segunda-feira, 26 de setembro de 2016

Ana Gomes e Sócrates:

Quando vejo personalidades públicas tecerem considerações sobre alguém com base em peças processuais tornadas públicas por forças estranhas que violam o segredo de justiça ou as publicam designando um comportamento criminoso como um exercício de liberdade de expressão sinto nojo.

Tenho um princípio de que não prescindo para além do elementar princípio da presunção da inocência, não formulo opiniões acerca de ninguém com base em informações vindas da polícia, seja da polícia com farda ou da polícia com toga, sejam polícias formados nas escolas de polícias, sejam polícias mais finos formados no Centro de Estudos Judiciários. Pode ser uma opção errada na opinião de muitos que vejo por aí, mas é a minha, só formula opinião depois de as vítimas da difamação se poderem defender segundo regras.

A acusação tem duas fases a investigação e o julgamento, na primeira os polícias acusam socorrendo-se dos meios legais e ás vezes de meios menos legais. Na segunda o acusado tem a oportunidade de se defender e os tais polícias deixam de ter a liberdade de dar golpes baixos, têm de provar o que acusam e demonstrar que a acusação é feita com base em provas válidas. Ora, se há esta fase porque motivo anda tanta gente a tirar conclusão quando a primeira ainda vai a meio?

Alguns fazem-no porque são parvos, deixam-se manipular por polícias pouco corajosos pois não dão a cara pela violação do segredo de justiça ou porque acreditam no que lhes dizem. Mas nem todos são parvos, há os que têm uma grande cultura judicial, que conhecem muito do que de errado a justiça já produziu ao longo da história, mas preferem tirar conclusões agora, quando o acusado não tem nada de que se defender.

Porque será que gente culta, deputados, jornalistas, políticos e até juízes e advogados, preferem julgar antes de que os acusados se possam defender, pior ainda, antes de ser produzida qualquer acusação? Por ódio, por vaidade, acima de tudo por cobardia, nesta fase é mais fácil condenar, difamar destruir.


Ana Gomes é uma destas pessoas, não quer esperar que o acusado se defenda, quer destruí-lo agora porque é mais fácil. Só que esta é a forma mais cobarde de tentar destruir alguém politicamente. Nem mesmo no tempo do fascismo se viu isto.


Não estamos perante uma questão de estratégia política do PS, talvez Ana Gomes não perceba, mas por mais que deteste Sócrates estamos perante uma questão de princípios. Prefiro os meus aos de Ana Gomes. E quanto a prejuízos para o PS seria interessante se fossem contabilizados os provocados por muitas intervenções desta deputada rica.

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