domingo, 2 de dezembro de 2012

Espectacular Dança de Mil Mãos 21 Surdos-Mudos:


Lá vamos cantando e rindo:


No meu tempo de escola quando dávamos entrada na sala de aula as primeiras figuras com que deparávamos eram António Oliveira Salazar e Craveiro Lopes, numa moldura em madeira, cada uma, dependuradas na parede da sala de aula. Pose austera como era austera a vida dos portugueses.
Depois de vestirmos a casaca da Mocidade Portuguesa, quase igual à que o exército usava, começava a manhã ou tarde de aulas. A mim, da primeira à quarta classe, as únicas que frequentei no antes do vinte e cinco de Abril, foram sempre da parte de tarde. Nos dois últimos anos de escola a moldura de Craveiro Lopes foi retirada para dar lugar à de Américo de Deus Rodrigues Tomás que venceu com "fraude" as eleições de mil novecentos e cinquenta e oito sobre o General Humberto Delgado. 

Muita tinta gastou estas eleições mas como vivíamos numa ditadura tudo foi aldrabado, aliás, se não fosse, Oliveira Salazar, ia ser posto na rua porque foi uma das várias medidas propostas pelo General.
Então, a partir daí essas duas molduras começaram a fazer parte da nossa vida. Convivíamos com elas quase tanto tempo como com o nosso pai que passava a maioria das horas do dia e noite a trabalhar. Eram tempos de miséria e desgraça!
O senhor Professor ensinava-nos o respeito a ter com os nossos governantes porque assim era obrigado. Ninguém era livre de pensar pela sua cabeça. Mais a mais os professores que precisavam da sua profissão como modo de sustento da sua família.
Em Julho de mil novecentos e sessenta saí da escola com o segundo grau - como era denominado - adquirido e deixei ali a casaca da Mocidade Portuguesa e as molduras dependuradas para outros vindouros.
Depois do vinte e cinco de Abril foram saneados os governantes, as molduras e as casacas da Mocidade Portuguesa.
Viveram-se tempos de liberdade! As crianças que frequentavam as escolas pareciam outras assim como quem lhes administrava o ensino. Quando não se tem medo a vida é outra coisa.
Mas, estamos a chegar a tempos comparados. Está-se a tirar a alegria de viver. A maioria das nossas crianças estão a ir com fome para a escola como naquele tempo!
As últimas eleições foram uma "fraude" como as de mil novecentos e cinquenta e oito!
O Presidente da República está a proteger o Primeiro-ministro como Américo Tomás protegia Salazar!

E, para cúmulo de tudo, estão para reaparecer nas salas de aula, as molduras com as fotografias destes dois “botas”.
E as nossas crianças, para ali irão, cantando e rindo à espera que lhe vistam a casaca da Mocidade Portuguesa. 

O fantasma que habita Belém:


• Nicolau Santos, O orçamento que não merece ver a luz do dia [hoje no Expresso-Economia]:
‘A maioria parlamentar aprovou o orçamento que vai reduzir o nível de vida da generalidade dos portugueses às suas necessidades básicas. Já diminuímos tudo: o consumo de água, luz e energia; cortámos na compra de vestuário, livros, idas ao cinema, teatro e restaurantes; reduzimos o consumo de tabaco e álcool; falamos menos ao telemóvel, deixamos mais vezes o automóvel em casa; tirámos os miúdos da escola privada e pusemo-los na pública; as idas ao médico e ao dentista restringem-se às situações de emergência; em viagens já não se pensa e férias fora de casa tornaram-se um luxo.
Agora chegou o tempo de reduzirmos os custos na alimentação. Quem comia produtos frescos passou para os congelados; quem consumia congelados passou para as massas; e quem comia massas passou para as papas. Pela primeira vez desde 1974, caiu em valor absoluto o consumo de produtos alimentares. Não estamos só a empobrecer. Estamos a caminhar para uma degradação das mais elementares e básicas condições de vida.
Ora é esta tendência que o Orçamento do Estado para 2013 agrava de forma insuportável. As pessoas ainda não perceberam o que lhes vai cair em cima. Mas quando virem o recibo de vencimento no final de janeiro, compreenderão quão brutal é o tsunami fiscal que lhes vai arrasar o nível de vida e colocar-nos a todos a pensar em meios para sobreviver até ao fim do mês.
(…)
Agora, contudo, só há duas maneiras de o travar: ou através do veto do Presidente da República ou mediante o seu pedido de fiscalização preventiva do diploma ao Tribunal Constitucional. Parece óbvio que Cavaco não fará nem uma coisa nem outra. O máximo que se pode esperar do fantasma que habita Belém é uma mensagem no Facebook. Resta, pois, que 23 deputados se reúnam para fazer esse pedido de fiscalização preventiva, honrando o mandato que lhes foi concedido pelo povo.’

sábado, 1 de dezembro de 2012

Nem tudo o que reluz é ouro:


Há muitos anos, era ainda rapazote, todos os dias passava no lugar da Vista Alegre, um sexagenário envergando uma bata, peça de vestuário de trabalho, bastante suja, derivado aos dias de uso. Vinha do lugar do Alto da Feira e diariamente ia pela Vista Alegre para se dirigir para o lugar do Calvário. No lugar da Vista Alegre, entre muitas casas, havia uma, em que os seus moradores eram de fartos recursos. Esse casal tinha filhos e entre eles, uma menina que era a mais velha. Como todos os dias essa menina via esse sujeito mal trajado na sua mente via um pobre de pedir.
Nessa altura era usual, se a memória não me falha, às terças e sextas-feiras, os pedintes percorrerem os vários lugares de Freamunde pedindo esmola. Lembro e todos os Freamundenses recordam-se do senhor Arnaldo de Lustosa que nesses dias percorria Freamunde pedindo esmola. À sua morte deixou uma boa herança a uma sua sobrinha.
Como esse sujeito continuava a passar à porta dessa menina esta começou a pedir uma moeda à mãe para lhe dar. Recebia-a e nada dizia à menina. No percurso até ao local para onde se dirigia ia meditando e olhando para a sua figura, a forma como ia vestido. Assim, levou-o à conclusão que a menina o tinha como um pobre de pedir. Continuou a passar e a receber a dita moeda sempre com um olhar de carinho pela menina.
Um dia nesse trajecto encontrou a mãe da menina à porta de casa e chamou-a. Meteu a mão no bolso da bata e dali retirou umas poucas moedas, tantas como lhe tinha ofertado a menina e deu-as à mãe dizendo-lhe: 
- Há vários dias quando aqui passo a sua filha aproxima-se de mim e dá-me uma moeda. Na primeira vez achei estranho mas com o passar dos dias deduzi que ela me julga um pobre de pedir pela forma como vou trajado para o trabalho. Sempre aceitei a moeda para não desiludir a sua filha com a imaginação a meu respeito. Por isso hoje devolvo-lhe as moedas e referir-lhe que fiquei sensibilizado pela atitude da sua filha. 
Só tenho a pedir-lhe desculpa senhor Pereira da Costa - respondeu a mãe da menina. Há vários dias que ela me vinha pedindo uma moeda para dar a um pobrezinho mas nunca julguei que era o senhor o pobrezinho da minha filha. Senão tinha-lhe dito que bom era para Portugal que todos os pobrezinhos fossem como o senhor. 
- Não precisa de pedir desculpa e quase me sinto culpado pela confissão que lhe fiz. Até lhe agradecia que nada lhe dissesse para ela continuar a julgar que sou o seu pobre.
Ouvi esta história, que julgo verídica, há dias numa conversa relembrando pessoas idas que muito contribuíram para o desenvolvimento de Freamunde. Quem a contou foi Vitorino Ribeiro que nessa altura era empregado de escritório na fábrica do Calvário, de António Pereira da Costa, o imaginário pobrezinho da filha mais velha do falecido Domingos Taipa.            

Isto sim, é que é qualidade de vida, mas só no... Bar-Restaurante da Assembleia da República!:

Repórter do IP (Suplemento do jornal Público – Inimigo Público) tomou Pequeno-Almoço, Almoçou, Lanchou, Jantou, e apanhou uma bebedeira por apenas 13,30 € no Bar/Restaurante da Assembleia da República.
Quando as refeições escolares no Básico atingem os 3,80 euros, o IP, comparou os preços do bar da Assembleia da República, frequentado por DEPUTADOS e MINISTROS, e ficou abismado.
Eram 8 da manhã o repórter pediu um café e um bolo de arroz, afim de tomar o pequeno-almoço, tendo pago 15 cêntimos, 5 do café e 10 do bolo!
Vendo ali mama da grossa, o repórter bebeu 10 (Dez), repito 10 minis, tendo pago apenas 1 euro, (pois cada mini custa apenas 10 Cêntimos)!
A meio da manhã, o repórter mamou um gin Bombay Sapphire (1,65 euros), e já perto do Almoço um vodka Eristoff (1,50 euros), para abrir o apetite. Ao almoço, o repórter comeu gambas, camarão tigre, lavagante, sapateira, queijo da Serra, presunto de Barrancos, garoupa e bife do lombo, regado com Palácio da Bacalhoa, por 3 euros! Depois e para rematar um whisky Famous Grouse, que custou (2 euros).
Já de tarde solicitou uma garrafa de champanhe Krug (3 euros a garrafa) e caviar beluga (1 euro, 500 gramas), o repórter passou a tarde no bar da AR, rodeado das deputadas RITA RATO (PCP), FRANCISCA ALMEIDA (PSD), ANA DRAGO e MARISA MATIAS do (BE).
Assim por tudo isto o repórter do IP gastou qualquer coisa como 13,30 €uros, num pequeno-almoço, almoço de marisco, com entradas de queijo da serra, presunto e caviar, com vinho do Palácio da Bacalhoa, e pelo meio alternadamente bebeu whisky, vodka e gin, rematando com champanhe Krug, obviamente saiu com uma piela de caixão à cova, mas que foi barato à isso foi...
Isto sim, é que é qualidade de vida, mas só no Bar/Restaurante da Assembleia da República
Parecia que estava no Restaurante Lux!
AM, no Jornal Público - Inimigo Público

1º. Dezembro de 2012:


É o último ano em que se comemora o 1º. Dezembro como dia feriado. Tudo isto acontece com um Governo que tudo rouba ao seu povo. Não só aos actuais como aos que muito contribuíram para o enriquecimento de Portugal. Homens que puseram a própria vida ao sabor dos valores da Pátria. Não se importando com os valores familiares – primeiro estava o País – porque não há Pátria sem família e vice-versa.
Homens que no momento em que a Pátria mais necessitava deles abdicaram dos seus ideais. Nomes sonantes e depois os anónimos. Todos por um ideal: verem-se livres do jugo estrangeiro. 
Estavam fartos de serem feridos e gozados na sua dignidade. Assim os cinquenta conjurados – quarenta da nobreza e dez do clero - a um de Dezembro de 1640 invadiram o Paço da Ribeira onde se encontrava a vice-rainha de Portugal, a Duquesa de Mântua e o seu secretário-geral Miguel de Vasconcelos.
Perante a invasão, a Duquesa de Mântua escondeu-se num armário e Miguel de Vasconcelos foi "defenestrado" (atirado pela janela) o que lhe causou a morte, e proclamaram rei D. João IV, Duque de Bragança descendente de D. João I, aos gritos de "Liberdade". 
O povo e toda a nação portuguesa acorreram logo a apoiar a revolução, Restauração da Independência, e assim, D. Filipe III de Portugal e IV de Espanha], que se encontrava já a braços com uma revolução na Catalunha, não teve como retomar de imediato o poder em Portugal.
Para memória e reconhecimento aqui vão os nomes dos conjurados: D. Afonso de Menezes, Mestre de Sala d’el Rei D. João IV; D. Álvaro de Abranches da Câmara, General do Minho, do Conselho de Guerra; D. Antão de Almada, 7.º conde de Avranches, 10.º senhor dos Lagares d´El-Rei [1], 5.º senhor de Pombalinho e Governador da Cidade; D. António de Alcáçovas Carneiro, Senhor do Morgado de Alcáçovas, Alcaide-Mor de Campo Maior e Ouguela; D. António Álvares da Cunha, Senhor de Tábua; D. António da Costa, Comendador na Ordem de Cristo, Senhor do Morgado da Mustela; D. António Luís de Menezes, 3º Conde de Cantanhede, 1º Marquês de Marialva; D. António Mascarenhas, Comendador de Castelo Novo na Ordem de Cristo; António de Melo e Castro, Capitão de Sofala, Governador da Índia; António de Saldanha, Alcaide-mor de Vila Real; António Teles de Meneses, 1º e último Conde de Vila Pouca de Aguiar; D. António Telo, Capitão-mor das Naus da Índia; Ayres de Saldanha, Comendador e Alcaide-mor de Soure; D. Carlos de Noronha, Comendador de Marvão, presidente da mesa da Consciência e Ordens; D. Estevão da Cunha, Prior de S. Jorge em Lisboa, Cónego da Sé do Algarve, Bispo eleito de Miranda; Fernão Teles da Silva, 1º Conde de Vilar Mayor, Governador das armas da província da Beira; D. Francisco Coutinho, filho de Dona Filipa de Vilhena que o armou Cavaleiro e a seu irmão; D. Fernando Telles de Faro, Senhor de Damião de Azere, de Santa Maria de Nide de Carvalho; Francisco de Melo, Monteiro-mor; Francisco de Melo e Torres, 1º Conde da Ponte, Marquês de Sande, General de Artilharia; D. Francisco de Noronha, irmão do 3º Conde dos Arcos; Francisco de São Payo; D. Francisco de Sousa, 1º Marquês de Minas, 3º Conde do Prado; D. Gastão Coutinho, Governador do Minho; Gaspar de Brito Freire, Senhor do Morgado de Santo Estevão de Nossa Senhora de Jesus na Baía, Brasil; Gomes Freire de Andrade, Capitão de Cavalos; Gonçalo Tavares de Távora, Capitão de Cavalos; D. Jerónimo de Ataíde, 6º Conde de Atouguia; D. João da Costa, 1º Conde de Soure; D. João Rodrigues de Sá e Menezes, 3º Conde de Penaguião; João de Saldanha da Gama, Capitão de Cavalaria; João de Saldanha e Sousa; D. João Pereira, Prior de S. Nicolau, Deputado do Santo Ofício. João Pinto Ribeiro, Bacharel em Direito Canónico, Juiz de Fora de Pinhel e de Ponte de Lima; João Sanches de Baena, do Conselho de Sua Majestade, Desembargador do Paço, Doutor em Cânones; Jorge de Melo, General das galés, do Conselho de Guerra; D. Luís de Almada, filho de D. Antão de Almada; Luis Álvares da Cunha, Senhor do Morgado dos Olivais; Luís da Cunha de Ataíde; Luís de Mello, Porteiro-mor; D. Manuel Child Rolim; Martim Afonso de Melo, 2º Conde de São Lourenço, Alcaide-mor de Elvas; Miguel Maldonado, Escrivão da Chancelaria-Mor do Reino; D. Miguel de Almeida 4.º conde de Abrantes; D. Nuno da Cunha de Ataíde, 1º Conde de Pontével; D. Paulo da Gama, Senhor do Morgado da Boavista; Pedro de Mendonça Furtado, Alcaide-mor de Mourão; D. Rodrigo da Cunha, Arcebispo de Lisboa; Rodrigo de Figueiredo de Alarcão, Senhor de Ota; Sancho Dias de Saldanha, Capitão de Cavalos; D. Tomas de Noronha, 3º Conde dos Arcos; Tomé de Sousa, Védor da casa real, Trinchante-mor; D. Tristão da Cunha de Ataíde, Senhor de Povolide, Comendador de São Cosme de Gondomar; Tristão de Mendonça.
Dizem que factos da história são como água do rio: “não passa no mesmo sítio duas vezes”. Concordo que sim. Mas que há semelhanças isso há. Os Conjurados reuniram-se dias antes do primeiro de Dezembro e ali limaram as arestas para a revolta. Foi a um sábado que se deu o golpe. Também Mário Soares e mais setenta e tal personagens escreveram uma carta que ficou a ser conhecida como “carta aberta” ao Primeiro-ministro, talvez aqui, também se estão a limar as arestas, para que Passos Coelho mude de política ou caso contrário se demita. 
Se Passos Coelho tiver um pingo de inteligência, coisa que não abunda na cabeça dele, está a tempo de fazer a única coisa que lhe resta: demitir-se.
Às pessoas eloquentes sobejam estas atitudes mas, Passos Coelho, não tem valor para actos de dignidade. Temos que esperar que os novos Conjurados lhe façam ver a janela por onde há-de sair.

Humor fim-de-semana:


O GOLPE DO ANO!
Acompanhado de uma belíssima mulher, o sujeito entrou na joalharia e mandou que ela escolhesse a jóia que quisesse, sem se preocupar com o preço.
Examina daqui, experimenta uma, depois outra, ela, finalmente decide-se por um colar de ouro com diamantes e rubis. Preço: 458 mil euros.
Ele manda embrulhar, saca um talão de cheques e começa a preencher.
Assina, destaca e ao estendê-lo, percebe a fisionomia constrangida e preocupada do vendedor enquanto examina o cheque.
O cliente, então, num gesto de gentleman, toma a iniciativa:
-Vejo que está a pensar que o cheque pode não ter cobertura, não é?
É natural, eu também desconfiaria? Afinal, uma quantia tão grande...
Tudo bem, façamos o seguinte: hoje é sexta-feira e o banco já fechou, você fica com o cheque e com a jóia, na segunda-feira vai ao banco, levanta o dinheiro e manda entregar a jóia lá em casa desta senhora, ok?
Cheio de mesuras e agradecimentos pela compreensão, o vendedor encaminha o casal até a saída, desejando-lhes um bom fim-de-semana.
Na segunda-feira, o vendedor liga ao cliente para dizer-lhe que, infelizmente, deveria ter havido algum equívoco do banco pois o cheque não tinha cobertura.
Ouviu, então, uma voz meio sonolenta:
Não há problema! Pode rasgar o cheque que eu já c… a gaja...