sexta-feira, 7 de março de 2014

Nacos de vida. Poesia de Rodela:

A vingança dum cobarde

Quanto mais meu galo canta
mais o quero ouvir cantar,
porque a mim, o que me espanta
é o prazer de me acordar.

Quer o sol já venha alto,
quer a lua esteja cheia,
ele acorda em sobressalto
e desperta às sete e meia.

E só quando eu me levanto
é que a corda desse encanto
perde de novo a folia.

Mas um dia, eu, cobarde,
só porque ele acordou tarde
fi-lo cantar todo o dia!

Do livro Nacos de vida
Poesia de Rodela

quarta-feira, 5 de março de 2014

A nossa vil tristeza:

Que Portugal se espera/ em Portugal?" perguntava, há anos, Jorge de Sena, o grande poeta do desespero lúcido. Reverto as lembranças para todos aqueles, como Sena, que interrogavam a pátria, então tão confusa, dissipada e aparentemente tão alheada como agora. Onde estão, agora, os que deixaram de estar, desaparecidos na voragem de um país que a tempestade moral tem dissolvido? Carlos de Oliveira, que também perguntava: "Acusam-me de mágoa e desalento (...) / homens dispersos", e de quem falei, anteontem, com Alice Vieira. Disse a minha amiga: "E se a eles nos referimos, tomam-nos por anacrónicos." Perderam-se, irremediavelmente, os testamentos legados por aqueles que contribuíram para que a fisionomia cultural do País não soçobrasse, quando, como agora, um governo calculado impunha o poder absurdo da infalibilidade e dos interesses a um povo impossibilitado de reagir? Antigamente, pela coacção da força e o império do medo; hoje, pelo mesmo medo mascarado de democracia e por uma "democracia" que há muito perdeu a face e a dignidade, naturais na sua síntese.
Aos poucos, mas com perseverante desígnio, têm-nos abolido o direito de perguntar. E a inflexibilidade das decisões ignora a vergonha, a decência e a própria noção dos valores republicanos. Aliás, esta súcia trepada ao poder é a mesma que apagou de comemorações a efeméride do 5 de Outubro; que ressuscita um morto moral, Miguel Relvas; e que pune um homem sério pelo "crime" de a ter enfrentado, António Capucho.
A estratégia do embuste não poupa ninguém. Agora, até a Dr.ª Maria Luís Albuquerque repete a fórmula segundo a qual estamos melhor do que há dois anos. Di-lo sem corar nem hesitar. Ela, que parecia cordata no verbo, e recatada na preservação da identidade pessoal, entrou na dança do marketing do Governo. A maioria da população está empobrecida sem remissão; a esmola tornou-se característica oficial; o desemprego alastra como endemia; os ricos estão cada vez mais ricos, numa afronta que explica os dez por cento do produto interno bruto que auferiram em 2013; essas fortunas correspondem aos 16,7 mil milhões de euros distribuídos por vinte e cinco famílias. A insistência nos números da nossa miséria devia ser uma obrigação moral da imprensa, e não o é. Está mais do que provado que este Executivo arrasta a pátria para as falésias, não só por incompetência criminosa como por orientação ideológica. O Dr. Cavaco vai ao estrangeiro e diz coisas absurdas e abstrusas, dando cobertura a uma das maiores tragédias sociais que Portugal tem atravessado. A sua tenaz mediocridade é objecto de devastadoras anedotas, e o respeito reverencial que o cerca tem impedido a crítica que se impõe aos seus actos.
"Isto dá vontade de morrer", para lembrar o grito d"alma de Herculano, em hora de desânimo como a de agora.
BAPTISTA BASTOS

Hoje no DN

A Justiça fecha os tribunais porque quer fechar tribunais. A troika é como a história do papão:

Pinto Monteiro, antigo Procurador Geral da República, manifestou-se contra o fecho dos tribunais no interior do país e acusou o Governo de estar a arruinar as populações. "Era melhor fecharem-nas à força como fazia antigamente o regime nazi", criticou.

terça-feira, 4 de março de 2014

Dizem que o país está bem e… recomenda-se:

Isto é dito por quem não conhece a realidade do País. Um país é composto pelo seu povo, sua história e seus monumentos. Sem povo e sem história não há país. De história somos riquíssimos de há uns séculos até ao ano de dois mil e onze. A partir daqui a nossa história entrou em colapso.
Diz-se que um forte rei faz forte a fraca gente e o seu inverso também se pode aplicar. E… nada melhor que aplicar a metáfora: um fraco rei faz fraca a forte gente. É o que aconteceu com este governo. Teve tudo para ser um forte rei e apanhou uma forte gente.
Só que há pessoas que não sabem ser líderes. A liderança não se impõe: conquista-se pelas acções. Por isso custa-me ver os nossos governantes a vangloriarem-se e dizerem que o País está melhor do que em dois mil e dez princípios de dois mil e onze.
Como disse em cima o país é composto pelo povo, história e monumentos. Começo pelos monumentos. Estão a cair e o pouco que resta é para ser vendido como no caso dos Mirós. Na história não há nada de louvável. Pelo contrário estão a matá-la devagarinho.
Agora vem a parte mais importante de um país que é o seu povo. E… o que estão a fazer com ele. Como na história a matá-lo devagarinho. País que não tem sensibilidade para o seu mais valioso tesouro só lhe resta uma solução: o seu desaparecimento.
Por isso o não admirar-me em ouvir dizer que somos um protectorado.    

segunda-feira, 3 de março de 2014

A falir outros não há como a Alemanha:

As guerras têm a vantagem de ensinar--nos geografia. Mas seria preferível continuarmos sem saber onde fica a Crimeia e que a sua cidade de Sebastopol, apesar de ucraniana, é o único porto russo que não está gelado em nenhuma época do ano. Nesse porto há uma base da Armada russa. Fiquemos com esse primeiro facto: a Rússia e a Ucrânia têm muito passado comum. O suficiente para uma cidade ucraniana ter um porto que é o único que abre o Mediterrâneo à Rússia. Decorre do passado comum outro facto: aquela Ucrânia que nos têm apresentado como unanimemente ocidental não é homogénea. Nas fronteiras ocidentais ela é culturalmente ucraniana, nas orientais e na Crimeia, russa. Qual foi a parte de "não há bons, de um lado, e maus, do outro" que não perceberam? Ah, perceberam tudo, então expliquem à Alemanha que era melhor não ter acirrado uma das partes da Ucrânia contra a outra... Mas chega de más notícias, vou dar uma boa: não vai haver guerra. Sabem porquê? Porque nas guerras é necessário dois lados. E neste caso só um é certo: a Rússia não vai perder uma parte essencial de si. O outro lado, a União Europeia que acirrou, vai espernear com palavras mas não vai espingardar, por que não tem com quê. Então, a União Europeia vai ficar com um Estado falido nos braços. Como antigamente, a Alemanha perde mais uma guerra. Como recentemente, mostra que é boa a empobrecer os outros. Mas, valha a verdade, continua a saber vender Audis.
FERREIRA FERNANDES
Hoje no DN

domingo, 2 de março de 2014

É Carnaval, ninguém leva a mal:

Devia de ser assim mas não é. Há pessoas que à mínima crítica reagem. Cavaco Silva e o seu staff são exemplo disso. Quando um manifestante há tempos disse "vai trabalhar", foi-lhe accionado um processo-crime e não demorou muito a ser multado em dinheiro. Mas o mais engraçado, quando acontece casos destes, os lesados em caso de ganhar em tribunal oferecem o valor da multa a uma instituição de caridade. Não foi o que aconteceu com Cavaco Silva. E, assim vai acontecendo. Até que num dia destes em Loulé resolveram fazer um corso com Cavaco Silva em cima de um burro, caracterizando o Zé-povo, e Cavaco Silva em cima dele pescando umas cenouras. 
Esta caricatura foi o bastante para vir a censura - lápis azul - proibir tal evento. Em Portugal, nesta altura, uns podem ser caricaturados outros não. Mas o mais interessante é que são os conterrâneos de Cavaco Silva a criticá-lo. E, sendo assim, os algarvios sabem do que falam. 
Por isso termino, dizendo, que pelo Carnaval ninguém devia levar a mal. Mas há pessoas que não têm sentido de humor. E… Cavaco Silva é uma delas.

sábado, 1 de março de 2014

Humor fim-de-semana:

A Mulher desconfia que seu marido a estava a trair com a empregada.
Resolve preparar uma armadilha pra pegar o marido no com a boca na botija.
Dispensou a empregada no fim de semana e não contou ao marido.
À noite, quando iam para cama, o marido contou a mesma velha história:
- Desculpa, minha querida, mas estou mal do meu estômago outra vez.
Vou tomar um ar e já volto.
Ele então rumou em direcção ao WC.
A mulher saiu rápido pelo corredor, subiu as escadas e deitou-se na cama da empregada.
Mal ela tinha apagado a luz, veio ele, em silêncio.
E, sem perda de tempo, saltou para a cama e fez amor com ela com toda a fogosidade.
Ambos gemiam de prazer.
Quando terminaram, a mulher disse, ainda ofegante:
- Tu não esperavas encontrar-me nesta cama, não é querido?
E ligou a luz.
- Sinceramente, não, minha senhora, disse o jardineiro!!!!!