quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Muitos portugueses já pensam ‘Sócrates volta estás perdoado’” - Económico:

BASTONÁRIO - FOI UMA INCONSCIÊNCIA TER PROVOCADO ELEIÇÕES ANTECIPADAS
Domingues de Azevedo considera que “foi uma inconsciência” termos provocado eleições antecipadas.
António Domingues de Azevedo, actual Bastonário da Ordem dos Técnicos oficiais de Contas, diz, em entrevista ao jornal i, que "se tivéssemos seguido o PEC, talvez tivéssemos tido melhor capacidade negocial [com a troika] e a possibilidade de diluir mais no tempo a tomada de medidas do que tivemos", defendendo que "aquilo que estamos a fazer em dois anos devia ser feito em cinco ou seis anos".
E sublinha: "não sei como é que teria sido com José Sócrates, mas sei que neste momento estamos pior do que estávamos, disso não tenho dúvidas nenhumas. Nem nenhum cidadão tem dúvidas quanto a isso". Por isso, considera o bastonário, "hoje em dia, muitos portugueses já pensam 'volta Sócrates, estás perdoado'".
O também ex-deputado socialista afirma ainda que as medidas de austeridade que estão a ser aplicadas "têm consequências graves, há famílias que vão ter de tirar os filhos das escolas, há pessoas que vão ter de racionar a sua própria alimentação e estamos a comprometer, pelo menos em matéria de educação, a evolução futura da nossa sociedade e do nosso País".
Para António Domingues de Azevedo, os portugueses só vão ter "a verdadeira consciencialização das dificuldades económicas em Junho, Julho e Agosto, quando não receberem o subsídio de férias, no caso dos funcionários públicos e dos reformados e, naturalmente, no primeiro trimestre de 2013 a situação económica não vai ser nada boa".
Questionado sobre a eventual saída de Portugal da zona euro, o bastonário considera que "não", alertando que "se neste momento Portugal não estivesse dentro do sistema monetário internacional, estaríamos com gravíssimos problemas, por exemplo, no caso da importação de bens essenciais".

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

O fantasma de Paris:

"O FANTASMA DE PARIS" por Miguel Sousa Tavares

(…) José Sócrates começou a governar em 2004, recebendo um país com défice de 6,2%, após dois governos PSD/CDS, numa altura em que não havia crise alguma nem problema algum na economia e nos mercados. Para mascarar um défice inexplicável, os ministros da Finanças desses governos, Manuela Ferreira Leite e Bagão Félix, foram pioneiros na descoberta de truques de engenharia orçamental para encobrir a verdadeira dimensão das coisas: despesas para o ano seguinte e receitas antecipadas, e nacionalização de fundos de pensões particulares, como agora.
Em 2008, quando terminou o seu primeiro mandato e se reapresentou a eleições, o governo de José Sócrates tinha baixado o défice para 2,8%, sendo o primeiro em muitos anos a cumprir as regras da moeda única.
O consenso em roda da política orçamental prosseguida e do desempenho do ministro Teixeira dos Santos era tal que as únicas propostas e discordâncias, de direita e de esquerda, consistiam sistematicamente em propor mais despesa pública. E quando se chegou às eleições, o défice nem foi tema de campanha, substituído pelo da “ameaça às liberdades” (…)
Logo depois, rebentou a crise do subprime nos Estados Unidos e Sócrates e todos os primeiro-ministros da Europa receberam de Bruxelas ordens exactamente opostas às que dá agora a srª Merkel: era preciso e urgente acorrer à banca, retomar em força o investimento público e pôr fim à contenção de despesa, sob pena de se arrastar toda a União para uma recessão pior do que a de 1929. E assim ele fez, como fizeram todos os outros, até que, menos dum ano decorrido, mercados e agências se lembraram de questionar subitamente a capacidade de endividamento dos países: assim nasceu a crise das dívidas soberanas. Porém não me lembro de alguém ter questionado, nesse ano de 2009, a política despesista que Sócrates adoptou a conselho de Bruxelas. Pelo contrário, quando Teixeira dos Santos (…) começou a avançar com o PEC, todo o país – partidário, autárquico, empresarial, corporativo e civil – se levantou, indignado, a protestar contra os “sacrifícios” e a suave subida de impostos. Passos Coelho quase chorou, a pedir desculpa aos portugueses por viabilizar o PEC 3 que subia as taxas máximas de IRS de 45 para 46,5% (que saudades!)
(…) O erro de Sócrates foi exactamente o de não ter tido a coragem de governar contra o facilitismo geral e a antiquíssima maldição de permitir que tudo em Portugal gire à volta do Estado (…). Quando ele, na senda dos seus antecessores desde Cavaco Silva (que foi o pai do sistema) se lançou na política de grandes empreitadas e obras públicas (…) o que me lembro de ter visto, então, foi toda a gente (…) explicar veementemente que não se podia parar com o “investimento público”, e vi todas as corporações do país (…) baterem-se com unhas e dentes e apoiados pelos partidos de direita e de esquerda contra qualquer tentativa de reforma que pusesse em causa os seus privilégios sustentados pelos dinheiros públicos. O erro de Sócrates foi ter desistido e cedido a essa unanimidade de interesses instalados, que confunde o crescimento económico com a habitual tratação entre o Estado e seus protegidos. Mas ainda me lembro de um Governo presidido por Santana Lopes apresentar um projecto de TGV que propunha não uma linha Lisboa-Madrid, mas cinco linhas, incluindo a fantástica ligação Faro-Huelva em alta velocidade. E o país, embasbacado, a aplaudir!
Diferente disso é a crença actual de que a dívida virtuosa – a que é aplicada no crescimento sustentado da economia e assegura retorno – não é essencial e que a única coisa que agora interessa é poupar dinheiro seja como for, sufocando o país de impostos e abdicando de qualquer investimento público que garanta algum futuro. Doentia é esta crença de que governar bem é empobrecer o país. Doente é um governante que aconselha os jovens a largarem a “zona de conforto do desemprego” e emigrarem. Doente é um governo que, confrontado com mais de 700.000 desempregados e 16.000 novos cada mês, acha que o que importa é reduzir o montante, a duração e a cobertura do subsídio de desemprego. Doente é um governoque, tendo desistido do projecto de transformar Portugal num país pioneiro dos automóveis eléctricos, vê a Nissan abandonar, consequentemente, o projecto de fábrica de baterias de Aveiro, e encolhe os ombros, dizendo que era mais um dos “projectos no papel do engº Sócrates”. Doente é um governo que acredita poder salvar as finanças públicas matando a economia.
O fantasma do engº Sócrates pode servir para o prof. Freitas do Amaral mostrar mais uma vez de que massa é feito, pode servir para uns pobres secretários de Estado se armarem em estadistas ou para os jornais populistas instigarem a execução sumária do homem. Pode servir para reescrever a história de acordo com a urgência actual, pode servir para apagar o cadastro e memórias inconvenientes e serve, para desresponsabilizar todos e cada um:somos uns coitadinhos, que subitamente nos achámos devedores de 160.000 milhões de euros que ninguém, excepto o engº Sócrates, sabe em que foram gastos. Ninguém sabe?”
Miguel Sousa Tavares «Expresso», 17 de Dezembro de 2011

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Sebastianas 2012 e os eventos:

Pingo Doce:

Porque será que o super merceeiro não muda também a sua fundação para a Holanda e manda o grande sociólogo para Roterdão? Agora que os negócios da China estão na moda pode ser que se enganem e o embarquem nalgum contentor chinês, ficando o país menos poluído, porque esta gente é bem pior do que o CO2.
Mais uma vez se apela ao boicote das marcas da família do hiper-merceeiro, começando pelos supermercados Pingo Doce.