Vamos imaginar que Jesus acha a Igreja Católica a religião mais fixe, dentre todas as que existem. E que ele voltava à Terra, vivinho da Silva. As boas gentes exclamariam coisas do género “Estás como novo, é divinal!” e “O mundo precisa é de um tipo igualzinho ti, um tipo realmente impecável, pá!”. Calhando a parusia ocorrer em finais de Dezembro, e havendo ainda uns dias livres antes do Juízo Final e suas drásticas alterações ao quotidiano, naturalmente o papa de plantão pediria a Jesus para ser ele a despachar a mensagem de Natal. Que diria Jesus? Pediria o fim das guerras e que nos tratássemos como irmãos? Contaria uma parábola nova? Limitava-se a abrir os braços, soltando um sorridente “Deixai vir a mim as criancinhas”?
Esta madrugada, ouvindo na rádio parte da missa do Galo e o noticiário religioso da quadra enquanto fatiava quilómetros até caselas, tive uma epifania a respeito. Sei o que Jesus diria na mensagem de Natal. Sei com certeza absoluta, infalível. Que era isto: "Pessoal, é óbvio que vocês estão muito interessados nas minhas ideias, e cheios de curiosidade para saber se tenho voz de locutor profissional ou de choninhas, mas eu não voltei à Terra para falar, venho para ouvir. Ora, quem aí na assistência é capaz de me explicar que um fulano passe décadas, ou uma vida inteira, a estudar e a repetir o que eu disse há dois mil anos, e depois abuse criminosamente das carências e fragilidades de outros que me procuram, ou então que encubra esses criminosos tornado-se cúmplice num tipo de crime especialmente violento pois destrói personalidades e os seus futuros? Que caralho se passa aqui, foda-se? Foda-se! Podem começar a falar."
25 Dezembro 2024 às 9:21 por Valupi
Do blogue Aspirina B
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