terça-feira, 30 de agosto de 2011

Início dos Treinos na Escola de Futebol "Estrelinhas"

O Departamento de Futebol de Formação do SC Freamunde vem por este meio informar que os treinos para a nossa Escola de Futebol  (nascidos entre 2001 e 2008)  tem início na próxima Sexta-feira (2 de Setembro) às 19 horas.
Início dos Treinos para os Benjamins Sub.11 e Sub.10
O Departamento de Formação do SC Freamunde vem por este meio informar que os treinos para as equipas de Benjamins Sub.11 (nascidos em 2001) e Sub.10 (nascidos em 2002) têm início no próximo Sábado (3 de Setembro) às 10 horas.

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

O Nascimento do S. C. Freamunde:



Falar do S. C. Freamunde é falar da nossa essência. Quando há setenta e oito anos se lembraram de lhe dar vida nunca pensaram na grandeza que este clube vinha a ter. As grandes coisas fazem-se de pequenos nada. Em tudo pomos a "Alma Freamundense": Grito de Liberdade / Coração Aberto / Firmeza de Convicções / Simples e Solidária / Filosofia Espontânea / Paiol Aceso / Grande Alegria / Rico por Natureza / Orgulho do Passado / Confiança no Futuro / Braços Abertos / Garra / Carácter. É esta a Alma que faz de nós um povo singular. 
Há muitos nomes a destacar que elevaram o nome de Freamunde, falo destes três, ao fazê-lo, neles revêem-se todos os que amam este grande clube.
Padre Castro
Armando Oliveira
António Filipe
Nos primórdios da década de trinta, e porque a necessidade aguçava o engenho, qualquer espaço servia para o pontapé na bola de "trapos", fosse na rua ou em terreno baldio. O Largo da Feira era quase sempre o palco predilecto dos pequenos garotos que com frequência quebravam os vidros das janelas das casas contíguas à Praça Pública. É curioso que ninguém ousava reclamar os prejuízos causados pelas boladas, mas, por vezes, a vizinhança torcia o nariz face ao incómodo provocado. 
Ali se jogava de manhã à noite. Aos domingos, principalmente, depois da missa, os aficionados cercavam o largo para apreciarem a habilidade da pequenada a suar as estopinhas, de pingo no nariz, com as calças arregaçadas até aos joelhos, a roupa totalmente colada ao corpo e as botas - quem as tinha - a pedir remendos pois as "topadas" eram muitas e as árvores apenas ajudavam a ensaiar a finta. As velhas bolas trapeiras ricocheteavam, batiam nas paredes, nas portas da tasca das "Elviras", iam e voltavam. Toda a miudagem chutava. De repente, a alegria do jogo. Golo!...Golo!...Golo!...Abraçava-se a garotada, toda, com alegria. Cá fora batia-se palmas. Até o Abade. 
 Do largo da Feira ao Carvalhal 
O Pioneirismo
Querendo premiar os dotes futebolísticos dos jovens desportistas e aliciado pela emoção desse jogo, o carismático Padre Castro - figura proeminente pela sua generosidade e inteligência ao serviço das instituições locais, personalidade possuidora de enorme fluência e que tudo fazia, como na vida, com raça, com imaginação, com sabedoria -, conhecedor que o futebol atraía o operariado e a juventude, auxiliado pelo Dr. António Chaves, Armando Oliveira, Alexandrino Cruz, Francisco Carneiro e outros, resolve dar voz ao seu instinto cristão e fazer alguma coisa pelos filhos da comunidade freamundense, tomando a seu cargo o plano organizativo para a constituição de um grupo de futebol, pois nas redondezas já havia clubes similares.
O Padre Castro, que também paroquiou S. Paio Casais / Lousada e leccionou como professor de matemática no seminário dos Carvalhos / Vila Nova de Gaia, deixou-nos bem cedo mas viverá eternamente na saudade de todos e enquanto existir o Clube a que ele votou a sua existência. Dos fundadores, os entusiastas de então, não é possível ter a certeza de quantos e quais foram, não só pelo tempo já decorrido, mas sobretudo pela ausência e displicência no registo de acontecimentos que poderiam vir a tornar-se, em termos históricos, de vital importância.
Foram, no entanto - e disso não nos resta a menor dúvida - pessoas que amaram o Clube da maneira mais pura e sempre ligados de alma e coração ao seu querido emblema, identificados apenas e só com a bandeira azul e branca.
Mas nem só de boas vontades e amizades o futuro da Agremiação poderia estar alicerçado; por um lado, uma coisa era organizar treinos e jogos de futebol, outra fomentar a actividade, com algumas condições de higiene, mesmo em espaço alugado. Tarefa prioritária, portanto. A dois "palmos" de distância do centro da povoação existia um terreno que dava na perfeição para erguer um campo onde fosse possível praticar futebol.
O Nascimento de uma grande instituíção
Eis-nos por fim chegados ao momento histórico da fundação do Clube. 19 de Março de 1933. Por curiosidade, também dia de S. José, da aprovação em plesbicito da Constituição Política da República Portuguesa do mesmo ano de 1933 e, igualmente, data comemorativa da fundação da Associação dos Socorros Mútuos Freamundense. Ainda neste dia, no nosso País, iniciavam-se os preparativos para as filmagens do primeiro sonoro " A canção de Lisboa", com António Silva, Vasco Santana e Beatriz Costa como protagonistas.
A partir daqui seria um percurso enorme pejado de dificuldades, mas de muitas glórias também. Surgiria então o primeiro "team" oficial do Freamunde Sport Clube, denominado de "Onze Vermelhos", todos ou quase todos operários da Fábrica Albino de Matos Pereiras e Barros Lda. (Fábrica Grande), jovens atletas de enorme potencial.
É escusado dizer-se que nesses tempos os dirigentes - sobretudo os mais habilitados ou habilidosos, os chamados símbolos vivos do Clube - faziam de tudo: jogavam se preciso fosse, treinavam, eram funcionários, massagistas, aguadeiros e mesmo árbitros de futebol. Tanto carregavam as bolas e os sacos para os treinos como se sentavam no improvisado gabinete a congeminar a estratégia organizativa do plano semanal. Duas das principais referências, para além dos denominados Presidentes (em 1934, António Maria Gomes Chaves Velho e nos anos seguintes, José António Nunes Chamusca) foram Adolfo Gomes Pereira e Américo Ferreira Taipa. Estes nomes "arrastaram" outros que a justiça obrigaria a incluir mas que, lamentavelmente, teremos que omitir face aos poucos livros ou documentos que se salvaram das "andanças" em que a Sede do Carvalhal se viu envolvida há duas dezenas de anos atrás. 
Feitas as necessárias diligências, as dificuldades foram inicialmente ultrapassadas com o arrendamento destas terras pertencentes ao Dr. António Corrêa Teixeira Vasconcelos Portocarrero por uma importância compatível com as possibilidades do Clube. 
Depois, utilizando mão de obra voluntária - rostos invisíveis, anónimos que trabalharam intensamente, fazendo uso dos seus instrumentos de ofício, pás, alviões, picaretas, manejados com toda a eficiência e denodo - o rectângulo de jogo ganhava contornos. Os trabalhos tomaram de início um ritmo acelerado, de tal forma que, em pouco mais de seis meses, o campo foi dado como pronto. 
Pelos documentos disponíveis, não terá havido futebol, ou melhor, competições externas com outros clubes, antes de 1932. A primeira referência é de Maio desse mesmo ano e relata-nos um encontro entre o Lagoense F. C. e o Foot Ball C. Freamundense, saindo vencedor este último por um concludente 7-0. De tralha aos ombros, botas a tiracolo, gorro ou chapéu na cabeça, fato domingueiro - todos, portanto, bem encanados - lá iam os atletas, cantando e rindo, indiferentes aos quilómetros, percorrendo a pé até povoações circunvizinhas (Covas, Sobrosa, Lagoas, Paços "Rotunda"...) para defrontarem os adversários em renhidos confrontos. Nestes tempos os equipamentos - quando existiam - quase não tinham modelo nem cores bem definidas. 
António Filipe, sapateiro de profissão com pequeno aposento na Praça, era um dos principais entusiastas, guardando rudimentares camisolas, consertando ainda, de forma gratuita, as botas (?) existentes. Sem um organismo tipo Associação, os grupos desafiavam-se, jogavam e depois vinha a desforra. 
Ninguém repudiava sacrifícios, corria-se por gosto. Não havia lugar para guardarem a roupa, muito menos a existência de água quente para se lavarem, como é lógico. Por isso recorriam aos poços existentes nas imediações dos campos de jogos de onde alguns assistentes retiravam a água com um balde, despejando-a depois pela cabeça abaixo dos heróicos pontapeadores do couro. 
Não fazia diferença o tamanho do espaço ou o comportamento do público. Os jogos não contavam para nenhuma classificação, vivendo-se, por um só dia, as vitórias ou as derrotas. Ganhar era apenas, e só, um prazer do espírito. 
Em Março de 1933, disputou-se em Lousada um jogo de classe infantil. O mesmo não chegaria a terminar porque um miúdo da equipa da casa sofreu fractura de uma perna. 

"O meu fraco é ser forte" 

O fraco que possa ter
aos olhos de quem me veja,
é ser o que eu quero ser
não o que querem que eu seja.

No caminho, a cada instante
aos meus ouvidos baixinho,
não falta aqui quem me cante
    pra eu mudar de caminho.


    Teime lá o que teimar,
    quem me tenta desviar
    que não o vai conseguir.

Não tenham pena de mim
eu sinto-me bem assim,
Sei pra onde quero ir!...

Versos: Rodela
Em 19 de Março de 1933 era fundado o Freamunde Sport Clube. As cores originais do equipamento do clube eram o vermelho e branco. Os primeiros atletas do clube eram chamados de "Onze Vermelhos".
A primeira equipa do Freamunde




Em cima da esquerda para a direita: Adolfo Pereira, dirigente, Adelino"Claudina", António"Bica", Joaquim Pinto, Moreirinha, António"Careca", Neca"Couta", Juca"Careca", Zé"Careca, Zé"Bica", Alberto"Botas, Cândido Pinheiro, Arnaldo Pinheiro.
Inicialmente o emblema do clube era uma estrela com cinco vértices.
Época 1950/1951

Em cima da esquerda para a direita: Peixoto - Alberto "Mirra" - Casimiro "Russo" - Zeca "Mirra" - Zé Viana - Manuel Pinto.
Em baixo, pela mesma ordem: Adão Viana - João "Cherina" - Quim "Bica" - João Taipa - José Maria "da Couta". 

Da Revista  "Freamunde é Coisa Boa"

O meu grupo é o Freamunde,
E nenhum outro confunde
No acertar na «borracha»...
Rapazes até consola 
Ver o Taipa a dar na bola 
Quatro «balázios» de «escacha»

E, se os outros, na avançada,
Vão com a sua ferrada
De nos passar as « palhetas»
O Alberto estende a perna
E manda um chuto à moderna,
Que até os deixa «pernetas»...

Estribilho

Chuta o Manel,
Cabeceia o Zé Maria,
O Bica passa ao Baptista,
E este limpa-os à porfia...
Centra o Adão,
Entra o Taipa e... Catapum...
Chuta forte e o povo todo
Grita: Eh linda... e foi mais um...

Bis

No azul da camisola
Está toda a alma da bola,
Que é preciso defender...
E, se ruim a coisa vedes,
Basta o Peixoto na redes,
P'ra não haver que temer...

O Zé Maria é um portão,
E o Zé Viana então
Leva tudo à cabeçada,
C'o  Casimiro a «rasar»
E a avançada a acertar,
Todos levar a «seisada»...

Estribilho

Chuta o Manel
etc... etc... etc...

Bis

Em Novembro de 1935 é extinta a denominada Liga Invicta e o Freamunde Sport Clube filia-se na Associação de Futebol do Porto, preparando-se para entrar no Campeonato da Promoção. Para poder jogar nesta liga o Sport Clube de Freamunde à AF Porto e adoptou as cores de hoje ( camisola e meias azuis e calções brancos).
A partir dessa altura o azul passaria a ser a cor predominante do seu equipamento, tonalidades que até hoje persiste. Também muda o emblema do clube para a estrela de seis vértices, " sósia" da estrela de David.
À época 1938/1939 era o Presidente da Agremiação Ernesto Gomes Taipa. No comando técnico estava António Aloísio Correia. Em 1939 rebentava a Segunda Guerra Mundial. O futebol em Freamunde, como em toda a Europa, atravessava uma grave crise. Portugal, que tinha optado pela neutralidade no conflito, nem por isso deixou de sentir os nefastos efeitos desse acontecimento devastador.
Findo o conflito, o futebol regressou à actividade normal até aos dias de hoje.
Datas Importantes: 
1933 - Inauguração oficial do clube;
1935 - Conclusão da obra do Campo do Carvalhal, o primeiro estádio oficial de Sport Clube de Freamunde; o clube junta-se à AF Porto e ao Campeonato da Promoção;
1944 - São criados e aprovados os Estatutos do clube;
1945 - O clube passa a chamar-se Sport Clube de Freamunde (nome que perdura até hoje);
1949 - Faleceu o padre Castro, um dos maiores entusiasta do S. C. Freamunde e também o principal implantador de futebol Freamunde;
1990 - É inaugurado o Complexo Desportivo do Sport Clube de Freamunde;
2004 - Inauguração do segundo relvado do estádio, no aniversário do clube;
2005 - É colocada nas bancas a primeira edição do jornal O Estrelinha.
2009 - Inauguração do Campo Sintético para as Camadas Jovens. 
2011 - Apresentação da equipa para a época 2011/2012 

Sebastianas 2012 Rally Paper:

domingo, 21 de agosto de 2011

Uma noite em branco:

Uso este aforismo para dizer que foi uma noite de espera pela grande final de futebol de sub 20. Como eu, milhares de Portugueses, mandaram o sono ir dar uma volta por que estes jovens mereciam o nosso “sacrifício”, não fossem eles o exemplo desse mesmo sacrifício.
Partiram para ali como quem parte para a forca: condenados. Depois os “carrascos” tiveram a lucidez de ver que afinal os condenados à “forca” não tinham cometido nenhum crime e estavam ali por direito próprio. E, estão a pedir contas à comunicação social portuguesa pelo facto de não terem evidenciado este abnegado grupo.

Quanto a mim foi uma táctica usada pelo Seleccionador Nacional (Ilídio Vale) para não dar trunfos aos adversários, porque fora isto, a comunicação social portuguesa, tanto escrita como falada, já nos deu sobejas oportunidades de realçar os humildes.
É ver o tempo que gasta com o futebol de segundo escalão e com selecções de “segundo plano” como consideraram esta?! Não fora o atrevimento de se apurarem para a fase seguinte e daí seguirem até à final uma grande parte dos portugueses não tinha conhecimento da sua partida. Também não convinha divulgar porque era dar nome ao País da droga e da insegurança.
Não se viu o Presidente da República e o Governo fazer uma cerimónia de partida! Também não podiam porque andam numa azáfama com a Troika e férias. Como não frequento o facebook não sei se por lá anda alguma mensagem.
Outros tempos? Estes não mereciam! Não há nenhum jogador a jogar nos três grandes e grandes no estrangeiro. Não fazem vender papel e publicidade. Alguns até eram de opinião que não deviam de ir disputar o campeonato do Mundo. Só iam dar despesas e o País não se pode dar a esse luxo.
Mas... o destino prega-nos cada partida. De uma selecção de “segundo plano” passaram a heróis nacionais. Os que nada diziam passaram a bajuladores. Não admira! Fazem o que o patrão ordena e a ocasião assim o exigia – é como diz o ditado: a ocasião faz o ladrão.
 Estes “ladrões” roubaram-me o sono. Há jogos em que não aguento uma primeira parte. Neste aguentei primeira, segunda e prolongamento. Dá gosto ver tão abnegados jogadores. Põem de parte o exibicionismo e optam pelo trabalho. Arregaçam as mangas e fazem jus aos nossos antepassados: antes quebrar que torcer. E... foi o que aconteceu.
O Brasil, partiu desde inicio a par da Espanha, mais uma outra depois, como favoritas, mas faltava demonstrar em campo esse favoritismo. Portugal foi a prova provada em como isso não é um dado adquirido. Faltava-nos vedetas… sobrava-nos em operários.
Entendo que o Brasil foi um digno vencedor. Fiquei maravilhado com a postura de uma e outra selecção durante os cento e vinte minutos! Jogo viril mas leal. Acabado este há que dar os parabéns aos vencedores e foi o que os portugueses fizeram sendo contemplados com a compreensão dos brasileiros – só pode haver um vencedor. Dá prazer ver exemplos destes e há que elogiar a organização e o país organizador. É raro ver-se campeonatos do mundo de futebol com esta bitola.
Aos jogadores portugueses, equipa técnica e membros da federação aceitem este meu conselho. Partiram como anónimos e anónimos queiram ser. Só aceitem cumprimentos e elogios do povo anónimo português porque foram estes que acreditaram em vocês e desinteressadamente passaram… “uma noite em branco”.

sábado, 20 de agosto de 2011

Aviso aos Jovens:

Início dos Treinos para os Juvenis Sub.16 e Infantis Sub.12

O Departamento de Formação do SC Freamunde vem por este meio informar que os treinos para a equipa de Infantis Sub.12 (nascidos em 2000) e Juvenis Sub.16 (nascidos em 1996) tem início na próxima Segunda-feira (22 de Agosto) às 19  e 20 horas respectivamente.
Com mais de 130 crianças, a Escola de Futebol Estrelinhas - Elite Clube, é uma aposta ganha.
Distribuídos por dois pólos, Freamunde e Codessos, a Escola de Futebol Estrelinhas - Elite Clube visa promover a prática do futebol desde a mais tenra idade, sob a observação de técnicos qualificados e preparados para ensinar os primeiros pontapés na bola.
O convívio e a diversão, são dois companheiros inseparáveis nesta escola, mas como escola que também é, se preocupa em transmitir mais valores que as simples aptidões futebolistas.
Como o futebol é importante, mas há coisas importantes, o SC Freamunde não se esquece que os seus atletas jovens são também estudantes.
 Prémios ‘Estrelinha´ de Mérito Escolar

Por causa disso criou um prémio de Mérito Escolar que visa distinguir os melhores alunos de cada escalão e realçar a importância da Escola no Futuro. Porque nem todos podem vir a ser jogadores profissionais.
A mascote do Departamento de futebol do Sport Clube de Freamunde é o "Estrelinha".
O Estrelinha simboliza aqueles que são os nossos valores e aquilo que queremos ver reflectido como fruto do nosso trabalho diário.
O Estrelinha é um "miúdo" de aproximadamente dez anos, e como os restantes miúdos da sua idade, naturalmente alegre, enérgico e divertido.
O Estrelinha adora jogar futebol, e tem na sua amiga bola, uma companheira inseparável de aventura e diversões. Para onde quer que vá, o Estrelinha leva consigo a sua amiga bola, sempre conduzida pelo pé esquerdo.
Mas o Estrelinha também sabe que vida não é só futebol. É um aluno aplicado e sabe que a Escola é muito importante para o seu futuro, até como jogador de futebol.
Por isso, e como o Estrelinha adora ler, não é raro encontrá-lo com um livro debaixo do braço. Ainda que às vezes acabe a fazer de poste de uma baliza.

"Coisas minhas" de Fernando Santos

II – FREAMUNDE ESQUECIDA

 Diz a sabedoria popular, num dos seus indesmentíveis e acertados aforismos, que “ o que é de mais é moléstia”… E a mais recente moléstia que, pela sua proliferação, se implantou entre nós é a das chamadas “Rádios Locais”. Em Portugal, neste momento, li algures, há mais de mil!!!...  A coisa dá que pensar e chega a ultrapassar o nosso entendimento. Como surgiu esse súbito surto de vocações radiofónicas? Porquê esta fremente necessidade de comunicação? O que leva ao urgente desejo de transmissão, pelo microfone, daquilo que a grande maioria não seria capaz de dizer de viva voz?! O homem é, na realidade, um animal complicado e… não há nada a fazer.
Longe de mim pretender censurar este movimento que reputo de grande importância para a divulgação cultural, se inteligentemente aproveitado. E se empreguei o termo “moléstia” foi porque, com efeito, as emissoras são em tal profusão que não cabem no limitado quadrante dos nossos aparelhos receptores e estorvam-se umas às outras, sobrepõem-se empurram-se, acotovelam-se desesperadamente… e, como na vida, as mais fortes acabam por abafar as mais fracas, sem que nenhuma delas consiga fazer ouvir de forma aceitável, o que, no caso de algumas, até chega a ser vantajoso.
Confesso que é muito raro ouvir rádio, a não ser nas minhas deslocações de automóvel. Há dias saí de casa a ouvir a 5ª de Beethoven que, logo ao desfazer a curva da “Fonte dos Moleiros” se transformou numa música de ritmo moderno, de nome muito comprido, pelo locutor anunciado em tom desinibido e gutural e no momento mais puro “americanês”, brilhantemente berrado por uma cantora de nome duvidoso que o “põe discos” vomitou com desembaraço, enquanto afirmava: “você conhece!”. Mal eu tinha começado a revolver o baú das minhas reminiscências à procura do nome da tal esganiçada que o homem afirmava, convicto, ser do meu conhecimento e, já na curva de Sobrão, um comentador desportivo, com muito xx na pronúncia, defendia a grande vantagem para o futebol nacional no alargamento das divisões para 20 clubes; esperava eu poder confirmar, pelo assunto e pelo local, se estaria agora a sintonizar a “Pro-Paços”, quando um teimoso fado da Amália entrou em disputa da onda com um animado jogo da “batalha naval”… Foi quando reparei que já estava a descer a Serra da Agrela e que, em cada curva, o rádio me oferecia coisas novas, sem necessidade de lhe mexer nos botões: na altura era “slogan” publicitário, que uma tal Maria de Jesus estava a ser obrigada a papaguear se queria ver satisfeito o seu desejo de ouvir o Rui Veloso, e logo fiquei a saber que sicrano tinha afundado um submarino a beltrano, ouvi o começo de uma anedota de almanaque, interrompida por um furioso a dizer Fernando Pessoa, acompanhado em fundo por um “blue” espiritual, e reatada mas só no momento em que o “anedotista” ria perdidamente e comentava, sufocado, que aquela era muito boa (a anedota, é claro); então comecei a ouvir dados biográficos de Lizt, penosamente lidos directamente de um volume de uma enciclopédia que, talvez pelo seu peso e pelo mau jeito que dava ler aquilo ao microfone, caiu ao chão estrondosamente, com grande desespero do infeliz locutor, que a tempo conseguiu evitar uma interjeição menos própria (embora compreensível …), pedindo, com elegância, desculpa aos prezados ouvintes por aquela avaria técnica… E já os “UHF” tentavam entrar nesta salsada quando decidi desligar o rádio e oferecer a mim mesmo o repousante silêncio que já merecia; Uff!
Mas fora desta promiscuidade que, um receptor fixo, em nossa casa, facilmente delimita, entendo que o movimento é fortemente positivo e, sobretudo para as camadas jovens, de grande interesse pelo aspecto cultural a que, quer queiram quer não, obrigatoriamente conduz.
Eu sou, pois a favor das Rádios Locais, quando estas não se limitam a serem simples “toca discos” e os locutores são capazes de ultrapassarem a triste função dos “disco-jockeys”. E foi com um agradável sobressalto que acolhi a primeira emissão do nosso posto de Freamunde, terra que, uma vez mais, afirmava o seu interesse pela cultura e, como em quase tudo neste concelho, se posicionava pioneira também neste campo.
Mas depressa o meu entusiasmo bairrista se transformou em decepção: a nossa Rádio rejeitava o nome de Freamunde e adoptava a cacofónica monstruosidade “Inovasom” que, embora assim a escrevam, para o ser, deveria escrever-se “Inovassom”. Ao princípio, ainda se começou a anunciar: “Rádio Inovassom – Uma voz de Freamunde ao serviço do Concelho”, por entre os clangores das trombetas do 1º andamento da 4ª sinfonia de Tchaikosky, e despedia-se novamente como a “Voz de Freamunde” aureolada pelo coral “O Fortuna!”, da cantata “Carmina Burana”, de Carl Orff. Era talvez, excessivamente imponente, perigosamente presunçoso, mas marcava o pundonor e a personalidade de uma gente que ama a sua terra, que a não esquece nem enjeita, e não abdica desse amor e desse bairrismo, mesmo que isso lhe possa trazer inconvenientes. … Mas, em breve tudo acabou: agora o emissor de Freamunde aparece sem ruído, e quase sem dizer de onde é, e acaba à meia-noite, em silêncio, quase sem se despedir… Porquê? De que tem medo?!...
Há dias, na “Tocata”, reuniram-se em congresso (?), as Rádios Locais do Vale do Sousa. Todas ostentavam, orgulhosamente, o nome da respectiva terra: Lousada, Paredes, Castelo de Paiva, Paços de Ferreira, Penafiel… A “Inovasom” não o fez: nem no cartaz anunciador do encontro, nem durante a sua actuação nem no fim da desta… De tal foi chamada a atenção de um responsável (?) presente, que não parece ter-se incomodado com isso. Talvez tivesse razão: a situação é vulgar e diária. Já tive o cuidado de acompanhar a emissão durante algumas horas e nem uma só vez o nome de Freamunde foi citado! E se não é o anúncio da Relojoaria “Ponto Alto” que todas horas nos proporcionam a oportunidade de acertarmos os relógios, ninguém saberia donde lhe vinha o que estava a ouvir, pois os senhores locutores não desvendam o segredo… Porque será? Por medo de poderem desagradar a alguém a quem o nome de Freamunde incomode?... Por vergonha do que estão a transmitir?... Porque entendem o monstruoso neologismo “Inovasom” ou “Inovassom” é mais que suficiente para identificar uma terra que sempre se afirmou defensora do bom senso?!...
E se o Sport Clube de Freamunde trocasse o topónimo por qualquer outra designação? E se o mesmo o fizesse a nossa conhecida e gloriosa Banda Musical? E se o nosso animado promissor Clube de Caça e Pesca e não menos esforçada Sociedade Columbófila ou os nossos – nessa época – heróicos Bombeiros Voluntários também se desinteressassem do nome de Freamunde? E se a nossa veneranda Associação de Socorros Mútuos, a Assembleia, o Clube Recreativo e, sobretudo, o nosso Grupo Teatral não fossem, orgulhosamente, “Freamundenses” ?? Ou se este jornal não se chamasse “Fredemundus”?? Quem iria saber das virtudes de uma terra que – nunca percebi porquê – nem vem no mapa, apesar ser demográfica, associativa e culturalmente (e não só) a mais importante do concelho…
Por isso, daqui solicito ao sr. Presidente da Junta de Freguesia de Freamunde que inclua no seu orçamento a despesa da propaganda da Relojoaria “Ponto Alto” na nossa rádio, a qual, sem o saber nem querer, está a dar a esta terra a divulgação que os obreiros da “Inovassom”, só com um “S” ou com quantos quiserem (não é por isso que a asneira aumenta…), inexplicavelmente lhe negam…           

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

"Coisas minhas" de Fernando Santos

I – O PASSEIO DA ESCOLA

Este ano, como habitualmente, a nossa população escolar lá teve o seu passeio anual. O dia, marcado com antecedência superior à que a ansiedade de uma criança pode suportar, foi sonhado, desejado, esperado… e nunca mais chegava… Só faltavam dez, só faltavam nove, oito dias… E cada dia que faltava era sempre mais longo do que o antecedente… Mas o grande dia chegou, por fim!
De véspera foi uma azáfama enorme: ele era o arranjar o farnel para levar (que chegasse para si e para oferecer…), ele era o pôr cá fora a roupa para vestir, bem lavada e brunida, estendida na cadeira à espera que a manhã raiasse, eram os mil e um conselhos e advertências dos pais e avós…
A noite foi mal dormida, o sono não vinha e, quando se dispunha a chegar, era empurrado para longe pela imaginação que só uma criança pode ter… E só o cansaço que essa imaginação provoca consentiu que o senhor “sono” se apoderasse dos felizes viajantes de um dia…
Mal o galo cantou a casa inteira foi acordada pela impaciência daquele “poucos anos” que não queria perder a caminheta que o levaria, mais a todos os parceiros de tamanho e brincadeiras, aos maravilhosos lugares que as senhoras professoras tinham escolhido, entre os quais – ora imaginem! – Havia uma visita ao grande Jardim Zoológico da Maia e uma enorme viagem de comboio de Campanhã até S. Bento, calculem!!...
Para miúdos nascidos e vividos numa terra que não é servida pelo caminho-de-ferro, este era, sem dúvida, o mais apetecido momento da jornada! O “Zoo” da Maia assumia aspectos de maior interesse que o próprio ”Kruger´s Park” e a distância ferroviária de Campanhã a S. Bento (com túnel e tudo…) só encontrava similitude no Expresso do Oriental!... Era um duplo sonho! E, após mais de mil e um avisos, o Ricardo saiu de casa radiante e ansioso, não era ele que ali ia, mas toda a beleza dos primeiros anos, que tão breve são, mas que valem milhões enquanto duram…
O Paulo, o irmão mais novo, não foi. O Paulo nunca foi! O Paulo … nunca irá!... O Paulo começa já, de muito novo, a sentir a injustiça e a desigualdade cruel da vida, onde há pessoas grandes que, ou por espantoso esquecimento dos seus primeiros anos, ou por um comodismo a que se julgam com direito, não hesitam em frustrar, ferir e ofender o que o mundo nos oferece de mais belo: a criança!
 A professora do Paulo não gosta destas coisas. Ela, que até é boa professora, que trata bem os seus alunos, que os ensina e educa o melhor que pode e sabe (e até sabe…), não se sente com estas obrigações. Pagam-lhe para ensinar crianças, para cumprir o seu programa, e não levar meninos a passear e, ainda por cima, ter talvez de assumir responsabilidades por tal acto. É uma funcionária zelosa, fria e cumpridora. As crianças são o seu ganha-pão, a razão do necessário ordenado ao fim do mês: mais nada.
O Paulo nunca irá, pois a sua professora será sempre a mesma até à sua ida para o “preparatório” … Mas o Paulo não chorou: o Paulo é um “homem” e um homem não chora! Assistiu à euforia do irmão, a todo o estrondoso reboliço daquela hora de natural alegria para todas as crianças que têm professoras que compreendem e estimam de maneira diferente da sua professora… e não chorou… Talvez uma espécie de rolha se lhe alojasse no gorgomilo a querer engasgá-lo, talvez os seus olhos, muito abertos, o quisessem atraiçoar, quando o irmão lhe deu o beijo de despedida e abalou feliz… mas conteve-se! Ele é um homem, sendo criança; assim outros (e outras) maiores do que ele soubessem assumir os compromissos próprios do seu tamanho…
Tentei consolá-lo: 
Deixa lá, Paulo: jardim Zoológico já tu conheces o de Lisboa, que já lá te levei… E, quanto ao comboio, eu próprio te levarei a dar um grande passeio, muito maior do que o teu irmão vai fazer…
Mas não é este! – Respondeu-me secamente, voltando-me as costas, talvez para eu poder continuar a dizer que o Paulo não chora, porque é um “homem”!
Curiosamente, a atitude do Paulo fez-me vir à ideia a imagem de um grande prato de batatas cozidas com a casca, a nadarem em molho de vinho avinagrado com duas magras gotas de azeite, imagem que me acompanha desde a idade do Paulo e que me marcou para sempre!
Nessa altura os meus pais costumavam passar um mês de férias no lugar de Perrache, da freguesia de Mouriz, em Paredes, numa casa de campo que nos era alugada por um tal senhor Brandão, de quixotesco bigode e pêra brancos, adereços pilosos que lhe emprestavam um ar de fidalgo ou nobre da Idade Média e que muito me impressionaram.
Nos baixos da casa viviam os caseiros, com um numeroso molho de filhos, alguns já grandes, mas outros do meu tamanho, mais ou menos, com quem eu adorava brincar, trabalhando no campo, que eram as suas brincadeiras possíveis e permitidas. Aquilo para mim era um Paraíso, onde nem sequer faltavam Adão e Eva, que eram, curiosamente, os nomes dos simpáticos caseiros, pais daquela filharada toda. Ao fim da tarde – e após terem dado graças ao Senhor – juntavam-se todos, com um garfo e uma colher de lata na mão, à volta da panela, esperando a tigela do caldo fumegante que a mãe lhes iria distribuir. Mas antes, a senhora Eva despejava num grande prato redondo um tacho de batatas cozidas com casca e tudo, regava-as com vinho tinto azedo, esmigalhava-lhes em cima uma cabeça de alho e deixava pingar três ou quatro gotas de azeite. Aí, entrava o garfo em acção, com o qual cada um ia tirando a sua batata, quente a escaldar, pelava-a com os dedos, molhava-a no grande prato comum, cheiinho de vinho azedado, alho e um cheiro de azeite, e levava-o à boca com satisfação e não menor precaução, que a coisa queimava, com a mão esquerda aberta sob o queixo para aparar os inevitáveis pedaços que iam cair… Aquela comida, pobre e simples, fascinava-me e ainda hoje, ao recordar aqueles gestos e o respectivo cerimonial, cresce-me água na boca e sinto uma tremenda fome daquele manjar que não cheguei a comer… Uma bela tarde, a senhora Eva, vendo o meu interesse por aquela humilde ceia, meteu-me na mão um bicudo garfo de ferro e convidou-me sorridente, ao que eu não me fiz rogado. Já me dispunha a picar uma batata, quando minha mãe, que não me via chegar, mandou-me buscar pela criada que sem mais aquelas, tirou-me o garfo da mão, pegou em mim e, levando-me para cima, impediu a maior aspiração da minha vida: comer uma batata cozida, a pelar, molhada em vinho azedo, juntamente com aqueles amigos…
Perante a minha enorme decepção, meu pai, que tinha acabado de chegar do Porto, de onde sempre trazia uma ou outra guloseima, tentou satisfazer-me com o doce que eu mais adorava e que já não como há imensos anos: “melindres”. Como o Paulo, voltei-lhe as costas e fiquei sem comer nesse dia.
Julgo que nessa altura também não chorei, mas hoje, ao lembrar-me do Paulo e dos seus colegas de classe a verem ir-se embora aquela caravana de caminhetas carregadas da alegria de ser criança, senti uma enorme amargura por eles e uma enorme indignação. Só espero que o facto de o não ter feito chorar não marque tanto o meu Paulo, como as batatas que não comi me marcaram a mim.
Igualmente espero que a senhora professora tenha grandes e justas razões para proceder desta forma, tão perigosa e pouco compreensiva, para com os seus alunos. Estou certo que sim que as tem, porque o contrário era simplesmente criminoso, vindo de uma educadora.
Mas, pergunto eu ao senhor Delegado Escolar: - “Não haverá uma forma de todas as crianças das nossas escolas poderem comer as suas batatas com casca, sem o perigo de se sentirem diminuídas e frustradas face aos seus colegas?