“A hidra é um animal da mitologia grega com várias cabeças de serpente,
sendo uma delas imortal, e corpo de dragão. Foi criada por Juno e era um dos
doze trabalhos de Hércules. Era conhecida como “Hidra de Lerna“. O seu sangue
assim como o seu hálito era venenoso. Se suas cabeças fossem cortadas, elas
voltavam a nascer.”
Umas de maior importância que outras. Outrora assim acontecia. É por isso que gosto de as relatar para os mais novos saberem o que fizeram os seus antepassados. Conseguiram fazer de uma coutada, uma aldeia, depois uma vila e, hoje uma cidade, que em tempos primórdios se chamou Fredemundus. «(Frieden, Paz) (Munde, Protecção).» Mais tarde Freamunde. "Acarinhem-na. Ela vem dos pedregulhos e das lutas tribais, cansada do percurso e dos homens. Ela vem do tempo para vencer o Tempo."
sábado, 22 de agosto de 2015
domingo, 16 de agosto de 2015
A fresta do Pontal, ou eu tinha umas asas brancas:
Passos Coelho, Anjo
Estive a ouvir Portas e Coelho na festa do Pontal, marcando a rentrée
política pafiana e fiquei espantado com tanta desvergonha, desplante e mentira.
É difícil batê-los no campo da pantominice e do cinismo. Autênticos
carteiristas encartados, capazes de roubar o transeunte, ficar-lhe com todo o
dinheiro e depois entregar a carteira ao espoliado fazendo-o desfazer-se em agradecimentos
por, ao menos, ter escapado ao calvário de ser obrigado a renovar todos os
documentos.
Portas mimou o papel do polícia mau. Atacou o PS, acenou com cenários
de catástrofe, a bancarrota ao virar da esquina, e pasme-se, com a destruição
da Segurança Social por parte do PS, devido à redução da TSU para os
trabalhadores. Portas foi uma sobremesa meia indigesta que, mais que dizer que
nós somos os melhores, foi dizendo que os outros são piores que nós.
Coelho fez o papel do polícia bom. Parecia um rapazinho vestido de
anjinho na procissão do Senhor dos Passos. Parecia o Almeida Garret, em “As
minhas asas”:
Eu tinha umas asas brancas,
Asas que um anjo me deu,
Que, em me eu cansando da terra,
Batia-as, voava ao céu.
Depois, tentou falar para os portugueses que não gostam do PAF. Que
compreende o azedume dos portugueses que lhe fazem um manguito: “Se queres
fiado, toma”. Ele até concorda que os portugueses estejam de costas voltadas
para ele, diz o aldrabão. Mas diz também que agora é que é. Que quer uma
oportunidade para governar, passadas que são as dificuldades, diz ele, – ó
inaudita falta de vergonha -, que quer governar com maioria absoluta!
Não vou analisar em profundidade os efeitos de destruição e caos social
que as políticas deste governo promoveram: aumento da pobreza, do desemprego,
das desigualdades, destruição das classes médias, emigração em massa,
diminuição do PIB, do investimento, aumento da dívida pública, dívida em nome
da qual justificaram todas as tropelias e atentados aos trabalhadores,
pensionistas, e todos os grupos sociais mais vulneráveis.
Quem tivesse o mínimo de vergonha não se dirigiria agora a esses mesmos
grupos sociais pedindo-lhes o voto e a renovação de mais quatro anos de
suplício. Mas não. Passos acha que pôr umas asas e falar com vozinha a tender
para o embargado, qual menino de coro em dia de comunhão, é o suficiente para
se fazer passar pelo cordeiro que não é, recuperando a confiança que não
merece. E isto sem apresentar qualquer plano quantificado para a governação que
quer renovar. Sobre o futuro nem uma palavra. Sobre como o país pode crescer e
melhorar nem uma palavra. Sobre como poderemos pagar a dívida, dentro das
constrições do Euro e do tratado orçamenta, nem uma palavra.
Passos acha que a sua retórica
mistificadora é suficiente para alterar a realidade que ele próprio criou e
promoveu. Como se a realidade pudesse ser construída e a história reconstruída
apenas com base num cardápio verbal soprado pelos seus conselheiros de
marketing político.
O que o leva a acreditar nisso? Será o homem inimputável, uma espécie
de esquizofrénico que ouve vozes a quem obedece, por muito esquisitas e
irrealistas que sejam as tarefas de que é incumbido? Viverá num universo
paralelo, numa realidade autista que é a sua e que só ele conhece?
Decididamente não. O que leva
Passos a tentar encenar este número de prestidigitação, e a tentar fazer
passa-lo como verosímil, é essencialmente o terreno que a oposição,
nomeadamente o Partido Socialista, lhe tem oferecido de mão beijada. É esse
território, essa fresta, que Passos vai tentar preencher até ao dia das
eleições. Porque a oposição que quer ser governo não lhe desmonta as mentiras
sem dó nem piedade. Porque não traz para o topo do debate político de forma
atempada e incisiva todas as trapalhadas, negociatas, e até ilegalidades, que
vão sendo cometidas pelo Governo. A história dos cartazes é reveladora. Depois
do ocorrido, até parece que o desemprego não existe, e que só estão
desempregados figurantes irreais, tal como nos querem fazer acreditar Coelho e
Portas. Assim, um dos trunfos eleitorais que o PS poderia usar com propriedade
para desmistificar a retórica passista caiu por terra com estrondo e sem
glória.
É que não basta apresentar um programa macroeconómico e uma estratégia
para o País, se não se consegue passar a mensagem ao eleitorado de que a
aplicação de tal programa pode conduzir a uma melhoria das condições de vida
dos cidadãos. Poucos entendem as minudências técnicas de um cenário macroeconómico,
por muito coerente que seja, mas mais depressa muitos poderão ser capturados
pelos chorrilhos declamativos de Passos e pelas mentiras a que reiteradamente
recorre. É pois, aí, no campo do slogan, que o PS tem que deixar de ser uma
espécie de grupo de amadores que se reúne no Largo do Rato para tomar café.
Como é espantosa tanta moleza e tanta complacência com a vigarice
“pafiana”, pode perguntar-se porquê tanta inoperância, tanta tibieza, não
combatendo Passos no seu próprio terreno.
Em primeiro lugar, o PS parece estar refém do seu próprio passado. O
lastro do anterior governo ainda pesa, e muito. Sócrates é uma espécie de urubu
negro que paira no ar. A apresentação do programa macroeconómico teve como
objetivo chancelar como credível um conjunto de alternativas às atuais
políticas de austeridade emanadas de Bruxelas, sem contudo colocar em causa as
constrições do Euro, do pagamento da dívida e do Tratado Orçamental. A questão
é que Passos Coelho sabe, e António Costa também sabe, que a margem, a fresta
para fazer diferente, em termos de política económica, é muito estreita. Isto
leva a que as propostas do PS surjam como que inquinadas à partida porque
devedoras da má consciência que advém do facto de não ter havido, pelo menos
até ao momento, a coragem de dizer isso mesmo aos eleitores. Ou seja, Coelho
sabe que Costa não pode dizer aos eleitores que fazer diferente, em termos de
política económica, no atual quadro de inserção do país na Europa e no Euro, é
quase tão difícil como fazer passar um camelo pelo buraco de uma agulha. Se o
dissesse, seria desculpabilizar todos os dislates que o governo atual foi
praticando nos últimos quatro anos.
Ora, como o PS não ousa sequer discutir tal inserção (“a Europa é
indiscutível”, como disse recentemente António Costa), por muito
bem-intencionados que sejam os seus desígnios e as suas preocupações sociais,
elas são facilmente postas em causa pelas campanhas de intoxicação pafianas.
Restam os eleitores e os cidadãos, a quem não são deixadas
alternativas, e que, ao que parece, só podem almejar, como resultado final de
governação das próximas eleições, a escolha entre o péssimo e o sofrível. Mas
entre o péssimo e o sofrível, não direi, ainda assim, que venha o diabo e
escolha. Apesar de tudo, que venha o sofrível.
(Estátua de Sal, 15/08/2015)
quarta-feira, 12 de agosto de 2015
Era uma vez:
Uma pequena vila, de nome irrelevante, castigada pelas dívidas que
consomem o pouco que há, o que sobra de uma vida a crédito. Ali chega, na manhã
de mais um dia de crise, um forasteiro que se instala na pensão local. Sem
saber o que esperar da honestidade da gente da terra, o homem pede que lhe
guardem uma nota de 100euro que trazia cuidadosamente dobrada na algibeira. Na
manhã seguinte, perante o espanto da estalajadeira, o abastado forasteiro
abandona a vila esquecendo-se de pedir a nota de volta.
Durante cinco longos dias a mulher guardou cuidadosamente os 100euro
que lhe tinham sido confiados. Ao sexto, convenceu-se que o legítimo dono não
regressaria e decidiu dar-lhe destino. Entregou o dinheiro ao talhante para
saldar uma dívida de meses que a atormentava. Sem acreditar na sua sorte, o
talhante entrega os 100euro à sua mulher, que os usa para pagar à modista o
vestido que usara para o casamento da filha, três meses antes. A modista, por
sua vez, agradeceu a possibilidade de pagar, com atraso, a renda do quarto em
que vivia. Também o digno proprietário tinha uma dívida antiga para com a
prostituta da terra que poderia agora, finalmente, pagar à estalajadeira da
pensão local os 100euro que lhe devia pelo aluguer ocasional de quartos.
Em poucos dias a nota voltou ao seu local de origem, e às mãos da
estalajadeira em quem o forasteiro confiara. Não existiu nova produção, mas
dívidas da população foram liquidadas e o otimismo reinava a pequena vila.
Semanas mais tarde, o abastado homem regressa à pensão e percebe,
espantado, que os 100euro ainda o esperavam. E é não menos estarrecida que a
estalajadeira vê então o forasteiro pegar na nota, pegar-lhe fogo, e com ela
acender o seu charuto para, logo depois, soltar uma gargalhada e confessar
"a nota era falsa de qualquer forma".
A fábula não é minha. Foi contada muitas vezes, e aconteceu mesmo. Em
1920, Alves dos Reis, um burlão qualificado, ajudou a resolver o problema de
deflação da economia portuguesa ao forjar uma encomenda de notas, em nome do
Banco de Portugal, à empresa inglesa Waterlow.
Moral da história? Decerto não passa por defender a falsificação de
dinheiro. Apenas demonstrar, pela enésima vez, que a economia de um país não
tem nada a ver com a gestão de um orçamento familiar. E que há muitas formas de
solucionar a armadilha do endividamento sem o custo da pobreza, da recessão e
do desemprego. O problema não está na inevitabilidade da economia, ou dos seus
instrumentos. Trata-se apenas de vontade política.
MARIANA MORTÁGUA
DEPUTADA DO BE
segunda-feira, 10 de agosto de 2015
terça-feira, 4 de agosto de 2015
DENUNCIEM ESTA VERGONHA:
Exmo. Sr. José Carlos Queiroz
Venho por este meio, visto não ter outra forma de contacta-lo,
responder, à notificação de comparência. Que, na minha ausência me foi deixada
a informação, que implicará a cessação da prestação, junto dos serviços do
Centro Distrital competente.
Agora e desculpando-me a inconveniência, pergunto-lhe, não tem por
acaso conhecimento do estado de saúde do meu filho? Porque será que ele não
frequenta o ensino especial obrigatório? Porque será também, que tem de ter a
assistência para além da hospitalar dum fisioterapeuta ao domicílio para lhe
dar assistência respiratória?
Por uma única razão, o Rafael tem 99% de incapacidade. Incapacidade
essa, que não me permite dar-me ao luxo de sequer pensar em ter um emprego. Mas
o Rafael está vivo e para além de ter de ser vigiado 24horas por dia tem o
direito assim como qualquer cidadão de sair à rua com a sua mãe. Não sabia era
que cada vez que tivesse que o fazer tivesse que notificar primeiro os serviços
sociais das minhas ausências domiciliárias.
No processo deveriam estar todas estas informações. O sistema até era
funcional aquando tratado directamente no Centro de Segurança Social mas agora
e sem perceber porquê, os casos como o meu, foram enviados para o CRATO centro
de toxicodependentes e carenciados, desculpe-me mais uma vez a ironia, mas
ainda não atingi esse estatuto. Pois o CRATO nem tem respostas efectivas para
nos dar nos casos de insustentabilidade por assistência a terceiros.
Estou extremamente revoltada, falaram comigo ao telefone, e ficaram de
me deixar uma notificação com um aviso, com alguma antecedência para me dirigir
ao núcleo.
Era isso que eu esperava, não o que fizeram de forma desleal, não podem
tratar todas as pessoas da mesma forma. Se alguém engana e vive à custa do
contribuinte, esse alguém não sou eu certamente. Sabe, eu gostava, muito mesmo
de ter vida própria, de poder trabalhar e socializar com as outras pessoas, mas
não posso, é a vida do meu filho que está em risco.
E ainda me querem tirar o pouco que recebo que é o que nos alimenta?
Nem ao meu filho mais velho consigo dar-lhe o curso superior que tantas vezes
lhe prometi, porque tudo para nós é insuficiente. Não acha já, que é preciso
fazer uma grande gestão numa família monoparental com dois filhos a cargo,
sendo um deles uma criança com paralisia cerebral grave, com 320euros de
subsídio?
Continuamos a utilizar o R/C da vivenda até que nos arranjem uma casa
que tenha condições logísticas ao meu filho, por parte da Câmara.
Pode vir a qualquer hora seja de dia, ou de noite, agradeço que me
enviem uma forma de vos comunicar quando me ausento, visto que segunda, quarta
e sexta entre as 11.30 a as 13h estou no hospital com o Rafael (o que também
poderão ir verificar), e além disso a grande maioria das consultas visto ser um
doente crónico grave, são em Lisboa aonde é constantemente acompanhado.
Não sendo eu nenhuma conhecedora do assunto, o Estado não pouparia mais
se propusessem aos pais trabalharem nas escolas e fizessem assim parte duma
sociedade activa aonde poderiam dar assistência directa aos seus filhos e
cruzar conhecimentos com outras auxiliares?
Assim sim, acredito que se evitariam algumas fiscalizações
desnecessárias.
Este documento será enviado também ao Ministro da Solidariedade,
emprego e Segurança Social, Pedro Mota Soares.
O meu filho é infelizmente, um doente permanente e eu não ando a roubar
o estado, pelo contrário, foi um médico que trabalha para o estado que me tirou
a minha vida e a do meu filho.
Agradeço resposta.
Cumprimentos.
Cristina Capela
In Facebook
31/07/2013
31/07/2013
segunda-feira, 3 de agosto de 2015
Coisas que não sabia:
Há dias numa conversa com alguns amigos vim a saber o motivo pela qual
em Freamunde não há farmácia com serviço nocturno. Foi-me dito que o facto
residia em que em Freamunde não há nenhuma Clínica Médica ou o Centro de Saúde
a laborar para além das vinte horas. Que as farmácias não ganham para terem
um/a funcionário/a de serviço nocturno. Que além de lhes pagarem esse serviço
ao outro dia o funcionário/a tem de folgar. É evidente. A lei é lei.
Quis saber qual o motivo por que em Freamunde não havia uma farmácia
com serviço nocturno? Pois em Freamunde há duas farmácias. Ambas encerram às
vinte horas. Se a Clínica Medi/Cruz, Clínicas Dentárias e mais uma ou outra
assim como o Centro de Saúde encerram também às vinte horas como se vão
desenrascar os clientes que durante o funcionamento diurno tem as duas
farmácias como suas abastecedoras e durante a noite passam o serviço nocturno
para Paços de Ferreira. Tanto a farmácia Barros como a de Leigal tem as suas
filiais em Paços de Ferreira.
Foi-me dito e quem o disse está dentro do assunto que é por causa do
Centro de Saúde de Paços de Ferreira e Radelfe estar abertas até às vinte e
quatro horas. Disse que não concordava. Que tanto a farmácia Barros e de Leigal
demonstravam falta de respeito pelos seus clientes.
A tal pessoa entendida protestou, protestou, mas não me convenceu.
Chegando ao ponto de dizer que se queríamos uma farmácia com serviço nocturno a
Junta de Freguesia que pagasse o seu custo. Perguntei-lhe se a Junta de
Freguesia de Paços de Ferreira lhes pagava esse serviço? É evidente que disse
que não.
Então fiz-lhe ver que devia haver uma escala para que as farmácias de
Freamunde tivessem também um serviço nocturno. Respondeu-me que assim as outras
farmácias do concelho tinham o mesmo direito. Disse que sim. Se entendessem
aceitar. Assim como disse que não sabia se as de Freamunde aceitariam! Mas
assim os clientes destas farmácias sabiam com o que contavam.
Não há prejuízos para as farmácias. Se não havia farmácia de serviço nocturno em Paços de Ferreira havia em Freamunde ou em qualquer freguesia do concelho que aderisse.
Numa era em que se fala da descentralização esta é a prova em como querem concentrar tudo em Paços de Ferreira.
Entendo que todos os Freamundenses deviam mostrar o seu desagrado para com as farmácias de Freamunde e a Junta de Freguesia de Freamunde se debruçasse sobre este assunto.
Não há prejuízos para as farmácias. Se não havia farmácia de serviço nocturno em Paços de Ferreira havia em Freamunde ou em qualquer freguesia do concelho que aderisse.
Numa era em que se fala da descentralização esta é a prova em como querem concentrar tudo em Paços de Ferreira.
Entendo que todos os Freamundenses deviam mostrar o seu desagrado para com as farmácias de Freamunde e a Junta de Freguesia de Freamunde se debruçasse sobre este assunto.
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