sábado, 31 de maio de 2014

Homenagem do jornal Imediato aos clubes mais representativos do concelho:

Humor fim-de-semana:

Dois cagalhotos vão assaltar um banco e pelo caminho encontram a diarreia que lhes pergunta: - Aonde é que vão? - Vamos assaltar o banco. - Posso ir com vocês? - Não, que isto é um trabalho para duros.

sexta-feira, 30 de maio de 2014

Nacos de vida. Poesia de Rodela:

A razão tem sempre razão

Estou a ficar velho e malcriado,
não suporto este mundo mentiroso,
a razão põe-me louco e venenoso
mas eu, com razão, não fico calado.

Nem toda a sombra a mim me dá prazer
por muito abrasador que seja o sol,
se tiver que cantar de rouxinol
e nessa altura não me apetecer.

Chamem-me primitivo ou atrasado
chamem-me tudo que eu fico calado
mas não discutam mais, estou doente.

E a partir dessa altura vou jurar
quando necessitar desabafar
ir procurar animais e não gente.  

quinta-feira, 29 de maio de 2014

Contos que qualquer criança entende:

No Reino da Rosa havia um Rei garboso. Tinha sido coroado com a aclamação do povo do reino após o anterior Rei ter perdido uma boa parte da floresta para os reinos rivais numa grande batalha de má memória, tendo por isso abdicado e partido para o exílio em terras distantes.
O novo Rei não perdeu tempo na reconstrução do reino e preparação das próximas batalhas com ajuda do seu povo e dos seus bravos cavaleiros. Todos sabiam que um reino sem floresta não sobrevive muito tempo, e para além disso a floresta estava a ser destruída pelos reinos vizinhos, para angústia do povo que nela vivia e que dela dependia.
Como Rei prudente que era, a primeira coisa que fez foi reforçar o seu castelo. Aumentou as muralhas, reforçou as portas e cavou um fosso profundo. Ninguém, pensou o Rei, ali entraria sem a sua expressa autorização.
Para animar as suas hostes, nunca falava das anteriores batalhas nem dos feitos do anterior Rei, caído em desgraça e zombado pelos inimigos do reino. A história, pensou, não era boa conselheira, e em breve os seus feitos a fariam esquecer. Alguns cavaleiros não gostaram muito, é certo, sobretudo os que tinham travado essas batalhas, e alguns até protestaram, mas quando chegasse a hora todos se reuniriam em volta do seu Rei.
A primeira batalha foi ganha, apesar de ter sido sobretudo combatida pelos nobres nos seus ducados e condados, alguns importantes terem sido perdidos, e os conspiradores da corte (porque todos os reinos os têm) segredassem entre si que a vitória se devia sobretudo à bravura dos nobres e à fraqueza do inimigo. No entanto, e como era seu real privilégio, o Rei apressou-se a recolher os louros e despojos da vitória, e o seu prestígio por entre o povo do Reino da Rosa, pensou, aumentava.
A segunda batalha, no entanto, não correu assim tão bem. Enquanto os seus inimigos recuavam em toda a linha na floresta, o garboso Rei apenas conseguiu conquistar uma pequena parte do que tinha sido abandonado, deixando o resto nos braços de salteadores, pequenos reinos atrevidos que surgiam aqui e acolá, ou pior ainda, deixando a floresta ao abandono, numa imensa terra de ninguém.
O que não o impediu, no entanto, de proclamar aos sete ventos a sua grande vitória, e de como os inimigos tinham fugido apavorados à mera menção do seu nome. Ao ouvir isto, o povo já de si algo desalentado por tão magra vitória agitava-se e murmurava, cada vez mais alto, que talvez este Rei não fosse tão bravo como se supunha.
Foi então que do meio dos clamores surgiu o Cavaleiro Branco, que se dirigiu ao povo do Reino dizendo: vejam os magros proveitos da nossa batalha, sabem a pouco. Vejam tanta floresta abandonada e por conquistar, a que temos agora sabe a pouco. Esta vitória que o nosso Rei proclama, sabei-lo bem minha boa gente, sabe a pouco, e os nossos inimigos preparam-se para o grande confronto que se avizinha. Pois se el-Rei não é capaz de a travar, serei eu Rei em seu lugar. Quem está comigo?
Ao ouvir estas palavras, o garboso Rei empalideceu. Como se atrevia o Cavaleiro Branco a desafiar a sua autoridade, a pôr em dúvida os seus feitos, a menorizar assim a sua bravura que sabia por todo o povo reconhecida? Foi então que se encerrou no seu castelo, de altas muralhas, fortes portas e fosso profundo, e lhe disse: falas bem Cavaleiro Branco, mas aqui não entrarás tu enquanto eu não quiser, ou não convenceres os guardas a abrirem a porta.
E assim ficou o garboso Rei, no alto das muralhas do seu castelo, a observar o Cavaleiro Branco lá em baixo, no meio do povo, desafiando-o. Em breve, pensou, se fartará e se irá embora. Basta para isso ficar na segurança do castelo e esperar. E todo o reino terá a prova que ele, o legítimo Rei, é realmente o mais bravo. E se reunirão sob sua liderança para a grande batalha da próxima Primavera.
Porque o futuro, como qualquer criança sabe, aos bravos e destemidos reis pertence.
Do meu amigo Vega9000 no Aspirina B

quarta-feira, 28 de maio de 2014

Quem apagou a luz?

No domingo por volta das vinte horas, quando me encontrava a tomar o café da noite acompanhado pela minha esposa, não café, que por motivo de saúde tem de ser carioca de limão, recomendado pelo médico, a TVI começou a anunciar as previsões dos resultados dos partidos que concorreram às eleições para o Parlamento Europeu.
De imediato passaram para as sedes de campanha dos partidos para ouvir as declarações dos seus presidentes e cabeças de lista. Na do PS apareceu Francisco Assis a revelar que o PS venceu as eleições com uma vitória estrondosa mas tudo dito em tom de vaidade. Achei mal. Um vencedor deve ter humildade. Mais a mais quando os resultados não passam de projecções.
Em tom de falar para mim disse em voz alta: “Os foguetes estão a ser deitados cedo e espero que não vás apanhar as canas”. Os poucos clientes que naquela altura estavam no Café Mota começaram a olhar para mim por causa desse desabafo. Não me importei com esses olhares.
Com o decorrer das horas esse meu desabafo vinha dar-me razão. Não é que gostasse de a ter. Sou de esquerda e não gosto dos partidos da direita assim como da extrema-esquerda. Mas sei ser moderado e humilde nas vitórias e compreender as derrotas dos outros. Assim com esta não humildade e não saber esperar pelo fim do escrutínio o PS tornou-se ridículo e deu a entender que se trata de um pequeno partido. Os seus militantes e simpatizantes não mereciam isto.
De uma vitória passaram a uma derrota na boca dos representantes da Aliança Portugal. Arranjaram uma crise dentro do próprio PS. Crise que agora não a querem resolver. Enquanto isso a Aliança Portugal que devia estar a braços com a derrota de domingo parece cavalgar numa onda vitoriosa.
Ao PS e António José Seguro tocou uma vitória de Pirro. Depois não se admirem que outros digam: quem apagou a luz? 

terça-feira, 27 de maio de 2014

Terá Seguro um cérebro de faquir?

Já fiquei várias vezes sem gasolina porque o painel de controlo do meu Mini Clubman, fabricado no ano da Revolução de Abril, é austero na informação que disponibiliza. Quando o combustível entra na reserva, não se acende uma luzinha a avisar-me, como acontece nos carros mais jovens, da geração da sociedade da informação. Claro que tem um ponteiro que indica o nível de gasolina no depósito, mas nem sempre estou atento ao momento em que ele encosta à esquerda e deixa de mexer! Com a luzinha é outra limpeza. Acende e fico logo a saber que preciso de parar para reabastecer nos próximos 40 km. Gosto dos carros que falam comigo, a avisar-me das anomalias que os arreliam. Ainda ontem de manhã, o Opel Astra avisou-me de que o nível do líquido do lava-vidros está baixo.
A dor está para o nosso corpo como a luzinha que avisa que entramos na reserva. É o alerta para uma anormalidade que tem de ser resolvida. E, como quem avisa nosso amigo é, a dor é amiga, pois é a mensagem que informa o cérebro de que algo de errado se está a passar numa das nossas componentes. O cancro no pâncreas é dos mais mortais, porque este órgão consegue mascarar o que se passa de mau, não enviando para o cérebro o sinal de dor, e quando nos apercebemos da avaria já pode ser tarde de mais para a reparar.
Há muito mistério à volta do mecanismo da dor. A sensibilidade das pessoas à dor é muito variável e ainda não foi inventado um aparelho capaz de a medir com objetividade. Há quem, através da meditação e ioga, seja capaz de treinar o seu controlo. E há quem tenha uma extraordinária resistência à dor, como os faquires, cujo cérebro está a ser objeto de estudo.
A dor é nossa amiga, pois é essencial ao nosso mecanismo de sobrevivência. As pessoas que nascem com a síndrome de Riley-Day, uma desordem genética no sistema nervoso que as torna insensíveis à dor, têm uma esperança de vida curta, 30 anos no máximo.
Domingo à noite, a nossa democracia foi abalada por uma dor lancinante. O recorde de 66% de abstenção (mais 7,5% de votos brancos e nulos) não é uma ligeira dor de cabeça que se resolva com aspirina. E a votação nos três partidos do arco da governação ter caído para um mínimo histórico não pode ser encarado como uma leve dor nas costas que se trata com Rheumon Gel.
A dor é amiga, mas temos de lhe dar ouvidos. E a dor que o regime sentiu no domingo não é uma pequena febre que passa com um Ben-u-ron. Uma dor tão aguda e persistente é sinal de que temos um tumor maligno a corroer-nos as entranhas e precisamos de ir urgentemente ao médico, primeiro, e à faca, depois.
Será irresponsável e suicida se os líderes do PS, PSD e CDS optarem pelo comportamento autista de enfiar a cabeça na areia e ignorarem a dor - ou tentar camuflar os seus sintomas com panaceias, como o voto obrigatório, ou estímulos à moda da lotaria fiscal - do estilo de premiar com um Audi a melhor "selfie" feita numa mesa de voto ou darem uma raspadinha Pé-De-Meia a cada votante.
Para grandes males, grandes remédios. Ou será que Seguro tem cérebro de faquir e Passos e Portas nasceram com a rara e letal síndrome da imunidade à dor?
No JN de hoje

Há maneira de ver as coisas. Mas sejam sérios:

Há quem chame vitória à derrota e derrota à vitória. Mas entendo que quando se soma mais votos em relação às eleições europeias de 2009 é que é o vencedor. E neste caso houve derrotados. PSD, CDS e BE são os grandes derrotados. Quererem fazer da derrota uma vitória lembra o PCP em eleições desfavoráveis.