso pergunto: ninguém pensou quais seriam as consequências de um “presidente-adepto”, de fala desbragada e que – como diz – “para ter sucesso, a primeira coisa a fazer é criar fama de maluco”? [para assinantes, lamento] Pois ganhou-a e este é o resultado do populismo no futebol. Mas o pior é o resto. Voando sobre o Sporting, ninguém pensou sobre os efeitos de horas sem fim a falar de futebol, no tempo extravagante que ele tem no espaço público, na televisão e na rádio em especial, a pretexto das audiências, num círculo vicioso de dar circo a quem pede circo porque não lhe dão mais nada?
Ninguém imaginou o poder da linguagem de confronto e espírito de guerra que animam os comentadores profissionais de desporto que pululam em cada horário nas televisões? Do escândalo após escândalo, dos crimes que atravessam este desporto? Da raiva que suscitam nos adeptos e do “mono-papo” que abrange legiões de portugueses? Que se pode esperar senão sangue desta cultura de ódio que parece estender-se à sociedade inteira depois de tudo isto? Por isso, deve ler esta opinião do Daniel Oliveira, escrita ainda antes do que aconteceu em Alcochete.
Desculpem, mas há consequências. A Justiça e o Governo têm o dever de tirá-las e nós todos de refletir sobre elas. Não sei se chegam palavras de repúdio pela violência e de solidariedade para com os agredidos, nem a promessa de que no domingo, no final da Taça, o Jamor será a “festa do futebol”. Tem de haver regulação. Lá fora, Portugal continua a ser o campeão europeu e o país de onde saem campeões, entre eles o grande Ronaldo (que por acaso se formou nos primórdios da Academia de Alcochete do Sporting). Eu, por enquanto, só consigo resumir o meu pensamento à mesma palavra com que comecei este texto: vergonha.
Do blogue (Estatua de Sal)

domingo, 13 de maio de 2018

O bando sinistro:

A direita portuguesa vai perder as eleições de 2019, segundo as últimas sondagens continuam a dizer. O desespero e a raiva assomam já nos colunistas e porta-vozes da direita. Tudo é de esperar dessa cambada raivosa, desde apelos indirectos aos incendiários até elogios à utilização da organização judicial para fins políticos.
Uma equipa sinistra, já muito experimentada, vai certamente estar no terreno. O seu objectivo é supostamente combater a corrupção, para defesa da democracia. Na verdade, muito insatisfeita com uma democracia que dá vitórias à esquerda, ela pretende virar contra ela uma justiça politicamente enviesada, ou seja, corrupta. Depois de Sócrates, o seu alvo será agora António Costa, como é óbvio. A equipa alinha assim (é só a ponta do iceberg):
Fernando Negrão – Foi director-geral da PJ entre 1995 e 1999, durante o governo de Guterres. Foi demitido pelo ministro socialista da Justiça, Vera Jardim, e acusado pela PGR de Cunha Rodrigues de violação do segredo de justiça no caso da Moderna (ainda se levava a sério o segredo de justiça). O STJ arquivou a coisa em 2001, por alegada falta de provas. Deputado do PSD desde 2002 até hoje. Breve ministro de Santana Lopes (2004-2005). Foi derrotado nas eleições para a câmara de Setúbal em 2005. Foi derrotado por António Costa nas eleições para a câmara de Lisboa em 2007. Brevíssimo ministro da Justiça do governo fantasma de Passos Coelho (Outubro-Novembro de 2015). Actual líder da bancada parlamentar do PSD (com apenas 35 votos dos 88 deputados), depois de ter perdido a eleição para presidente da Assembleia da República. É um frustradão calejado em derrotas, mas que, em compensação, adora puxar cordelinhos nos bastidores.
Jorge Rosário Teixeira – A sua carreira foi lançada por Fernando Negrão (ver acima), que o meteu na PJ para chefiar a Direção Central de Investigação e Combate à Criminalidade Económica e Financeira. Saiu da PJ em 1999, não se sabe porquê, quando Negrão foi demitido. Em 2004 caiu de para-quedas no DCIAP, na PGR. É o procurador que tem os processos mais importantes do DCIAP desde que para lá entrou. É o mago da Operação Marquês, de que a direita esperava o desaparecimento do PS da cena política e a recondução do governo de Passos Coelho. Propôs em 2014 ao juiz Carlos Alexandre a prisão de Sócrates para depois o investigar, como a PIDE fazia noutros tempos.
Carlos Alexandre – Juiz do Tribunal Central de Instrução Criminal desde 2004 e, durante muitos anos, o único. Trabalha desde 2004 com o procurador Rosário Teixeira, a quem faz todas as vontades, nomeadamente no processo Sócrates. Embora o juiz de instrução seja incumbido de fiscalizar o procurador nos processos que este conduz, Carlos Alexandre tem basicamente estado às ordens de Rosário Teixeira. É muito pio e participa nas procissões da sua terrinha. Já uma vez disse que a sua vocação era ter sido padre. Noutros tempos teria dado um eficaz juiz do tribunal da Santa Inquisição.
Joana Marques Vidal – Procuradora-geral proposta por Passos e nomeada por Cavaco em 2012, nem é preciso dizer mais nada. Filha de um antigo director-geral da PJ que se gabava de odiar a “classe política” (da democracia). Irmã de um célebre João, ex-chefe do DIAP de Aveiro, que pôs a circular a teoria de que Sócrates tinha um fantástico plano para “controlar” os meios de comunicação social. É a responsável máxima de tudo o que a PGR fez e não fez desde 2012. P’ra inglês ver, mandou já duas vezes (2015 e 2018) investigar fugas de informação e violações do segredo de justiça no processo de Sócrates, mas nunca se apurou porra nenhuma. Em Julho de 2018 vai, felizmente, ser despejada da PGR, deixando muitas saudades à direita. O clã Marques Vidal vai, porém, continuar operacional através do mano João, que já é procurador-geral adjunto.
António Ventinhas – É presidente do Sindicato dos Magistrados do Ministério Público, reeleito em Janeiro em lista única. Foi alvo de um inquérito mandado instaurar pelo Conselho Superior do Ministério Público (por 8 votos contra 5) por ter declarado a culpabilidade de Sócrates em 2016, antes mesmo de haver acusados no processo. Defendeu-se com o especioso argumento de que é sindicalista e ficou tudo em águas de bacalhau. Tem acusado o governo de António Costa e a ministra da Justiça de quererem controlar o MP para que se não possa investigar a corrupção. Também é contra o controlo do MP pela PGR, porque lhe cheira que o próximo procurador-geral não será de direita. Elogiou a Operação Marquês e a actuação de Rosário Teixeira e Joana Vidal nesse processo. É o palhacinho deste quinteto, com ventinhas a condizer.
Por Julio em Aspira B