sexta-feira, 8 de agosto de 2014

O roubar está cada vez mais inventivo:

Para os batoteiros, o problema com os jogos de azar é o azar, entendido este último como acaso. Os aldrabões profissionais não confiam no acaso. Por isso viciam os dados, drogam os cavalos ou compram jogadores... No entanto, há sempre uma chance de lhes calhar o acaso. Por exemplo, um batoteiro anular outro: há uma anedota brasileira que diz que jogo viciado na Bahia acaba sempre empatado (uma equipa faz por perder mas a outra também). O ótimo, pois, seria ter todas as chances do seu lado. Como aquele ditador africano que resolveu o assunto anunciando os resultados eleitorais antes do escrutínio: "Assim não há fraude", explicou-se ele com certa lógica. E é depois disto que caímos em pleno noticiário de ontem com a Procuradoria-Geral da República a abrir um inquérito à suspeita de um jogo de futebol entre os portugueses do Freamunde e espanhóis do Ponferradina, que foi metido na bolsa de apostas internacionais. É claro que a história estaria em tentar perceber o mistério que leva um tipo de Hong Kong a investir um cêntimo que seja num assunto de que não percebe nada. Mas o caso Freamunde-Ponferradina tem um lado inovador: é que o jogo não se realizou. Quer dizer, os batoteiros nem precisaram de comprar jogadores, inventaram o que lhes deu na gana, um 1-1 ou um 37-5. Isto abre perspetivas fantásticas para nossa alta finança. Para a próxima nem precisam das tretas dos bancos, podem ir diretamente para o assalto.

Ferreira Fernandes

quinta-feira, 7 de agosto de 2014

Não há nada que o tempo não resolva:

É a mais antiga universidade italiana, foi fundada em 1303 e tem o mais belo dos nomes para a função que pratica, La Sapienza, A Sabedoria. No mês passado, mas só ontem se soube, convidou o mais improvável especialista para participar numa aula de criminologia: o capitão Francesco Schettino. Ele falou aos alunos sobre "gestão do controlo de pânico numa situação de crise". O capitão Schettino, lembram-se? O comandante do navio de cruzeiro Costa Concordia que em janeiro de 2012 naufragou nas rochas da ilha de Giglio, na Toscana. Ele foi dos primeiros a pôr-se a salvo enquanto centenas de passageiros permaneciam no navio sem que lhes gerissem o controlo do pânico. Morreram 32 descontrolados. Itália - um país que tem milhares de boas razões para nos ser simpático e mais esta: dá--nos o péssimo conforto de não estarmos sozinhos na produção de noticiários absurdos (olá, ministro Pires de Lima, bela frase a sua, ontem: "Acontecimentos no BES são inexplicáveis") -, a Itália, pois, ficou em estado de choque com mais este disparate. O jornal Corriere della Sera fazia esta comparação: "É como se o Drácula desse uma aula sobre anemia." Atenção, La Sapienza tem uma desculpa para o seu despropósito: o naufrágio já tem dois anos. Ninguém nos garante que daqui a dois anos Ricardo Salgado não volte a dar uma aula magna sobre a vida dos portugueses acima das suas posses.

FERREIRA FERNANDES

quarta-feira, 6 de agosto de 2014

A hidra:

Um espectro percorre Portugal: é o espectro da pobreza, da miséria moral, da fraude, da mentira, do embuste, da indecência, da ladroagem, da velhacaria. Este indecoro do BES foi o destapar do fétido tacho da pouca-vergonha. Os valores mais rudimentares das relações humanas pulverizaram-se. Já antes haviam sido atingidos por decepções constantes daqueles que ainda acreditavam na integridade de quem dirige, decide, organiza. Agora, o surto alcançou a fase mais sórdida. Creio que, depois de se conhecer toda a extensão desta burla, algo terá de acontecer. Com outra gente, com outros padrões, não com estes que se substituem, num jogo de paciências cujo resultado é sempre o mesmo. Mas esta afirmação pertence aos domínios da fé, não aos territórios das certezas.
Hidra
É um animal da mitologia grega com várias cabeças de serpente, sendo uma delas imortal e corpo de dragão. Foi criada por Juno

O Dr. Carlos Costa revelou ter avisado a família Espírito Santo de que ia ser removida. Na TVI, Marques Mendes, vinte e quatro horas antes, anunciara o cambalacho. Já destituído, Ricardo Salgado e os seus estabeleceram três negócios ruinosos para o banco, abrindo o buraco da vigarice para quase cinco mil milhões de euros. Quem são os outros cúmplices, e quais as razões explicativas de não estarem na cadeia?
Enquanto o País mergulha num atoleiro, o Dr. Passos nada o crawl, com esfuziante aprazimento, nas doces águas algarvias. Há dias, afirmou que os contribuintes não serão onerados com as aldrabices dos outros. Mas já foi criado um chamado Fundo de Resolução, com dinheiro procedente, de viés, do nosso próprio dinheiro, embuçado na prestação de um grupo de bancos. Quanto ao extraordinário Dr. Cavaco, o reconhecimento generalizado da sua inutilidade como medianeiro de conflitos, e conivente com o que de mais detestável existe na sociedade portuguesa, converteu-se num lugar-comum.
Foi o "sistema" que criou esta ordem de valores espúrios. Este poder dissolvente fez nascer, por todo o lado, a ideia do facilitismo, oposta às regras da convivência que estruturaram os princípios da nossa civilização, dando-lhe um sentido humano. Tudo é permitido, e esta noção brutal, inculcada por "ideólogos" estipendiados ou fanatizados concebeu as suas próprias regras. A impunidade nasce do "sistema", e Salgado é o resultado, não a causa, o resultado de um aproveitamento imoral estimulado pelas fórmulas dessa ordem de valores. Surpreendemo-nos com o comportamento de quem assim foi educado, porém temos de estudar e de analisar aquilo que os explica.
O "sistema", em cuja origem está a raiz do mal, não carece de "regulação", exactamente porque a "regulação" nada resolve e apenas prolonga a crise sobre a crise. O capitalismo sabe e consegue simular a sua própria regeneração. Mas é uma hidra que se apoia em referências na aparência inexpugnáveis, realmente falaciosas. Enfim: o nosso dinheiro está à guarda de ladrões.

BAPTISTA-BASTOS

segunda-feira, 4 de agosto de 2014

Estar em cima do acontecimento:

Depois de uns dias de chuva em que interrompi os meus passeios matinais com minha esposa no Parque de Lazer e hoje com a aparição do sol lá voltamos manhã cedo. Mas não é o cerne do texto o passeio matinal. É pelo facto de há dias escrever aqui um texto com a finalidade de dar conta aos Freamundenses como certos “valentões” se comportam com os contentores do lixo. Estes, sem culpa nenhuma, têm sido alvo das atrocidades que os tais valentões cometem diariamente, ou seja de noite, porque há luz do dia não tem coragem.
Hoje notei que o meu texto teve algo de didáctico. Se não foi, foi coincidência. É que os ditos contentores estavam amarrados às árvores ou postes de electricidade e assim não foram motivo para serem tombados. Mesmo assim havia um meio tombado. Mas os autores não se sentiram com coragem para o desamarrar ou cortar a corda que o prendia à árvore. Por isso fico contente por relatar certos factos e estes terem solução. Não há nada que não a tenha. O que interessa é estar em cima do acontecimento. 

domingo, 3 de agosto de 2014

Passeios matinais:

Depois de tomado o pequeno-almoço na pastelaria Panisilva eu e a minha esposa vamos até ao Parque de Lazer cuidar dos nossos exercícios físicos. Sabe bem logo pela manhã apreciar a beleza da Natureza. E assim o Parque de Lazer é uma mais-valia para quem quiser tratar da saúde e da sua performance. Por isso não é de estranhar a quantidade de pessoas que para ali vão. Há pouco que faço ali a minha aparição mas dou-a como bem empregue. Julgo que também minha esposa é desta opinião.
Como disse o Parque de Lazer é uma mais-valia para os Freamundenses. Só que a estimação que os autarcas ali depositam está-se a deteriorar. É com profundo desgosto que comento com a minha esposa as atrocidades que ali se praticam. Todas as manhãs deparo com os contentores do lixo tombados e o lixo espalhado pelo chão ao sabor dos cães e outros animais que aproveitam esta situação para farejar o que lhes mais interessa.
Sabe-se que há pessoas que têm prazeres que custam a compreender aos comuns dos mortais. A este tipo de gente podemos ou devemos chamar de inimputáveis. Que praticam o mal julgando-o bem. Pessoas sem consciência. Não sabem estimar o que é público. Comparo-os aos pirómanos. Sentem prazer com a destruição. Entendo que deve ser este tipo de gente que ali aparece sobre a escuridão da noite e assim têm os seus prazeres. Que prazeres mais imbecis.
Mas ficam com a sensação que são uns valentões. Agem no anonimato da noite. Gostava de os ver durante o dia e à frente das pessoas a terem estas acções. Não são capazes porque são uns cobardes.
E assim quem gosta de ver o Parque de Lazer limpo e asseado depara com os contentores do lixo todos tombados. Até quando isto vai acontecer.

sábado, 2 de agosto de 2014

Humor fim-de-semana:

Um alentejano montado num burro por uma estrada fora. A determinada altura o burro parou.
Diz o homem:
- Este burro filho da p... parou e ê é que vou ter de levar a carga toda.
Vou falar c/ o mecânico. Se ele põe 1 carro a andar deve tb. fazer andar 1 burro.
E dirigiu-se a uma oficina próxima.
- Sr. mecânico, o mê burro parou, não quer andar e preciso de sua ajuda.
- Sr. Chico, eu vou dar-lhe 2 supositórios, 1 de pimenta e outro de malagueta. Você mete o 1º no rabo do burro. Se ele ainda assim não andar, mete-lhe o de malagueta. Mas, cuidado, que ele pode acelerar demais...
- Tá bem, amigo, vô seguir os sês conselhos...
No outro dia...
- Então, sr. Chico, o burro andou?
- Se andou? Pu.. que o pariu... pus-lhe o 1º supositório no cú e ele saiu desimbestado. Se não meto o de malagueta no meu, nunca mais o apanhava...

sexta-feira, 1 de agosto de 2014

Nacos de vida. Poesia de Rodela:

Os restos duma ressaca

Não são meus estes versos que estão lendo
são restos da ressaca domingueira,
filhos directos duma bebedeira
que neste papel branco vão crescendo.

Apenas emprestei a minha mão
para que aqui se arraste a lapiseira
e não possa dizer a bebedeira
que tratei o seu filho como um cão.

Esta minha cabeça tão pesada,
filhos destes já têm uma ninhada
e não sei quando os deixa de parir.

Mas se forem alegres e sãozinhos,
temos só que baptizar os anjinhos
é mais um menos um deixem-nos vir.