sábado, 8 de fevereiro de 2014

Humor fim-de-semana:

Durante uma aula de Boas Maneiras, a professora diz:
- Rodrigo, se você namorasse uma rapariga fina e educada e, durante o jantar, precisasse de ir ao WC, o que diria:
- Segura as pontas aí que eu vou dar uma mijinha.
- Isso seria uma completa falta de educação!
Armando, o que é que você diria?
- Mil desculpas, preciso ir ao WC, mas já volto.
- Melhor, mas é desagradável mencionar o WC durante as refeições.
E você, Joãozinho, seria capaz de usar a sua inteligência para, ao menos uma vez, mostrar boas maneiras?
- Eu diria:
-Minha princesa, peço licença para me ausentar por um momento, pois vou estender a mão a um grande amigo que pretendo apresentá-lo depois do jantar.

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

Nacos de vida. Poesia de Rodela:

São horas de abrir os olhos

Rosa da terra brava de ninguém,
obreira de coroas esquecidas,
sarrafo dumas guerras mal vencidas,
à espera da justiça que não vem.

Lance ao fogo a caveira, mostre a cara,
ignore demonstrar entendimento,
não encubra, falhou o casamento,
a seita não aceita coisa rara.

Os “cagueiros” são mais que os cadeirões,
logo vai ter que alguém ficar de pé…
insensível aos homens de boné,
você cai sempre ao pé dos mexilhões.

Entregue, às mãos do povo, o seu saber,
imensidões de campos vão florir,
renegue um dia voltar a fingir
aqui é que a razão pode crescer…

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

Ex-combatentes são agressores:

Ao ler um texto de ex-combatentes da guerra do ultramar e onde se afirma que um cada dez está afectado por doenças do foro psíquico nada me surpreende. Quem viveu este drama sabe o quanto foi difícil viver isolado durante vinte e dois meses, o meu caso, e constantemente apoquentado com o que nos pudesse acontecer. A vida de militar era difícil. Viver este tempo todo sem uma alma feminina leva a tornar-nos uns seres sem sentimentos. Por que quer queiramos ou não faz falta a presença feminina, a sua voz e o seu encanto. Assim tornamo-nos nuns seres abrutalhados. Sempre as mesmas coisas e as mesmas caras.
Por isso o não me surpreender que em qualquer zanga se dizia: dou-te um tiro. Um dia estava de serviço ao acampamento da Junta Autónoma Estradas de Angola (JAEA) e como era Radiotelefonista e tinha de ficar no acampamento foi-me incumbido de ser o responsável pela venda das bebidas e tabaco. Havia sempre uma secção de soldados que ficava de piquete ao acampamento e que volta e meia vinham comprar cerveja. Só estava autorizado a vender duas cervejas a cada soldado fora as das refeições. Alguns soldados tentaram enganar-me mas não levaram a sua avante.
À tardinha, depois do horário laboral dos trabalhadores da JAEA, ia uma coluna de soldados do quartel buscar os trabalhadores. Nesse dia dois soldados que faziam parte do pelotão que custodiava as máquinas da JAEA pediram ao Alferes para irem ao quartel e lá pernoitarem pois tinham assuntos a tratar. O Alferes autorizou.
Ao outro dia a coluna de soldados quando foi levar os trabalhadores da JAEA disseram que houve tiroteio no quartel e que quem o praticou foi um soldado que estava dado ao pelotão que fazia segurança ao acampamento da JAEA. Que depois de ter disparado vários tiros dentro de uma camarata e ver vários soldados estendidos no chão saiu da camarata e deu um tiro em si próprio. Apontou a G3 ao coração e disparou. Estava estendido no chão com arma na suas mãos e ninguém se atrevia a prestar-lhe socorro. Passados uns minutos é que o socorreram mas já tinha sido pedido uma evacuação de helicóptero a Luanda.
Nesta altura teríamos ano e meio de comissão. A maioria dos soldados andava como se dizia “cacimbados”. Comecei a recear. A partir desta data oferecia-me voluntário para o acampamento da JAEA. Tinha piores condições habitacionais e de higiene mas preferia isto do que viver na turbulência do quartel.
Houve tempos que volta e meia durante a noite eramos perturbados com a algazarra de um Furriel. Pedíamos para abandonar a camarata pois ali não era os seus aposentos mas éramos logo ameaçados por ele com uma granada na mão. Quantas vezes eu e outros colegas rastejávamos pelo cimento da camarata para fugir dali. Como as luzes da camarata estavam apagadas o furriel não dava pela nossa saída.
O tempo ia passando e cada vez se tornava mais difícil a nossa vivência. Foi muito tempo isolados de tudo. A povoação mais próxima era o Caxito. A vinda a esta povoação evitou males maiores. Aqui podíamos desfrutar de um almoço ou jantar, petiscar umas moelas ou camarão, frango no churrasco, tudo isto, acompanhado com umas Nocais ou Cucas, conviver com outras pessoas e uma saltada às mulheres que vendiam “amor”. Se não fosse isto não sei os traumas que amealhávamos. Para exemplo: Houve soldados que nunca vieram ao Caxito ou gozaram férias em Luanda e quando viemos para Luanda aguardar embarque tinham dificuldade em andar na cidade e atravessar as ruas.
Por isso há pessoas que ironizam com a desdita de milhares de homens que hoje sofrem com os traumas da guerra. Gostava que lhes viesse a suceder o mesmo. Já disse e volto a dizer que não sinto vergonha pelo meu passado e fazer parte dos veteranos de guerra. Assim como não comungo do aspecto de “nacionalistas” que alguns veteranos demonstram.
Fomos fruto de um sistema que envergonhou o País. Não escolhemos esta situação fomos obrigados a aceitá-la.

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

Faz hoje 53 anos:


Era um domingo o dia cinco de Fevereiro de mil novecentos e sessenta e um e como vem sendo tradicional celebra-se a festa em honra de S. Águeda, no lugar com o mesmo nome, na freguesia de Sousela, no concelho de Lousada. Santa Águeda é protectora dos seios das mulheres e com isso do leite materno o que faz com que mulheres com problemas de aleitação para os seus filhos façam promessas e aproveitem o dia festivo para as satisfazer. Foi o que aconteceu com a minha mãe. Teve dificuldade com a aleitação de uma minha irmã e prometeu a S. Águeda caso a filha vingasse ia ali a pé ouvir uma missa em sua honra. E, assim aconteceu.
Naquele tempo o horário laboral era de segunda a sábado e o perder meio-dia de trabalho fazia-se sentir na féria quinzenal. Teve que se aproveitar que a Santa Águeda calhasse a um domingo. E foi o que aconteceu no dia cinco de Fevereiro de mil novecentos e sessenta e um. O dia nasceu com sol e propício para se fazer a caminhada. Os meus pais e meus irmãos, comigo incluído, lá partimos por entre agras, montes e vales, com um farnel para devorarmos ao meio-dia. A distância é de uns dez quilómetros o que levou a que quando lá chegamos íamos estafadínhos. Mas promessas são promessas.
Quando íamos a caminho ouvimos de outras pessoas que como nós iam para o mesmo efeito, que se falava em Freamunde, que tinha morrido em Angola, Nuno Augusto Ferreira Mendes, que ali desempenhava funções de Polícia de Segurança Pública. Não se sabia o motivo. Recebemos essa notícia com estupefacção. Disse o meu pai: tão bom rapaz era e tanto lutou na vida para a melhorar que veio a falecer. Nuno Augusto era serralheiro civil na mesma fábrica e secção do meu pai. Por isso o meu pai atestar a bondade dele.
Foi cumprir o serviço militar e quando passou a pronto foi mobilizado para a India, para uma das três províncias, que eram Goa, Damão e Diu. Regressou de cumprir o serviço militar e voltou para a fábrica de Albino de Matos Pereira & Barros para a mesma profissão. Nessa altura já ali trabalhava e tive oportunidade de o conhecer. Assim também pude atestar o mesmo que meu pai atestou. Era visto como um herói pela petizada que comigo ali trabalhava pelo motivo de estar na India ao serviço do exército português. É que naquela altura quem fosse à “tropa” era considerado um homem perfeito. Quantos choraram por não ter essa primazia.
Depois de a minha mãe ter cumprido a promessa arranjamos um lugar no monte de Santa Águeda para dar cabo do farnel. Acabado este, metemos pés a caminho porque ainda tínhamos umas duas horas para palmilhar. E assim chegamos a Freamunde e podemos nos inteirar do infortúnio de Nuno Augusto. Agora não eram boatos mas sim certezas até porque a Rádio Televisão Portuguesa e a Emissora Nacional não podiam esconder os factos. Assim, soube-se:
“Na Madrugada do dia 4 de Fevereiro de 1961, grupos de guerrilheiros angolanos, comandados por Neves Bendinha, Paiva Domingos da Silva, Domingos Manuel Mateus e Imperial Santana, num total de cerca de duzentos homens, armados com catanas, desencadearam uma série de acções na cidade de Luanda. Um desses grupos montou uma emboscada a uma patrulha da Polícia Militar, neutralizando os quatro soldados, tomando-lhes as armas e as munições. Com o objectivo de libertar os presos políticos, assaltaram a Casa da Reclusão Militar, o que não conseguiram.
Outros alvos foram a cadeia da PIDE, no Bairro de São Paulo e a cadeia da 7ª Esquadra da PSP, onde havia também presos políticos. Tentaram igualmente ocupar a «Emissora Oficial de Angola», estação de rádio ao serviço da propaganda do Estado.
Nestas acções, morreram quarenta guerrilheiros, seis agentes da polícia e um cabo do Exército Português, junto da Casa da Reclusão.
O Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA), considera o 4 de Fevereiro como data do início da luta armada em Angola. No entanto, na origem desta rebelião esteve o cónego Manuel Joaquim Mendes das Neves (1896-1966), mestiço, natural da vila do Golungo-Alto, missionário secular da arquidiocese de Luanda, o qual não estava ligado ao MPLA.”
Desde este dia as rebeliões aconteciam um pouco pelo norte de Angola mais precisamente pela zona dos Dembos: Caxito, Quicabo, Beira Baixa, Nambuangongo e certas fazendas por ali existentes o que levou Salazar a proferir a célebre frase: para Angola e em força. A partir de Maio começou a partir do cais de Alcântara os primeiros barcos com tropa para Angola.
De Freamunde - minha terra - foram uns quantos, alguns já estavam a acabar o tempo de tropa. Mas não havia nada a fazer. A partir daqui quase todos os batalhões que para ali iam, fazia parte deles, soldados de Freamunde. Os anos iam passando e não havia maneira da guerra acabar quer fosse pela derrota do inimigo, por um tratado de paz ou pela descolonização. E assim se foi andando, andando e andando até que chegou à minha vez. Nunca pensei que tal acontecesse e para mais ir para o teatro de guerra onde ela começou.
Não é por ter vergonha de fazer parte desses jovens. Sinto orgulho e tenho a consciência tranquila de dever cumprido. A minha Companhia (3341) pode-se orgulhar de ter contribuído para o engrandecimento de Angola. Quer em dinamização quer em obras que efectuou deixando um rol do qual me orgulho assim como os meus colegas.
Por isso o hoje vir aqui lembrar o quatro de Fevereiro de mil novecentos e sessenta e um e lembrar o Nuno Augusto Ferreira Mendes.

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

Faleceu João Taipa. Paz à sua alma:

Foi no dia dois do dois de dois mil e catorze. Podia ser seu filho mas ainda joguei futebol no Sport Clube de Freamunde com ele. Quando subi à categoria de seniores, ano de mil novecentos e sessenta e seis, podia jogar a prova extra nos juniores, mas tanto eu como o falecido Luís Afonso e o Alcino subimos a seniores. Nesse ano Fialho era treinador/jogador do Sport Clube de Freamunde e não chegou a acabar a época tendo João Taipa, julgo, que também o Barbosa assumido o comando do Sport Clube de Freamunde. A prova extra - Taça José Bacelar - foi orientada por estes dois atletas.
Mais tarde o Sport Clube de Freamunde fez o jogo de homenagem a João Taipa tendo o Freamunde defrontado o F. C. Penafiel e o F. C. Porto o Vitória de Guimarães. Julgo que entre Freamunde e Penafiel o resultado foi de dois a dois tendo marcado o segundo golo do Penafiel o Nartanga. Era um jogador bastante alto e tirava partido disso com os seus golos de cabeça.
 Tive sempre admiração por João Taipa pois era um grande amigo do meu falecido pai. Como prova de carinho há uns anos elaborei um vídeo das personagens que faziam parte do livro “Pedaços de Nós” com ilustração de Vitorino Ribeiro e versos de António “Rodela” e tive a particularidade de separar, mais tarde, o verso de João Taipa o qual acrescento a este texto.
À família endereço os meus mais sentidos pêsames e homens como João Taipa só desaparecem fisicamente. Por que pessoas como ele ficam sempre no coração dos Freamundenses. E… no meu também.

domingo, 2 de fevereiro de 2014

O dia tinha nascido às cinco e quarenta e cinco minutos:

Como de costume um céu brilhante a fazer crer que ia ser mais um dia de bastante calor. Regra geral era trinta e quatro, trinta e cinco graus celsius de máxima e vinte e quatro de mínima. O corneteiro tinha tocado a alvorada. O segundo pelotão foi tomar o pequeno-almoço pois de seguida tinha-se de pôr de abalada para mais um reconhecimento (operação militar) aos vários acampamentos do nosso inimigo que existiam na floresta do Quifuso. Íamos ser transportados de Unimogue (burro do mato) até perto da Beira Baixa para dali entrarmos na dita floresta. Mal acabamos de entrar deparamos com um laranjal e neste vários homens a quem chamávamos turras. Houve troca de tiros e fizemos um morto ao inimigo.
Seguimos o nosso itinerário e podemos ver estendido no chão o corpo inerte do tal inimigo. Pelo aspecto não tinha mais de vinte e poucos anos. Na flor da idade dizia adeus à vida. A vida era isso. Por isso o matar para não morrer. O Alferes foi aconselhado pelo nosso guia a mudarmos de objectivo porque íamos ter o inimigo sempre na nossa peugada. E tal como o nosso guia previa tivemos durante esse dia o inimigo a molestar-nos. Quando tínhamos arranjado um lugar propício para almoçar tivemos tiroteio o que felizmente não nos trouxe qualquer baixa ou ferido a não ser um arrepio que nos correu pela espinha das costas acima. A vida de soldado na guerrilha ultramarina era isto. Sobressalto atrás de sobressalto.
Assim depois de acabar o tiroteio há que recolher todos os nossos haveres e pormos em marcha. Olhávamos para o semblante de cada um e notávamos um certo receio. Mesmo assim pusemos pé a caminho e fomos ter a um local onde antes três meses tínhamos realizado uma operação a nível de sector. Nesta operação intervieram dois pelotões da minha companhia, onde eu e o cabo rádio telefonista Sancho, éramos os radio-telefonistas de serviço. Lembras-te Sancho?
As operações a nível de sector compreendiam, além de nós, as tropas dos Comandos, Paraquedistas e a Força aérea com os aviões F 16... Estes momentos vividos e agora lembrados ainda me causam uma sensação de angústia. De angústia porque nunca fomos uns malfeitores ou assassinos. Unicamente tínhamos de salvar a nossa vida. É como diz Paco Bandeira na canção: “Ter de matar p´ra não morrer”.
Éramos tratados de voluntários mas éramos uns voluntários obrigados. Quantos de nós quando ia para a mata pensava que podia ser a última vez. Tinha alturas que pensava isso. Mas vinha logo um pensamento positivo. Era azar de mais entre tantos vir logo uma bala destinada a mim. O que é certo, é que às vezes vinham e sem remetente.
Demos seguimento ao reconhecimento embora o traçado já estivesse todo alterado. Os nervos andavam alterados. E… ainda mais quando estávamos num certo sítio e apareceu a aviação a bombardear o acampamento de que seguida tínhamos de lançar um golpe de mão. O meu alferes vendo a aviação por cima de nós mandou-me entrar em contacto com ela prevenindo-os desse facto. E lá comecei eu a chamar: Pássaro, pássaro, aqui cobra, escuto. E lá ouvi: Cobra aqui pássaro transmita, escuto. Correcto. É para informar que estamos dentro do círculo e o meu maior pede atenção da vossa parte. Ok. Recebi correcto e informa o teu maior que sabemos o que estamos a fazer pois tanto nós como vós encontramo-nos dentro das coordenadas. Mais informa o teu maior para ganhar coragem para o assalto ao acampamento e que tenhais sorte. Ok. Recebi correcto e obrigado pelo estímulo.
De seguida iniciamos o golpe de mão e só encontramos animais abandonados. O inimigo tinha abalado. O mais bonito é que depois dos reconhecimentos não se via vivalma nenhuma. Ainda bem porque não tínhamos interesse no confronto. Permanecemos ali algum tempo e podemos ver como estava bem delineado o acampamento. As cubatas eram feitas através de cana de bambu e capim. Debaixo de uma densa mata com imbondeiros e outras árvores densas o que favorecia a sombra e protegia o acampamento do bombardeamento feito pela aviação. Regra geral era nas proximidades de um rio. Depois de feito todo o reconhecimento à que dar de abalada pois tínhamos outros objectivos e sabíamos que íamos ter o inimigo atrás de nós.
O reconhecimento estava no seu final. Agora era a vinda que nos preocupava. Regra geral nunca vínhamos pelo trilho mas sim a corta mato. Dava mais trabalho e demorava mais mas era mais seguro. Em fila indiana e com precaução vínhamos satisfeitos pois o reconhecimento tinha decorrido dentro do previsto. Daqui para a frente era manter a vigilância adequada que o caminho fazia-se caminhando. Entrei em contacto com a rede rádio da companhia a dar-lhes o horário e as coordenadas para onde íamos. Escusado será dizer que quando ali chegamos montamos um perímetro de segurança para não cairmos em nenhuma emboscada quer nós quer a coluna motorizada que nos vinha buscar. Nesta situação todo o cuidado é pouco.
Estávamos ansiosos por chegar ao quartel. Tantas vezes dizíamos mal dele e agora reconhecíamos o quanto nos fazia falta. Só sabemos dar valor às coisas quando não as temos. Foi o que aconteceu nestes três dias. A falta que sentimos da cama, do duche, de uma comida quente, duma Cuca ou Nokal no bar do soldado e de uma conversa em voz alta. Mas ainda bem que estávamos a menos de uma hora de chegarmos à nossa “casa”.
Já via os meus colegas de transmissões a abraçar-me por tudo correr bem. Era também o que sentia toda a corporação. Um por todos e todos por um. Depois de entregar o material de transmissões no posto de rádio desloquei-me para a camarata para me preparar para o duche. Ali desfiz a barba e saboreei a água que caía do bidão – fazia de depósito – morna derivado à alta temperatura que se fazia sentir na zona dos Dembos. Depois rumei até ao bar do soldado e logo que ali cheguei apareceu à minha frente uma Cuca, um casqueiro e chourição. Era assim que nos recebiam os nossos camaradas. Noutras alturas fazíamos nós a eles. A vida era isto. Só sabe dar valor a estes pormenores quem passou por eles. É que no regresso de cada reconhecimento parece que voltávamos a nascer.             

sábado, 1 de fevereiro de 2014

Humor fim-de-semana:

Era uma vez um rei que queria pescar.
Ele chamou o seu meteorologista e pediu-lhe a previsão do tempo para as próximas horas.
Este lhe assegurou que não iria chover.
A noiva do monarca vivia perto de onde ele iria e colocou sua roupa mais elegante para acompanhá-lo.
No caminho, ele encontrou um camponês montando seu burro que viu o rei e disse: "Majestade, é melhor o senhor regressar ao palácio porque vai chover muito".
O rei ficou pensativo e respondeu:
"Eu tenho um meteorologista, muito bem pago, que me disse o contrário. Vou seguir em frente".
E assim fez. Choveu torrencialmente.
O rei ficou encharcado e a noiva riu-se dele ao vê-lo naquele estado.
Furioso, o rei voltou para o palácio e despediu o meteorologista.
Em seguida, convocou o camponês e ofereceu-lhe emprego.
O camponês disse: "Senhor, eu não entendo nada disso. Mas, se as orelhas do meu burro ficam caídas, significa que vai chover".
Então, o rei contratou o burro.
E assim começou o costume de contratar burros para trabalhar junto ao Poder...
Desde então, eis a razão de burros ocuparem as posições mais bem pagas em qualquer governo.